Assassino Atemporal

Capítulo 309

Assassino Atemporal

Após cerca de vinte minutos de ter ingerido a poção de regeneração óssea, uma sensação começou a retornar às pontas dos seus dedos e à parte inferior do corpo — e junto veio uma onda de dor tão aguda, tão sufocante, que fez tudo o que ele tinha sentido ao despertar parecer misericordioso em comparação.

Não era uma dor que fazia você estremecer.

Era aquela que te levava a questionar se ter acordado tinha sido um erro.

O tipo de dor que fazia a morte parecer a alternativa mais gentil.

Porque, enquanto os nervos se costuravam de volta e seu corpo lentamente voltava a sentir de novo—

Leo realmente se arrependeu de ter bebido aquela porcaria de poção.

Ele prendeu a respiração.

Seus dedos se enroscaram como se recuando da agonia que subia pelo braço, enquanto seus joelhos tremiam descontroladamente, inúteis e trêmulos, como se estivessem zombando dele, desafiando-o a tentar se mover se tivesse coragem.

'Porra… agora ficou pior que eu posso sentir…' pensou Leo, mordendo o lábio para impedir o gemido que vinha na garganta, enquanto permanecia ali, plenamente consciente de que aquilo era só o começo do seu inferno.

Ele deveria tomar a poção de regeneração óssea em seguida — e havia uma única regra antes de fazê-lo: cada osso deslocado precisava estar bem alinhado.

Se ele bebesse agora, o corpo dele recuperaria na forma errada.

O ombro continuaria torto.

A rótula permaneceria fora do lugar.

E ele se curaria como um inválido, o que era pior do que não se curar nada.

Ele fez uma careta ao olhar para o ombro— inchado, deslocado e dobrado de forma feia, sabendo exatamente o que tinha que vir a seguir e o quanto aquilo ia doer.

'Sem alternativa… isso tem que voltar para o lugar.'

Ele não queria fazer isso.

De verdade, não queria.

Só de pensar em forçar de volta na posição, seu estômago revirava.

Mas era aquilo — ou virar comida de monstro.

Então, no final, escolheu a dor.

'Vamos lá, Leo… você já passou por coisa pior. Isso é só dor. Você já sentiu dor. Você viveu dor. Então, porra, faz logo isso,' se incentivou, empurrando o ar para fora ao respirar fundo, enquanto suas mãos tremiam—

E então, ele empurrou.

*TRINC*

Um som semelhante a um osso se quebrando ao contrário ecoou pela caverna, enquanto ele cerrava os dentes para não gritar.

Sua visão escureceu.

O coração deu uma sacudida por causa do choque que percorreu sua coluna.

Mas ele não gritou.

Não se debatia.

Apenas permaneceu ali, trêmulo, encharcado de suor, enquanto seu ombro finalmente se encaixava no lugar.

Por um breve momento, tudo ficou em silêncio.

Mas ele ainda não tinha acabado.

Seus olhos caíram sobre o joelho direito, que estava deslocado, pulsando e fora do alinhamento, e ele já sentia que encaixá-lo novamente poderia ser ainda pior que o ombro.

'Porra…'

Ele cerrava os dentes de novo.

Mas desta vez, não hesitou.

Com ambas as mãos na coxa e respirando fundo, puxou imediatamente o joelho de volta ao lugar.

*PLUFT*

Ele torceu e empurrou a rótula de volta ao seu devido lugar.

E isso—

Quase o derrubou de vez.

'Porra, porra, meu Deus, de tudo que é bom e mau nesse universo amaldiçoado,' murmurou interiormente, as palavras fazendo pouco sentido, mas de algum modo mantendo-o consciente.

Por um tempo, ele ficou ali, imóvel.

Durante os próximos 20 minutos, sua respiração permaneceu superficial, enquanto ele respirava pelas lábios entreabertos.

O suor escorria pelo rosto enquanto os tremores nos membros lentamente começavam a diminuir.

A visão ainda era turva.

A mente ainda se remexia.

Mas o pior tinha passado.

Seus ossos estavam no lugar.

E finalmente chegou a hora de tomar a poção.


Com dedos trêmulos e uma força quase no limite, Leo alcançou o segundo frasco do estoque— um de cor vermelha espessa, selado com uma tampa preta.

A poção de regeneração óssea.

Ele abriu a tampa com os dentes, sem se importar com o gosto ou com o que queimava ao engolir, e simplesmente engoliu.

Engoliu como um homem faminto lutando por ar, com o líquido escorrendo pela garganta como óleo combustível, grosso, amargo, metálico— fazendo a língua se contorcer e o estômago revirar.

Depois de alguns segundos—

BOM!

Um zumbido pulsante ecoou dentro dos ossos.

Um ritmo lento e pulsante que começava na cintura e se espalhava — como metal derretido sendo despejado em um molde rachado.

'Vamos lá…' pensou Leo, com a mandíbula cerrada, as mãos cerradas—

Porque a dor que sentira antes?

Era só o aperitivo.

O prato principal tinha acabado de começar.

—------

Começou com uma vibração tênue— sutil, quase enganosa.

Mas, em segundos, transformou-se em algo primal, enquanto cada fratura em seu corpo começava a esquentar.

Não queimar. Não picar.

Mas esquentar— como se todas as pontas irregulares de cada osso quebrado tivessem sido incendiadas por dentro, e agora estivessem sendo soldadas sem anestesia ou misericórdia.

A sua coluna arqueou antes que pudesse impedir.

As costas raspavam na haste fina e na camada de osso que formava o ninho.

Os dentes cerrados, ele jurou que algo rachou na boca.

'Respira. Apenas respira —'

Mas a respiração não vinha.

A dor era implacável.

Impassível.

Não era mais pontual. Era profunda.

Rastejava até a medula.

Pulsava a cada batimento do coração.

E não parava.

Não parava.

Minutos pareciam eternidades.

A cada batida do coração, parecia um martelo.

Cada inspiração, uma maldição.

Ele não tinha certeza se balançava ou se o mundo inteiro tremia com ele—mas tudo o que podia fazer era segurar-se.

À sua consciência.

À sua sanidade.

À última ponta de orgulho que lhe restava.

Ele não gritou.

Ele não chorou.

Mas a visão dele ficou turva.

Os lábios sangraram.

E todo o corpo dele se tensou, como se fosse um arco esticado, enquanto suportava os minutos mais longos da sua vida.

Até que—

De repente—

A dor estabilizou.

Depois ficou mais fraca.

Depois… aliviou.

Não completamente.

Não de forma confortável.

Mas o suficiente.

Suficiente para que pudesse respirar novamente, sem travar a respiração de dor.

Suficiente para destravar os punhos.

Suficiente para perceber— que estava funcionando.

Ele ainda não estava curado.

Nem perto disso.

Mas os ossos estavam se unindo.

O processo tinha começado.

E, por enquanto, isso era suficiente.

'Ainda estou consciente…' pensou Leo, fechando os olhos enquanto sua cabeça recostava na palha.

'Ainda estou lutando.'

E, em algum lugar, enterrado sob a dor—

Ele quase sorriu.

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