Assassino Atemporal

Capítulo 318

Assassino Atemporal

(Mundo Congelado no Tempo, Conclave dos Anciãos, ponto de vista de Leo)

Depois de ler o segundo livro, Leo rapidamente passou ao terceiro e ao quarto, na esperança de encontrar respostas sobre o Grande Escurecer. Mas nenhum deles lhe revelou o que buscava.

Nesses livros, não se aprofundavam na morte de Zharnok, nem na guerra divina que levou à corrupção deste mundo. Em vez disso, focavam intensamente no que aconteceu imediatamente após — o colapso da sociedade, a fragmentação das crenças e a descida do povo a algo muito pior do que a morte.

O tom dessas obras era diferente do segundo. Eram muito menos poéticos, e não cheios de especulações, mas apenas de observações — como se os autores que as escreveram não se preocupassem com os mistérios dos deuses ou com a divindade que um dia veneraram, mas estivessem desesperadamente tentando documentar e sobreviver em um mundo que havia deixado de seguir regras antigas.

O primeiro diário que leu falava de cidades destruídas e cultos errantes. Comentava sobre sacerdotes que começaram a sacrificar seus próprios parentes em nome de restaurar a ordem divina, e sobre senhores da guerra que usaram a confusão para se auto coronar falsos profetas.

Relatava caçadas a bestas que deram terrivelmente errado, de como espécies domesticadas e obedientes começaram a atacar seus donos, como se a própria base da lealdade tivesse se desfeitado do mundo.

O próximo livro era pior. Uma coleção fragmentada de depoimentos, reunidos de pessoas que viveram os primeiros dias do Escurecer.

Cada relato ficava mais fora de controle do que o anterior, enquanto Leo lia histórias de rituais de sangue para trazer as estrelas de volta, de crianças sacrificadas pelas próprias mães e de famílias que se tornaram ferozes sob noites sem luar.

Um trecho em especial chamou sua atenção: um relatório de um estudioso anônimo, que escrevia com uma calma assustadora sobre um lugar conhecido como "A Cordilheira Profunda" ou, na tradução grosseira de Leo, "O Desfiladeiro que Canta".

A princípio, Leo não lhe deu valor. Até que leu a descrição.

Um cânion profundo e sinuoso que se estendia na beira de uma grande floresta tropical, cheio de veias de mana expostas e cristas de cristal.

Dizia-se que, ao meditar à beira desse cânion, era possível ouvir a ressonância do próprio mundo, como uma suave canção — algo que guiava guerreiros para clareza e iluminação.

Os antigos acreditavam que a canção do cânion era a voz de Zharnok mesmo, uma frequência tão pura que poderia lavar dúvidas, medos e dores.

Meditar ali era mais fácil. As descobertas aconteciam mais rápido. E aqueles que passavam longas horas ouvindo o cânion frequentemente voltavam mudados — mais calmos, sábios, completos.

O coração de Leo acelerou um pouco.

Pois quanto mais lia, mais convencido ficava de que esse cânion — essa Corda Profunda — era exatamente aquele em que tinha caído.

As paredes de cristal. A veia de mana exposta. E a suave canção que podia ouvir na superfície — tudo indicava que era o mesmo lugar.

No entanto, algo claramente havia mudado.

Assim como o mundo escureceu, as características da Corda Profunda também se alteraram.

Ela ficou mais torcida, sua harmonia despedaçada; a melodia que antes servia para a iluminação agora se transformou numa vibração dissonante que arranhava os ouvidos de quem permanecia lá por muito tempo.

A ressonância que antes acalmava, agora invadida a alma, como um sussurro que começava agradável, mas que se tornava mais afiado quanto mais se escutava.

Alguns a chamaram de "Luto de Deus".

Outros afirmaram que era o grito de morte do mundo, ainda ecoando pelos ossos ocos da terra.

Mas Leo via aquilo pelo que realmente era… A música da mana contaminada.

Leo colocou o livro lentamente sobre a mesa, a respiração presa na garganta.

De acordo com o último aviso do livro, a canção da mana contaminada havia transformado muitos dos melhores guerreiros do mundo em bestas irracionais — e, após o Castelo Bravo, ela era considerada o segundo lugar mais perigoso de todo o mundo, um lugar do qual ninguém deveria se aproximar sob hipótese alguma.

“Droga… Alguém devia ter me avisado antes…” — amaldiçoou Leo, percebendo que agora estava preso naquela mesma garganta que se tornara uma das zonas mais proibidas.

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No seu sexto livro, Leo finalmente descobriu o segredo de como aquele Conclave havia sido criado, e era uma história bastante interessante.

Ele não foi construído como um esconderijo ou abrigo de sobrevivência.

Este lugar foi uma das instalações de pesquisa mágica mais avançadas de todo o mundo antigo.

Segundo o livro, foi estabelecido no auge da prosperidade do império, e era um território neutro onde estudiosos, pesquisadores e sacerdotes de todas as tribos se reuniam para expandir os limites da ciência mágica e da teoria divina.

As mentes mais brilhantes da época trabalhavam lá, protegidas de agendas políticas, rivalidades de culto e segregação religiosa, com o único objetivo de entender o fluxo de mana, a influência da ressonância divina e a arquitetura da alma.

Os registros descreviam-no como uma torre de iluminação — um símbolo do conhecimento — com sete torres, cada uma dedicada a uma escola diferente de saber.

A sala de murais onde Leo agora se encontrava fazia parte dos Arquivos Centrais, um local onde as informações mais sensíveis eram copiadas, preservadas e guardadas por centenas de camadas de encantamentos.

Mas, quando o Escurecer começou… tudo mudou.

Com o mundo escurecendo e as cidades acima desmoronando, o Líder dos Magos do Conclave tomou uma decisão final.

Ele ordenou o isolamento total da instalação, selando as entradas, colapsando as escadas em espiral e instruindo seus aprendizes a sepultar o caminho com encantamentos, defesas mágicas e força bruta.

Não por medo do que havia lá fora.

Mas porque queria que o que estivesse lá dentro sobrevivesse.

De acordo com as últimas páginas do livro, o Conclave não foi feito para ser um abrigo — era uma arca. Um lugar onde a verdade pudesse dormir. Um local onde o conhecimento não se perderia junto com a carne.

O Líder dos Magos escreveu que sabia que seu povo citaria por causa do caos. Que a loucura no ar não poderia ser curada em curto prazo, mas ainda assim esperava que, quando alguém encontrasse uma cura essa loucura, e estivesse pronto para reconstruir a civilização, não precisassem recomeçar do zero, e pudessem aproveitar todo o conhecimento que o Conclave tinha a oferecer para dar um passo à frente.

> "Selarei o conclave na esperança de que um dos 12 descendentes das bestas de origem descubra algum dia a sala do mural e desvende os segredos para salvar este mundo, escondidos dentro do mural"

Aquela frase fez Leo hesitar.

Releu lentamente. Cuidadosamente.

"que um dos 12 descendentes das bestas de origem descubra a sala do mural e desvende os segredos para salvar este mundo"

Leo piscou, a luz da tocha tremendo contra seus olhos arregalados.

Ele voltou a olhar para o mural, para as doze bestas reunidas sob o sol, e seu olhar naturalmente se dirigiu novamente à décima segunda — a dragona carmesim com as asas dobradas e os olhos fechados.

Agora, ele se perguntava se havia mais naquela maldita pintura do que inicialmente tinha entendido.

Depois de tudo…

Isso realmente o deixava bastante ansioso ao fitá-la.

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