Assassino Atemporal

Capítulo 293

Assassino Atemporal

Após aterrissar no chão, o camaleão ficou ainda mais agressivo, soltando um grito agudo e distorcido — seu corpo convulsionando com energia selvagem enquanto sua camuflagem pisca e apaga como uma lâmpada que está desaparecendo.

*Fssshh!*

A língua corrosiva se lançou novamente, deixando uma craterazinha rasa no solo onde Bob tinha estado há um instante atrás.

"Não se aglomerem!" Raiden ordenou, desviando-se para o lado. "Forcem-no a dividir o foco!"

A equipe se espalhou, movendo-se com disciplina treinada, apesar do cansaço, enquanto rapidamente trocavam de posições.

Bob correu para trás de um tronco, atraindo o olhar da criatura com golpes de disfarce, enquanto Raiden liderava na linha de frente, enfrentando-a de cabeça erguida com cortes baixos e firmes.

Leo, silencioso como sempre, deslizou para o lado, permanecendo nas sombras, misturando-se e [Desaparecendo] nelas, esperando silenciosamente por uma oportunidade.

Enquanto isso, Cipher ficou na esquerda, girando suas adagas e circulando baixo, com olhos arregalados e frenéticos, mas com mãos afiadas o suficiente para reagir.

Em breve, o camaleão rangeu seus maxilares e avançou novamente, só para encontrar a lâmina de Raiden no auge do movimento.

*Choque*

Faíscas voaram.

Ácido fez zunido.

E desta vez foi o monstro que cambaleou, enquanto Raiden usava o ataque [ Corte Rápido ] para acertar a língua dele.

'Agora!' pensou Leo, ao perceber uma oportunidade e avançar, seu corpo se borrando enquanto ativava [Mil Golpes Fantasma].

Imediatamente, seu corpo se transformou em uma rajada de imagens que permaneciam por um instante, cada passo deixando um eco translúcido de si mesmo, sempre acompanhado por um corte.

*SHINK—*

*SHINK—*

*SHINK—!!*

Ele rasgou as flancos da criatura, interrompendo seu ímpeto e forçando-a a recuar, enquanto sangue verde jorrava em arcos e sua camuflagem se quebrou completamente, revelando a carne fungosa e mossificada por baixo.

E foi nesse momento que Cipher percebeu a oportunidade de atacar.

"AGORA!" ele gritou, avançando para o golpe final, quando, de repente, deu um passo errado.

Um vento. Uma mudança. Um tropeço.

Um erro que pode acontecer com qualquer um, mas que não deveria ocorrer nesse nível, ao invés disso, seus olhos se arregalaram em descrença e seu corpo se impulsionou de forma que não tinha total controle.

*CRAC—!!*

Ele tropeçou uma fração além do limite, seu torso exposto por tempo suficiente para o monstro retaliar, quando sua língua saiu e bateu em suas costelas com brutal precisão.

*Tombou!*

O impacto o fez girar pelo ar, seu corpo se chocar contra uma árvore antes de cair no chão, começando a gritar de dor.

"Cipher!" Raiden gritou.

Os olhos de Leo se estreitaram, mas suas lâminas não pararam.

Ele avançou implacavelmente, cortando com precisão, enquanto Bob vinha pelo trás para ajudar.

Juntos, os dois dominaram a fera.

E logo, com um golpe final, Leo cravou sua lâmina fundo no crânio da criatura e ativou [ Ataque Mortal ] para explodir seu cérebro.

*THUNK*

O camaleão desabou.

Morto.

Mais uma vez, a floresta ficou em silêncio, salvo pelos gritos guturais e retumbantes de Cipher, que segurava o torso com as duas mãos enquanto uma fumaça espessa saía do veneno ardente que escorria pelos trapos rasgados de suas roupas, queimando a carne logo abaixo.

"Droga… ele está sangrando bastante," murmurou Karl, correndo até ele ao final, agachando-se ao lado de Cipher e começando uma avaliação rápida. "Isso é grave."

Suas mãos se moveram rapidamente, arrancando pedaços de tecido, inspecionando a extensão do dano. O veneno tinha atravessado pele e músculo, deixando uma trincheira profunda e aberta ao longo do lado esquerdo do abdômen de Cipher.

"Se eu não conseguir tampar esse ferimento imediatamente…" Karl falou, com tom sombrio e deliberadamente alto o suficiente para os outros ouvirem. "Ele pode entrar em coma. Ou pior."

"O quê? O que—o que?" Cipher gaspou, com a voz alta e quebrada, entrando em pânico. Sua respiração acelerou, ficando mais difícil, enquanto tentava se levantar.

"Você… consegue consertar isso, né?! Né?!" ele perguntou, enquanto Karl lhe dava o sorriso mais cruel de perto.

"Claro que vou fazer o meu melhor…" ele disse, virando-se para os outros enquanto os incentivava a se afastar.

"Voltem! Deixem espaço pra ele respirar! Ele está hiperventilando!" Karl ordenou, usando sua força superior para segurar Cipher no lugar, parando sua agitência com força.

Conforme ordenado, o resto da equipe recuou relutantemente, formando um amplo semi-círculo ao redor dos dois enquanto Cipher gemia, tentando resistir ao aperto de Karl, com suor escorrendo de sua testa.

Karl se inclinou.

Seus dedos, firmes e controlados, buscaram dentro da bolsa — não por uma pomada curativa, mas por um pacote quase invisível de anticoagulante.

Ele misturou rápido numa pomada avermelhada, espalhou sobre uma gaze fina e começou a envolver o ferimento em camadas firmes e seguras.

Pela aparência de fora, parecia uma aplicação precisa e cuidadosa. Mas, sob a gaze, o anticoagulante já começava a sabotar lentamente a coagulação do sangue.

Com esse tamanho de ferida, se a perda de sangue não parasse imediatamente, Cipher estava condenado a morrer.

E, embora Karl pudesse salvá-lo se se esforçasse, optou por sabotar propositalmente sua cura, empurrando-o mais perto da morte por vingança.

Depois, forçou Cipher a engolir uma poção anestésica para aliviar a dor imediatamente, suficiente para atrasar suspeitas.

Antes de tirar uma poção de cura de nível médio, forçando algumas gotas na boca de Cipher, para tornar seus esforços mais convincentes.

Por fim, ao se levantar, seu rosto parecia o verdadeiro retrato de preocupação séria, como um curandeiro dedicado à perfeição.

"Fiz o que pude," Karl disse, enxugando o suor da testa e se levantando lentamente. "Contei com a melhor poção de cura que temos, mas a situação não está boa. O veneno da criatura… impede a coagulação do sangue, então, a menos que cortemos toda a área afetada, não há como fechar o ferimento."

"Então corte fora," Bob disse de forma direta, avançando. "Você está dizendo que ele vai morrer de qualquer jeito se não fizer isso. Melhor tentar."

"Eu poderia… mas não tenho certeza se ele sobrevive a isso.

O ferimento já está grande, se eu cortar mais, estarei ajudando a acelerar a morte dele com minhas próprias mãos—" argumentou Karl, enquanto Raiden balançava a cabeça, depressivo.

"Não. Então não faz isso. Ele ainda está consciente. Ainda está lutando. Vamos dar dez minutos. Se o sangramento parar por um milagre, vamos protegê-lo até que recupere o suficiente para se mover com a gente."

"Mas se ele entrar em coma…"

"Nos afastamos dele," terminou Leo, com a voz neutra. "Combinado."

A respiração de Cipher voltou a ficar irregular.

"O quê?! Você não pode me deixar aqui! Eu vou ficar bem, a não ser que o Karl não me trate direito. Karl! Seu covarde! Não confio em você! Seu pilantra! Você me tratou certo, né?"

Os olhos de Cipher se desviaram de rosto em rosto, de forma desesperada, mas ninguém moveu um músculo. Ninguém ofereceu algum consolo. Nem mesmo Raiden falou algo, com a mandíbula trancada e os braços cruzados.

E então — lentamente — a voz de Cipher começou a fraquejar.

Seus protestos ficaram ausentes, quase incoerentes.

Seus braços penderam.

E o sangue continuou se acumulando.

Seus dedos tremeram, depois pararam, e uma expressão vazia tomou conta de seu olhar, enquanto seu corpo se inclinava para trás, caindo de costas na terra com um som suave.

Até que parou de se mover por completo.

Raiden se abaixou, pressionando dois dedos no pescoço dele. Uma longa pausa se seguiu.

"Ele está vivo," disse finalmente. "Mas está entrando em choque por causa da perda excessiva de sangue. O coma está próximo."

Ninguém falou.

E ninguém discordou.

"Vamos nos mover em cinco minutos," anunciou Raiden com frieza, enquanto a equipe soltava um suspiro de derrota.

Karl olhou para o corpo imóvel diante dele.

'Não devia ter me empurrado, seu idiota de estudioso,' pensou, escondendo a satisfação que surgiu por trás de uma máscara de culpa.

Só cinco minutos se passaram, e era hora de seguir em frente, enquanto Raiden prestava suas últimas homenagens a Cipher.

"Sentirei saudades… velho amigo—" disse Raiden, de pé sobre o corpo inconsciente de Cipher, enquanto colocava uma de suas adagas no peito dele, antes de seguir em frente.

Era frustrante terem que abandoná-lo antes que estivesse completamente morto.

Mas salvar sua vida claramente era impossível.

Por isso, Raiden e o resto da equipe fizeram a escolha prática de continuar caminhando.

O grupo inicial de seis… agora reduzido a apenas quatro.

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