Assassino Atemporal

Capítulo 308

Assassino Atemporal

'Ok... a primeira coisa que tenho que fazer é curar essa desordem de corpo quebrado,' pensou Leo, com a mandíbula apertada enquanto se debatia fracamente no chão revestido de palha, cada tremor despertando faíscas de dor subindo e descendo pela coluna.

Ele não conseguia se sentar. Não conseguia rolar. Mal conseguia respirar sem sentir como se uma faca estivesse atravessando suas costelas.

Mas isso não o impediu de tentar.

Ele torcia o tronco meio centímetro de cada vez, soltando pequenas respirações controladas enquanto se movia—devagar o suficiente para não chamar atenção, mas rápido o bastante para não desmaiar de novo.

'Vamos lá... vamos lá... ainda deve estar aí.'

O peito queimava. As costas gritavam. Mas seus dedos finalmente tocaram algo sólido, algo familiar.

A forma fria e discreta do seu anel espacial, ainda escondido sob o tecido de suas vestes, bem acima do coração.

'Boa... ainda está aqui! Graças às estrelas.'

Ele não permitiu um sorriso.

Ainda não.

Porque encontrar era uma coisa.

Tirá-lo de lá?

Essa era a verdadeira batalha.

Seus braços mal funcionavam. Seus músculos estavam esgotados. E seus dedos estavam tão dormente que pareciam pertencer a outra pessoa.

Mas ele tinha que movê-los.

Mesmo que levasse uma hora. Mesmo que fizesse desmaiar. Ele tinha que movê-los.

Por isso, com uma inspiração longa e tremendo, Leo começou a guiar sua mão direita sobre o peito, usando o queixo e o ombro para prender o anel contra a pele, de modo que ele não escorregasse.

Era grosseiro.

Era devagar.

E doía demais.

Mas, centímetro por centímetro, arrastou a borda da túnica até finalmente, com as pontas de dois dedos trêmulos, conseguiu encaixar a aliança e deslizar para fora, só o suficiente para alcançar sua palma.

'Peguei você...'

Ele agarrou nela.

Fraco, bambamente, mas agarrou.

Seu fôlego vacilou ao fechar os dedos ao redor do anel, pressionando-o contra a palma com a pouca força que ainda tinha.

Agora, só precisava ativá-lo.

Para isso, precisava canalizar parte de sua mana para o anel.

'Droga... mana...' percebeu Leo, enquanto sentia seu coração afundar.

Desde que desmaiou, ele não tinha mais uma pedra de mana em mãos, o que significava que vinha absorvendo a mana contaminada deste mundo há quanto tempo, Deus sabe?

'Será que meus circuitos de mana estão ficando duros? A mana corrompida já está começando a contaminar minha mente?' Leo questionou, enquanto fazia uma rápida introspecção nos seus circuitos de mana.

Porém, o que descobriu não foi nada do que esperava.

Esperava ver seus circuitos entupidos por contaminação...

Esperava os primeiros sinais de corrupção—nós escurecidos, fluxo rígido, movimentos lentos, ou pior, aquela leve tremedeira de que a corrupção começava a devorar sua consciência por dentro.

Mas, ao invés disso—

Foi o oposto completo.

O mana que atravessava seus circuitos não só era limpo,

Era puro.

Clareado, vibrante e forte.

Facilmente duas vezes mais potente do que tudo que ele estava acostumado.

'Esperem... o quê?'

Leo pisque duas vezes, refazendo a varredura, garantindo que não estivesse imaginando coisas, mas os resultados não mudaram.

Sem sinal de endurecimento nos circuitos de mana.

Sem rastro de névoa mental obscurecendo sua mente.

Sem textura granulada no fluxo de mana através de seu corpo, coisa que geralmente aparece quando se absorve energia contaminada do ambiente.

Em vez disso, o mana que corria pelo seu corpo era suave, nutritivo, refinado.

Movia-se como água gelada sobre uma queimadura de sol—curando, não machucando. Energizando, não exaustando.

'Espere, espere, o que diabos está acontecendo?'

Isso não deveria ser possível.

Todo livro que leu sobre absorção de mana ambiental sugeria que alguém começaria a deteriorar depois de exposição prolongada.

Seus pensamentos deveriam começar a escorrer. Seus nervos deveriam começar a desfiar. Seus circuitos deveriam começar a endurecer por dentro, um a um, sob o peso da mana contaminada.

Mas nada disso estava acontecendo.

'O que diabos é isso—'

Então, caiu a ficha.

Tudo isso se devia ao coração de mana!

Aquele órgão misterioso que tinha desenvolvido na última vez que despertou, uma coisa que nem mesmo o Major Hen conseguia explicar direito.

'Impossível... será que é por causa do coração de mana?' Leo pensou, enquanto acompanhava o fluxo de mana com mais atenção agora, observando o caminho da absorção do ar ao redor.

E lá estava.

Clara como o dia.

A mana estrangeira sendo atraída para seu corpo, devagar e steady... mas não indo direto para seus circuitos.

Ela se movia pelo centro do seu peito.

Exatamente através do coração de mana.

Que estava levemente brilhando— pulsando com ondas suaves— enquanto absorvia a energia contaminada e a decompunha.

Ele observou em admiração.

Viu as manchas escuras se dissolverem.

Viu as impurezas desaparecerem.

Viu a mana pesada e densa ficar mais fina e mais leve até que só restasse um fluxo purificado de energia clara— uma que o coração de mana então transmitia para o resto do corpo, como uma mão cuidadosa servindo água filtrada.

'Caramba...'

Ele não estava sendo prejudicado pela mana deste mundo.

Era imune a ela.

Ou melhor— seu coração de mana fazia o trabalho de um sistema completo de purificação... no piloto automático... vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana.

Não precisava de pedras de mana de alto grau.

Não precisava de um sistema de purificação instalado ao redor dele.

Nem mesmo de resistir ao impulso de absorver a mana ambiente do mundo.

Porque seu próprio corpo fazia o trabalho por ele.

'Eu... posso ser o único que consegue viver aqui... Se a mana deste mundo não me corromper, então posso estar num paraíso.'

A percepção caiu como uma explosão silenciosa dentro dele.

Se qualquer outro guerreiro tivesse caído aqui, teria enlouquecido mais cedo ou mais tarde por causa da exposição à mana contaminada.

A mente deles teria se destruído.

Seus meridianos teriam se transformado em pedra.

Mas não ele.

Por uma sorte inexplicável... Leo pode ser a única pessoa viva capaz de sobreviver nesse mundo parado no tempo, sem enlouquecer.

E isso lhe dava uma oportunidade única de se fortalecer enquanto o tempo lá fora passava lentamente.

'Ok... sem me empolgar demais, primeiro tenho que me curar e sair dessa toca.'

Como não adianta eu ter o coração de mana se vou acabar sendo comida de bebê,' lembrou Leo, enquanto despejava uma porção de mana em seu anel espacial e tirava a poção de cura de maior grau, junto com a poção de regeneração óssea que tinha guardado lá dentro.

*PLUP*

Ele destrancou a garrafa da poção de cura azul com os dentes, bebendo seu conteúdo como uma fera sedenta, sem parar, terminando tudo de uma só vez.

O calor imediatamente começou a invadir seu corpo, espalhando-se como seda derretida pelas veias, primeiro anestesiando as dores mais agudas, depois os cortes mais profundos, enquanto seu pulso se estabilizava lentamente.

Ele respirou com mais facilidade após algumas janelas de respiração, já sem esforço e sem dor, enquanto o frio intenso que se instalara em seus ossos começava a recuar.

A dor não desaparecia completamente, é claro, mas ficou suficientemente atenuada para lembrá-lo de que já não estava à beira da morte.

De que, mesmo quebrado, ele estava se recuperando lentamente e que o pior já tinha ficado para trás.

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