Assassino Atemporal

Capítulo 301

Assassino Atemporal

Leo nunca viu a traição de Karl vindo.

Seu talento como ator tinha sido perfeito demais e sua intenção de matar enterrada fundo demais, pois mesmo naqueles segundos finais, Leo nunca suspeitou que Karl estivesse atrás da própria vida dele.

'A seita manda seus cumprimentos…'

Foi isso que Karl havia dito ao soltar, e Leo não pôde deixar de rir ironicamente enquanto o vento cortava seus ouvidos e o mundo lá em cima começava a desaparecer.

Foi a Seita da Ascensão que o colocou neste inferno de mundo, e agora, era um membro da seita quem tinha concluído a tarefa, jogando-o do alto para a sua morte.

'Nunca confie em ninguém.'

'Você deveria ter aprendido isso da primeira vez.'

'Nunca confie em ninguém.'

Vozes do fundo de sua mente sussurraram repetidamente, enquanto Leo fechava os olhos e aceitava o que estava por vir.

'Mãe... irmão... perdoem-me.'

'Parece que não vou conseguir vê-los novamente. Parece que não vou conseguir libertá-los das correntes da seita. Parece que… no final, não fui tão bom quanto pensei que fosse… e por isso estou morrendo como um tolo.'

Uma pequena lágrima se formou no canto de seu olho, brilhando suavemente enquanto flutuava para cima, seguindo rumo ao crepúsculo pálido, enquanto o abismo negro abaixo se estendia eternamente para recebê-lo.

Cai por um tempo que pareceu uma eternidade.

Dois minutos ininterruptos, pelo menos, até que de repente atingiu a superfície de um rio antigo, como—

*SALTO*

Um enorme mergulho emergiu na água.

O impacto foi violento, impiedoso, como se o próprio rio tivesse aberto a boca e triturado cada osso de seu corpo, pois embora a água tivesse quebrado sua queda, também quebrou alguns ossos junto com ela.

Seu dorso arqueou com a força do impacto, suas costelas estalaram, uma perna torceu-se de forma anormal e seus braços ficaram flácidos, completamente inúteis.

Sua consciência escureceu instantaneamente, e ainda assim, ele não desmaiou, pois seu corpo resistente garantiu que sentisse cada segundo disso.

Cada segundo da dor intensa que o fazia desejar estar morto no momento do impacto.

'Por que ainda estou vivo?' pensou, enquanto afundava mais e mais.

Seus pensamentos— antes rápidos e aguçados— agora flutuavam lentamente, como folhas sobre água parada, enquanto por um momento, aceitou seu destino.

'Então é isso… huh?'

'O grande Chefe… morrendo no fundo de algum rio amaldito onde ninguém jamais o achará?'

'É assim que acaba minha jornada?'

Era um pensamento amargo.

Não vinha da lógica ou clareza, mas da dor exaustiva que o engolia por completo, enquanto seus pulmões imploravam por ar e seus membros gritavam para se mover.

Porém, apesar de seus instintos de sobrevivência gritarem para que se mexesse! Para que nadava-se! Para que salvasse sua própria vida!

Leo simplesmente não conseguiu…

A dor havia tomado tudo, inclusive sua coragem de lutar.

Ele apenas olhava para cima através do escuro turvo, observando a superfície ondular lá em cima, a luz fraca se curvando e se quebrando enquanto ele continuava a afundar.

E por um instante—

Ele realmente considerou isso….

Se deveria simplesmente soltar?

Deixar a água levá-lo.

Permitir que a dor no peito se transforme em silêncio.

Que os pensamentos em sua cabeça fiquem em paz.

Pois ele realmente achava que não seria tão ruim assim.

Soltar significaria paz para sempre—

Sem mais luta.

Sem mais traições.

Sem mais correr.

Sem mais dor.

Apenas paz.

O tipo de paz que não conhecia há anos.

O tipo que não tinha provado desde que a Seita destruíra sua família.

Desde o dia em que se tornou alguém diferente pela primeira vez.

Seus olhos se suavizaram.

Seu coração desacelerou.

'Mãe... irmão... desculpem-me.'

Sentiu seu corpo relaxar.

Percebeu os contornos de si mesmo se fundindo ao frio.

Sintiu a doce atração do nada convidando-o a se aprofundar mais.

E ainda—

Dentro dele, algo despertou.

Não foi um grito.

Nem um berro.

Apenas um sussurro.

'Ainda não.'

Havia silêncio.

Mas era dele.

'Você ainda tem coisas a fazer.'

Seus dedos tremeram.

'Você ainda não salvou eles.'

Seu peito se apertou.

'Você ainda não se tornou a melhor versão de si mesmo.'

E naquele momento, enquanto as últimas bolhas de ar escapavam de seus lábios e subiam—

Leo decidiu.

Ele iria viver.

Não importando o quão destruído estivesse.

Não importando a quantidade de pessoas que queriam sua morte.

Não importando o quão escuro se tornasse o abismo.

Ele iria viver.

Não porque quisésse,

Mas porque precisava.

[Indiferença do Monarca] entrou em ação como gelo em suas veias.

O pânico desapareceu.

A vontade de apelar e lutar diminuiu, pois percebeu que lutar e debater só iria levá-lo para baixo, ao invés de para cima.

Ao invés disso, permaneceu parado.

Não exausto.

Não rendido.

Mas esperando.

Gradualmente, quase imperceptivelmente, seu corpo quebrado começou a flutuar para cima, polegadas a princípio, depois pés, até chegar lentamente à superfície.

'Tenho que aguentar… Não posso morrer ainda… Não posso morrer aqui!' pensou consigo mesmo, enquanto sua respiração doía.

Nos últimos segundos dolorosos, quando ainda se aproximava da superfície, ele sentiu a dor no seu máximo.

Seus pulmões queimavam.

Sua mente também queimava.

Tudo doía.

Mas ele não parou.

E então—

*Irritação da respiração*

Ele saiu à tona.

O ar cortou seu garganta como uma lâmina, fazendo-o tossir e cuspir, puxando ar após ar, cada um mais difícil que o anterior.

No entanto, ele não comemorou… Ainda não.

Sabia que chegar à superfície era só metade da batalha, enquanto a verdadeira luta era chegar até a margem.

"Sobreviva! Confie em ninguém!"

"Sobreviva!"

"Confie em… n… ninguém!"

Murmurou como um mantra, enquanto passa após passa, enfrentando a dor inacreditável e, de alguma forma, movendo seus membros para seguir com a corrente até a praia.

A cada centímetro conquistado, a dor que explodia em suas juntas piorava ainda mais, mas ele não desistiu.

Decidido a querer viver, continuou se movendo, tentando chegar à margem. Apesar de chegar a um ponto em que seu cérebro estava tão entorpecido que mal sentia seu corpo, ele persistia.

'Vamos lá. Só mais um pouco. Chega até o limite. Só… se mexe.'

Ele não via exatamente para onde ia.

Não se importava.

Continuou se movendo com obstinação, até que sentiu uma pedra riscar suas pontas dos dedos.

Arrancou-se à frente, ignorando o sangue, a dor e o cansaço.

E finalmente, seu corpo caiu na margem escura, metade na água, metade na terra, enquanto sua força se esgotava.

*Tomb*

Ele caiu.

De lado.

Mãos no chão, na sujeira.

Olhos quase fechados.

Mas vivo.

E por agora, isso era o suficiente, enquanto lentamente perdia a consciência, a dor e a fadiga finalmente puxando-o para um sono profundo.

Ele não sabia onde estava, nem se era seguro descansar ali onde dormia, mas não tinha escolha: seu habilidade passiva [Regeneração Rápida] ativou-se para salvá-lo.

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