Assassino Atemporal

Capítulo 317

Assassino Atemporal

(Mundo Congelado no Tempo, Cônclave dos Anciãos, ponto de vista de Leo)

Após terminar o primeiro livro, Leo mergulhou mais fundo no segundo volume de história, o papel frágil estalando sob seus dedos enquanto cuidadosamente virava a próxima página.

Seus olhos percorriam cada linha com uma tensão crescente enquanto aprofundava-se na vida dos anciãos— no que eles haviam suportado, e no que haviam perdido.

E o que ele encontrou… foi uma tragédia.

Um relato assustador de como seu paraíso desmoronou.

Enquanto os capítulos anteriores falavam de uma era de ouro—uma época de abundância e ordem sob o olhar atento de seu deus— as últimas seções mudaram de tom, ficando mais sombrias, mais pessoais, à medida que o narrador descrevia como a loucura teve início.

Ele falava de uma metrópole extensa sustentada por pontes flutuantes, de um império poderoso que controlava a vasta floresta tropical além de suas muralhas, onde feras se curvavam ao comando de uma só voz, e a harmonia reinava sob o equilíbrio de mana e vontade divina.

Escreveu sobre Zharnok—seu deus—não como um governante no sentido tradicional, mas como a própria lei. Uma divindade silenciosa cuja respiração governava os ventos e cuja presença moldava as estações, as bênçãos, o destino deles.

Era, por cada palavra e medida, um paraíso.

Até que começou o Grande Escurecimento.

Primeiro, pensaram que fosse um eclipse.

Uma maldição passageira.

O sol ficou ofuscado durante cinco dias.

Seus cultivos murcharam de repente.

O céu parou de mudar.

E as estrelas, que antes eram visíveis através de altos observatórios—desapareceram completamente, substituídas por um céu cinzento sem fim.

Os sacerdotes chamaram de prova.

Os cientistas chamaram de fenômeno catastrófico.

Mas o povo?

Simplesmente chamaram de o começo do fim.

As sobrancelhas de Leo se franziram ao folhear as próximas páginas, enquanto o tom do narrador mudava, e frases formais davam lugar a rabiscos mais frenéticos.

Os símbolos deixaram de ser escritos em linhas retas, espalhando-se como pensamentos de última hora. Rabiscos nas margens. Páginas inteiras riscadas e reescritas.

O que veio a seguir foi ainda pior.

À medida que o sol desaparecia, a mana começava a se transformar.

Ela não desaparecia. Ela se distorcia.

Ela ficava… preta.

Grudenta, pesada, presa à pele como um pano molhado.

Primeiro vieram as dores de cabeça.

Depois, os sangramentos no nariz.

Então, a loucura.

As pessoas começaram a gritar nos sonhos.

Algumas arrancaram os próprios olhos.

Outras rasgaram o peito, tentando liberar algo que simplesmente não existia.

As crianças foram as primeiras a enlouquecer, depois os idosos, e, por último, os guerreiros, estudiosos e magos.

Cidades entraram em pânico. Impérios arderam por dentro. Sacerdotes suplicaram ao deus, mas não receberam resposta.

Porque não era só o sol que tinha desaparecido.

Porque Zharnok também desapareceu.

Porque Zharnok foi morto na batalha.

A última frase do pergaminho mal era legível—meio apagada, escrita com uma mão tão desesperada que rasgou partes do papiro.

> "Não foi o sol que morreu."

> "Foi Ele."

> "E quando Ele caiu, levou o céu junto."

Leo recostou-se lentamente, seus dedos deslizando do pergaminho, a respiração presa entre admiração e inquietação.

Então foi isso que o Grande Escurecimento realmente foi.

Não apenas a perda de luz.

Não apenas o colapso de um império.

Foi o momento em que o deus deste mundo foi morto—arrancado da existência.

Com sua morte, virou a peça central de tudo que deu errado neste mundo.

> "Enterraram o corpo de Zharnok no Castelo Bravo. No entanto, o sumo sacerdote enlouqueceu com o enterro."

> "Ele afirmou que, embora o corpo de Zharnok estivesse morto, sua alma ainda permanecia intacta, e que havia uma barreira neste mundo que impedia sua alma de escapar."

> "Zharnok foi morto por um guerreiro que desejava seus poderes."

Uma Fera de Origem não pode ser morta, mas absorver seu poder pode transformar um mortal em imortal."

> "A alma de Zharnok ainda paira neste mundo, esperando por um corpo adequado para tomar posse."

Mas sua alma desperdiça energia a cada ano que passa sem encontrar um hospedeiro adequado.

E é esse vazamento de divindade que está enlouquecendo o mundo.

Os sacerdotes me chamam de herege por apontar isso, mas a verdade é que a corrupção é mais intensa perto do Castelo Bravo."

Leo continuou lendo, seus olhos varrendo as linhas frenéticas inscritas com tinta trêmula, até que de repente a escrita parou abruptamente.

De forma irregular. Como se o escriba tivesse perdido a vontade de continuar… ou algo muito pior tivesse acontecido.

'O quê? O que isso significa?' Leo pensou consigo mesmo, seus dedos apertando a borda do pergaminho enquanto um peso frio se instalava no peito— porque, pela primeira vez, sentiu que tinha descoberto algo que não devia ver.

Pois, se ele entendia isso corretamente— então tudo o que o mundo exterior acreditava sobre mundos Congelados no Tempo estava errado.

Totalmente errado.

Não era que a mana neste mundo simplesmente envelheceu e ficou estagnada com o tempo, como a teoria do universo sugeria.

Mas algo muito mais sombrio.

Este mundo não se tornou corrupto por acidente—foi envenenado intencionalmente.

Era uma tumba.

Um ataúde.

Um lugar selado fora da realidade porque algo morreu aqui… algo tão poderoso que, mesmo em morte, sua presença distorcia as leis da natureza ao seu redor.

A mana estagnada?

A atmosfera contaminada?

O silêncio enlouquecedor e a sanidade em deterioração?

Não eram consequências naturais.

Eram sintomas.

Sintomas de uma podridão mais profunda.

Sintomas de uma alma divina que lentamente perde sua energia.

E, de repente, uma linha que Leo havia lido semanas atrás ecoou em sua mente:

"Nenhum deus pode entrar em um Mundo Congelado no Tempo."

Na época, pareceu superstição. Como um daqueles alertas antigos que os estudiosos citavam como brincadeira.

Mas agora?

Agora ele entendeu.

Porque esses não eram apenas restos abandonados perdidos no tempo.

Eram prisões.

Sítios de sepultamento selados do resto do universo—cada um guardando a alma de uma das Doze Feras Antigas, os seres divinos originais que um dia governaram a existência antes do atual panteão ascender ao poder.

Seus corpos já faz tempo que foram destruídos. Mortos. Erased da história.

Mas suas almas… suas vontades… ainda permanecem.

Presas.

Infectando.

Aguardando.

Aguardando por um corpo forte o suficiente para hospedá-las.

Cultivadores mais fracos, até mesmo Grandes Mestres, não tinham força para penetrar seus olhos ou ser afetados por sua morte.

A corrupção era sutil—apenas um ruído de fundo.

Mas quanto mais forte ficava o cultivador—quanto mais se aproximava da divindade—mais a pressão aumentava, mais a alma da fera morta se agitava, atraída pelo poder como uma mariposa pela chama.

E, se um verdadeiro deus pisasse aqui—

Eles não sairiam inteiros.

Se saíssem.

Por isso, nenhum Deus Verdadeiro entra neste lugar, pois eles têm medo real das consequências de fazer tal movimento.

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