
Capítulo 365
Assassino Atemporal
(Enquanto isso, planeta Terra Nova, RuasExternas, Escritório da Guilda "A Revolta")
A Revolta já foi uma potência—uma guilda influente, com centenas de milhares de membros leais.
Mas os últimos anos não foram gentis com ela.
Forçados a abandonar sua sede principal no centro da cidade, migraram para as favelas, incapazes de acompanhar os preços exorbitantes do aluguel.
Agora, a sala da guilda rangia mais alto que o moral de seus membros.
O teto geme a cada rajada de vento, e as tábuas de madeira tortas se curvavam sob até mesmo passos leves.
O ar cheirava a ferrugem e madeira úmida—um odor que permanecia, como o fracasso.
Quadros de missões vazios decoravam as paredes descascadas, ladeados por bandeiras desbotadas que já inspiraram orgulho, mas agora serviam apenas de lembranças silenciosas de uma glória esquecida.
O declínio da guilda não se via apenas na localização, mas também no espírito, no propósito e no próprio pulsar da guilda.
"Não, Sam, acho que você não entende!" disse um membro da guilda na sala de missões, balançando a cabeça enquanto tentava explicar a realidade ao amigo manipulável.
"Ouvi do Jason que acabou,"
"Mais uma semana, talvez duas. Se não encontrarmos uma forma de levantar pelo menos três milhões de MP, não teremos fundos para pagar os agiotas, renovar a licença da guilda ou pagar o aluguel deste lugar amaldito…"
"As guildas rivais já estão debochando de nós. Chamando a gente de fanáticos sem líder. Idiotas delirantes venerando um fantasma."
"Acham que o Chefe nunca mais vai voltar."
"Dizem que o Chaosbringer é louco, e que o Chefe já nos deixou para trás há tempos…"
De acordo com eles, logo não seríamos capazes de pagar nossas dívidas, e todos os nossos bens seriam confiscados pelos agiotas, enquanto nossa equipe de gestão principal seria forçada a trabalhar duro para quitar os empréstimos", ele argumentou, uma lágrima escapando pelo canto do olho.
Realmente, as coisas estavam difíceis para a Revolta neste momento.
No entanto, a fé de que "O Chefe" voltaria algum dia permaneceu inabalável.
"Jason não entende nada! O Senhor Chefe voltará algum dia! E quando isso acontecer, vamos mostrar que ele estava errado!" respondeu Sam, continuando tão iludido como sempre.
—---------------
Na sala ao lado, Chaosbringer encostava-se na sua escrivaninha de mogno rachada, uma garrafa de licor de amora azeda quase vazia balançando suavemente entre os dedos impecavelmente cuidadosos.
Suas unhas longas e brilhantes, que um dia ostentaram cores radiantes de orgulho, agora estavam lascadas. Seus olhos, que antes ardentes, encaravam sem expressão a parede descascada à sua frente, enquanto se perguntava qual movimento desesperado teria que fazer a seguir.
'A garota Sophia e sua família Alcazar não desistem. Continuam oferecendo mais dinheiro a cada mês, tentando me fazer vender tudo que sei sobre meu Senhor,' pensou Chaosbringer, soltando um suspiro pesado.
Cinco milhões de MP. Essa foi a última oferta que fizeram para que ele entregasse a verdade. E, mesmo assim, ele recusou.
'Nunca vou vender informações sobre meu Senhor. Mas preciso de dinheiro para manter a guilda viva,' admitiu silenciosamente, dando mais um gole devagar na bebida, até que de repente a porta do seu escritório se abriu com um estrondo agudo.
*ESTALO*
Um jovem mensageiro da guilda entrou tropegamente, ofegante, com lágrimas descendo livremente pelo rosto.
"Líder!" exclamou o garoto. "É... é uma encomenda! Uma encomenda do Chefe!"
Chaosbringer hesitou por um momento. As palavras ecoaram em sua cabeça, primeiro suave, depois mais altas, crescendo até que algo dentro dele se reagiu ao vivo novamente.
"...O que você acabou de dizer?" perguntou, enquanto seus olhos mortos se reanimaram e sua postura derrotada se endireitava automaticamente.
"Uma encomenda. De ele!" repetiu o mensageiro, segurando um pacote envolto em tecido com mãos trêmulas.
"Tá escrito 'O Chefe' na etiqueta do remetente."
Como um homem atingido por um raio, Chaosbringer levantou-se do assento no momento em que ouviu essas palavras, fazendo sua cadeira ranger e tombar para trás.
*BASTU*
"Me dá isso!" declarou, avançando com uma determinação impressionante, agarrando o pacote com ambas as mãos como se fosse a última relíquia sagrada restante de um templo em ruínas.
"Não toque nele. Você— Saia. Saia! Isso é propriedade divina, criança! Seja gentil!" berrou, segurando o pacote contra o peito com força, a voz embargada de emoção.
Batendo a porta atrás de si, Chaosbringer voltou à sua mesa e colocou o pacote com reverência, como um sacerdote fazendo uma oferenda em um altar.
"Ó SANTO!"
Ele respirou fundo ao ver o nome escrito na etiqueta com uma caligrafia familiar e afiada:
De: O Chefe.
O pacote não tinha endereço de retorno, selo ou insignia escondida. Apenas esse nome. Aquele nome sagrado, santo.
"Mãe de divindade… é real… é ele…" pensou Chaosbringer, enquanto desajeitadamente desenrolava o pacote e verificava seu conteúdo.
Dentro, havia um bloco de tijolos embalados, uma carta e um cheque.
'O que o senhor enviou?' questionou Chaosbringer, enquanto abria primeiro a carta, as mãos tremendo como uma tempestade na seda.
[ "Agora me lembro de tudo.
Em breve, entrarei em contato.
Até lá—Cuide do nosso povo e use bem esse dinheiro.
Além disso, mantenha este pacote seguro. Para mim, é muito valioso.
Saudações, O Chefe." ]
Embaixo da mensagem, havia um cheque em branco do Banco Universal… com limite total de 10 milhões de MP.
Chaosbringer não chorou.
Ele soluçou.
Sem vergonha. Alto. Bellamente.
Caiu de joelhos enquanto lágrimas escorriam, borrando os vestígios de delineador que ainda grudavam em suas pálpebras inferiores.
"Meu Senhor… minha luz… meu DEUS!!" gemeu, abraçando a carta como uma tábua de salvação. "Você SE LEMBRA DE MIM!"
Olhou para o teto podrido, os lábios tremendo numa expressão de sorriso maníaco.
"ELE VOLTOU! ELE ESTÁ VIVO! NÃO ESQUECEU DE NÓS! NÃO ESQUECEU DE MIM!"
Giratou no lugar como uma bailarina bêbada, abraçando o cheque contra a bochecha enquanto soluçava de rir e chorar ao mesmo tempo.
"Chega de pobreza! Chega de julgamento desses malditos céticos! A RevoltaVai RESSURGIR!"
Agora, o pacote contra o peito, balançava de um lado para o outro como um amante que se reencontra após a guerra.
"Eu sabia. Sabia que ele voltaria pra gente. Esperei. Rezei. Acreditei. E agora… minha fé foi recompensada."
Seus soluços diminuíram em lufadas de suspiros enquanto passava um dedo pelas letras afiadas na carta.
"Meu Senhor… claro que vou manter seu pacote seguro. Não deixarei ninguém nem mesmo tocar nele."
Continuando a segurar o pacote como um recém-nascido, Chaosbringer lentamente se levantou, ajustando sua túnica com uma dignidade renovada.
A névoa de embriaguez que havia obnubilado seus dias desapareceu, substituída por uma centelha que não brilhava há anos.
Foi até o espelho rachado na parede ao longe, enxugou as lágrimas, e começou a arrumar a maquiagem com mãos trêmulas.
"Se o mundo duvidou antes, que duvidem agora," sussurrou, passando uma camada nova de batom cintilante. "Pois quem servimos nos lembra novamente."
Então, com olhos ardentes e lábios curvados num sorriso confiante, virou-se para encarar a porta.
"Preparem a sala da guilda," ordenou. "Revejam as bandeiras. Polam o chão. Sector E, relaxados—limpem suas botas e arrumem a coluna. É hora da nossa guilda se erguer de novo!"