Assassino Atemporal

Capítulo 307

Assassino Atemporal

(O mundo parado no tempo, dentro de uma caverna escura em algum lugar muito abaixo da superfície)

Leo não fazia ideia de quantos dias tinha ficado inconsciente, nem de como ainda estava respirando — vivo.

Tudo o que ele sabia era que, quando finalmente sua consciência retornou, ela não veio de uma só vez…

Veio emfaixas, em fragmentos. Como pedaços quebrados de uma memória tentando se recompor dentro de um corpo que não estava preparado para despertar.

O primeiro sentimento que teve não foi dor, mas a textura estranha de uma palha sob os dedos.

Seca. Áspera. Estranha.

Então, a dor veio de uma vez, de forma devastadora.

Como um deslizamento de terra, uma avalanche.

Dor surda e pulsante rasgou suas costelas.

Seus ombros pareciam ter sido despedaçados e colados de forma errada.

E na região inferior do corpo…

Ele nem tinha certeza se ainda estava conectado a ele, até tocar com as mãos para confirmar que ainda existia.

Seguiram-se então os piscamentos das pálpebras, que se abriram lentamente, apenas para serem recebidos pela escuridão.

Não um preto absoluto —

Mas uma penumbra profunda e abafada, que era marcada apenas pelos veios de cristais de mana azul escuro embutidos nas paredes úmidas da caverna ao redor dele.

Ele piscou de novo.

Uma vez.

Duas vezes.

Enquanto a névoa começava a dissipar.

E foi então que ele percebeu o tamanho do espaço ao seu redor.

Tetos altos, cavernosos.

Parede úmidas.

E um cheiro que lhe atingiu como sangue apodrecido e pelos queimados misturados.

Mas nada disso interrompeu sua respiração.

O que o fez—

Foram os ovos.

Grandes.

Oblongos.

Cinco deles.

Cada um quase na altura de um homem e largo o suficiente para esmagá-lo se rolassem na direção dele.

Percebendo-os agrupados ao seu redor em um círculo perfeito.

E ele?

Ele jazia no centro de um ninho de uma criatura desconhecida.

O ninho era feito de ossos quebrados, tendões secos, tiras de tecido queimado, metal e o que parecia assustadoramente a pele de algum animal pobre que já caminhou sobre quatro patas.

'Que porra é essa—'

Leo tentou se mover.

Mas isso foi um erro — um erro brutal, na verdade, pois no instante em que ele mexeu um pouco, fogo imediatamente explodiu em seu peito.

Suas costelas chiaram.

A coluna se contorceu.

Seus pulmões pareciam ter sido arrastados por arame farpado.

Porém, como se isso já não fosse ruim o suficiente, seus braços também não respondiam aos comandos da mente, e ele não conseguia sentir as pernas de jeito nenhum.

Leo cerrava os dentes, sentindo o pânico subir no peito, mas forçou-se a manter a respiração firme.

'Não entre em pânico... Só não entre em pânico…'—dizia a si mesmo, enquanto [Indiferença do Monarca] começava a estabilizar sua mente.

Tudo doía.

Seu corpo todo estava destruído.

Desde a clavícula até os quadris, passando pela sola dos seus malditos pés—

Ele estava quebrado de mais de uma forma.

E então—

A memória voltou.

Karl.

A queda.

A traição.

O tropeço.

A água.

A dor.

Perder a consciência perto do rio.

'Mas... isso não é o rio…'

Ele congelou, percebendo que provavelmente alguma criatura o tinha carregado do rio até o ninho dela.

E, infelizmente, assim que teve essa ideia, começou a ouvir uma batida suave e rítmica de algo caminhando ao longe.

*BATIDA*

*BATIDA*

Ficava mais forte a cada segundo, enquanto algo enorme, provavelmente, se aproximava do ninho.

'Que droga,'

A pulsação de Leo começou a subir, mas seu corpo se recusava a se mover.

Ele estava paralisado, cercado por ovos gigantes, deitado de forma impotente dentro do ninho de uma criatura monstruosa.

E desta vez—

Ele nem tinha força para se mexer ou fugir.

Era só fazer de conta que continuava inconsciente, enquanto sentia a criatura finalmente se aproximar do ninho e pairar bem acima dele.

Leo instintivamente fez sua respiração chegar ao mínimo possível, forçando o peito a subir e descer de forma tão sutil que parecia mais uma consequência de uma convulsão do que vida.

Ele ouviu primeiro antes de sentir—

Um respirar pesado e rouco que carregava cheiro de carne podre e decomposição.

Quente e úmido, grudando seu rosto como uma película de podridão.

Depois, veio o empurrão.

Um focinho escamoso e viscoso pressionando suavemente contra seu ombro, enquanto a criatura exalava outra onda de calor azedo na sua pele, antes de uma bola grossa de saliva escorrer de sua mandíbula e cair exatamente no seu pescoço.

*Gotejo*

O coração de Leo batia forte contra o peito—

Tão alto que parecia que entregaria sua posição antes de o monstro notá-lo.

Mas ele não se mexeu.

Não piscou.

Não se mexeu.

A criatura passou o focinho mais uma vez—

Olfateando, testando, arrastando o nariz de baixo para cima do seu peito até o rosto, enquanto Leo sentia uma outra gota quente de saliva escorrendo pelo lado da bochecha e entrando no canal auditivo.

Ele quase engasgou—

Mas conseguiu segurar a ânsia na hora certa.

Pois, no fim, depois de uma eternidade de tensão, a criatura pareceu satisfeita de que ele não representava ameaça… enquanto desviava sua atenção para outro lado.

*BATIDA*

Leo ouviu enquanto os passos se moverem lateralmente, acompanhados por um leve rugido que quase parecia um ronronar—

Não um ronronar suave ou gentil como de um gato, mas um ronco profundo e potente, que reverberava pelas paredes da caverna como o rosnado de pedra em movimento.

A criatura se moveu em direção aos ovos.

Ele não conseguia vê-la claramente, mas pelo som das garras arranhando o chão, ela estava circulando ao redor deles—

Inspecionando-os.

Verificando cada um com calma e cuidado.

Leo permaneceu imóvel, sua respiração quase inaudível pelo nariz, enquanto ouvia atentamente cada movimento.

Um ovo.

Depois outro.

E outro.

Até que, enfim, após o que pareceu uma eternidade, o som dos passos começou a desaparecer.

Seus passos ficaram mais leves.

A respiração ficou distanciada.

E, por fim—

A presença da criatura desapareceu nas profundidades dos túneis da caverna.

Leo não se mexeu.

Por dez minutos inteiros, por precaução, para não ser detectado.

E ficou ali, com o coração batendo forte na garganta, os pulmões queimando e o corpo gritando— até ter certeza de que a ameaça se foi.

Só então, soltou um suspiro de alívio, parecendo um homem que quase morreu na mão da própria sorte.

'Aquela coisa devia estar pelo menos no nível Transcendente…' pensou Leo de forma sombria, ainda sentindo a energia concentrada da mana que ela tinha irradiado, enquanto o ar ao seu redor ainda parecia espesso com uma substância parecida com piche invisível, a mana que a criatura tinha liberado.

'Nem mesmo no meu melhor eu conseguiria enfrentá-la... quanto mais agora, com esse corpo quebrado que não consegue sequer se mexer.'

Fazer ofensiva contra ela era uma piada.

Do pouco que conseguiu vislumbrar com os olhos semicerrados, ela parecia uma versão distorcida de uma dragão de komodo— escamosa, quadrúpede, com uma língua semelhante a de uma cobra que se movia lentamente pelo ar.

Mas ele não teve coragem de abrir os olhos completamente, não podia arriscar, e por isso não tinha certeza do que ela realmente era.

Contudo, tanto faz o que a criatura fosse.

Seu nome. Sua espécie. Sua classificação. Nada disso importava.

O que importava… era sobreviver.

Porque, se ele permanecesse ali, paralisado neste ninho, esperando os ovos ao seu redor eclodirem…

Antes ou depois, acabaria na lista de refeições do monstro.

E não haveria nada que pudesse fazer para impedir isso.

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