Assassino Atemporal

Capítulo 306

Assassino Atemporal

Por um tempo, toda a câmara do conselho permaneceu mergulhada em ruído, enquanto os anciãos discutiam e interrompiam uns aos outros sem parar, suas vozes subindo e descendo em ondas sobrepostas — cada homem mais irredutível que o anterior, enquanto o ambiente se dividia exatamente ao meio por causa da candidatura de Leo Skyshard a próximo Dragão.

Seu talento, claro, nunca esteve em dúvida.

Todos tinham visto o garoto lutar nos Circuitos Interestelares.

Todos tinham visto-o derrotar quatro Grandes Mestres consecutivamente, além de centenas de bilhões de outros.

Por isso, compreendiam que, em termos de potencial, poucos poderiam contestar o que ele poderia vir a ser —

Mas talento nunca foi o problema em si.

A verdadeira questão era sua lealdade.

Porque as preocupações do Quarto Ancião também não eram infundadas.

Como poderia o Cult confiar seu futuro mais sagrado às mãos de alguém criado além de suas muralhas? Alguém que não foi nutrido dentro de seus códigos, seus valores, seus costumes? Alguém que cresceu respirando o ar do inimigo, bebendo suas poções e treinando sob sua bandeira?

Como confiar em alguém assim?

E, ainda assim, o contra-argumento também não podia ser ignorado.

Pois, quando se trata de construir alicerces… A aliança justa simplesmente faz isso melhor.

Seus soros de despertar eram mais puros.

Suas academias eram mais avançadas.

Seus recursos, sejam espirituais, educacionais ou infraestruturais… eram muito superiores a tudo que o Cult poderia oferecer aos seus novatos.

Enviar Leo para Rodova, nessa perspectiva, não era traição.

Era estratégia.

Era visão de futuro.

E, no final, nada disso importava.

Porque, por mais lógica que fosse o plano do Décimo Segundo Ancião para o caminho de Leo…

Por mais razoáveis que fossem seus argumentos ao enviá-lo para Rodova…

Ainda havia uma pergunta que ele não conseguia responder.

Que era—

Quando chegasse a hora,

quando os riscos fossem maiores e o mundo exigisse uma escolha—

Leo Skyshard empunharia sua lâmina pelo Cult?

Ou a apontaria contra eles?

"Estou dizendo! Tal candidato não pode ser confiável. O décimo segundo ancião, na sua inexperiência, acabou com uma grande esperança.

É uma pena que não tenhamos podido criar Leo Skyshard desde a base.

Mas digo que já passou do tempo de começar."


O Quarto Ancião disse enquanto batia a palma na mesa de reuniões, de forma a chamar a atenção de todos com força.

"Eu morrerei antes de deixar um forasteiro ser o próximo Dragão… vocês podem apostar nisso!" Ele concluiu, pronunciando essa última frase com uma paixão intensa, tentando envolver a sala.

No entanto, embora esperasse que sua afirmativa tivesse um impacto emocional contundente, ela foi imediatamente contestada pelo Terceiro Ancião, que não aprovara nada da postura dura do Quarto.

"Se o garoto voltar com o pergaminho, então eu mesmo o tornarei Dragão.

E se for preciso, que seja às custas da sua vida, que eu cortarei você ao meio para fazer isso acontecer.

Sem o pergaminho, nenhum futuro Dragão pode se tornar o próximo Assassino Atemporal, de qualquer forma.

Portanto, quem conseguir recuperá-lo, deve ter o direito de se tornar o próximo Dragão!" O Terceiro Ancião declarou, e suas palavras fizeram muitos concordarem com aceno de cabeça.

O Quarto Ancião franziu a testa sob a máscara, desconfortável com a resposta imediata à sua declaração apaixonada. Contudo, ele manteve a firmeza e acrescentou… "Muito bem, se um guerreiro do grau de Grande Mestre realmente conseguir trazer o pergaminho de volta, eu o apoiarei! Mas, se não, sua candidatura não pode ser aceita sob nenhuma outra circunstância!"

Após isso, houve uma pausa.

Uma pausa rara e passageira —

Daquelas que não parecem vazias, mas pesadas.

Enquanto a última frase do Quarto Ancião permanecia no ar, carregada de desafio, de orgulho…

E, desta vez, não foi recebida com indignação.

Foi acolhida com silêncio calculado.

Porque, naquele momento, até as vozes mais céticas na sala foram obrigadas a reconhecer a verdade não dita, de que se Leo Skyshard realmente conseguisse voltar com o pergaminho de Noah…

Então ele não era apenas um guerreiro promissor do outro lado, mas uma lenda em formação no Cult.

E, assim, finalmente, o Primeiro Ancião inclinou-se para frente.

Não para repreender, nem para elogiar, mas para encerrar esse debate por ora, dizendo: "Nesse caso, não vamos desperdiçar mais palavras numa discussão que ninguém pode provar esta noite."

Ele olhou ao redor da câmara, com olhos afiados mesmo por trás do véu.

"O conselho emitirá uma decisão condicional."

Ele fez uma pausa.

"Leo Skyshard será aceito como o próximo Dragão—"

A sala ficou tensa.

"Somente se retornar com o pergaminho de Noah nos próximos doze meses."

"E, caso falhe…", continuou, com o olhar momentaneamente se voltando para o Quarto Ancião,

"então Aegon Veyr será coroado em seu lugar, desde que consiga alcançar o reino Transcendente no mesmo período."

A sala ficou em silêncio novamente.

Ninguém se moveu.

Ninguém protestou.

Pois a proposta—

Por mais impossível que parecesse à primeira vista…

Parecia justa.

Era um teste.

Um campo de provas.

E permitia que ambos os candidatos conquistassem o título, não por política ou táticas clandestinas, mas por mérito e ação.

"Aceito", disse o décimo segundo ancião, inclinando levemente a cabeça.

"E eu também", respondeu o Quarto Ancião após uma pausa, embora seu tom fosse frio, contido e algo tenso.

O Primeiro Ancião recostou-se.

"Então está decidido... podemos encerrar a reunião por hoje", disse, levantando-se da cadeira, fazendo os demais seguirem em silêncio.

Os escribas acenaram entusiasticamente uns para os outros, no centro da câmara, rabiscando furiosamente suas pena e tinta enquanto registravam o resultado da reunião de hoje, seus livros de registros anotando tudo o que foi dito, para que ninguém pudesse contestar os registros depois.

As condições para a próxima escolha do Dragão estavam definidas e, em doze meses, Aegon Veyr ou Leo Skyshard certamente seriam coroados como o próximo Dragão do Culto da Ascensão.

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