Assassino Atemporal

Capítulo 302

Assassino Atemporal

(Mundo congelado no tempo, Ilha flutuante, 14 minutos após a queda de Leo)

Karl sentou-se em silêncio próximo à beirada da plataforma, com a respiração superficial, as mãos ainda levemente tremendo — não de culpa nem de dor, mas por memorizar exatamente como parecer destruído.

O tremor em seus dedos era sutil, ensaiado; a umidade em seus olhos, intencional.

Agora, tudo o que ele precisava era parecer devastado.

"Tudo o que eu tinha que fazer era segurar a mão dele..." disse baixinho, a voz carregando dor suficiente para parecer crua. "Os dedos dele estavam bem ali. Eu tentei... ele simplesmente não pulou longe o suficiente."

Raiden virou-se abruptamente, passando a palma pelo rosto enquanto chutava um pedaço de pedra solto sobre a borda, assistindo-o cair no abismo.

"Porra," murmurou Raiden baixinho, ficando mais alto a cada palavra. "Acabamos de perder o Leo. Assim, ó. Primeiro o Cipher, agora ele? Que diabo de mundo é esse?"

Bob não falou nada.

Ele apenas ficou de pé, punhos fechados com força, as knuckles pálidas, o queixo rangeando em silêncio enquanto olhava para o ponto de onde Leo pulou.

O lugar onde o vento ainda não tinha parado de uivar.

Karl manteve o olhar para baixo.

Com os ombros curvados, os dedos tremendo levemente, o suficiente para revelar a dor que não estava verbalizando.

"Eu tentei," falou de novo, mais suave agora, quase um sussurro. "Juro que tentei. Tocamos. Juro que tocamos... mas eu simplesmente... não consegui segurar."

Raiden virou-se de volta para ele, a voz agora mais afiada, carregada de descrença e raiva crescente.

"Não conseguiu segurar? É só isso que você tem? Estávamos bem ali, Karl! Você tinha uma missão! Uma única missão, porra!"

Karl olhou para cima lentamente e encontrou seus olhos.

Não havia desafio ali.

Apenas uma dor fingida.

"...Você acha que eu não sei disso?" disse, com uma expressão de sofrimento, enquanto Bob finalmente se levantava.

Ele estalou os dedos um a um enquanto se aproximava, parando a poucos passos de Karl, apontando um dedo grosso para o seu peito.

"Você melhor não estar brincando de vítima aqui. Você deixou ele cair. Não me importa se foi um timing ruim ou se sua mão escorregou, o fato é que você deixou ele cair."

Karl não respondeu.

Ele apenas assentiu lentamente, como um condenado, mordendo o lábio inferior com força suficiente para machucar a pele, lembrando-se do sangue metálico que escorria dele mesmo, para manter a postura, o personagem.

O silêncio voltou.

Pesado e amargo.

Mas, bem ali, no fundo da mente de Karl, algo mais escuro fervia discretamente.

Uma pequena centelha de satisfação.

Um suspiro de alívio.

Porque, apesar da reação furiosa de Raiden e Bob, os dois pareciam acreditar nele.

Pareciam crer que ele realmente tentou salvar Leo, mas não conseguiu chegar lá.

Que ele também estava profundamente consternado com a morte de Leo, assim como eles.

O que, na verdade, não era verdade nenhuma.

À medida que o vento aumentava novamente e a ilha sob eles começava a balançar lentamente, Karl desviou o olhar dos dois e fixou os olhos no horizonte que se desviava, à deriva.

Não para traçar o caminho à frente para a equipe.

Mas para si mesmo.

Porque agora, já que Leo, o mais forte entre eles, se foi...

… acabar com os outros dois também seria simples.

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(Enquanto isso, no mundo real, Planeta Tithia)

O Primeiro Ancião retornou a Tithia logo após sua reunião com Soron, pois precisava se preparar para a próxima reunião de emergência com os anciãos, que ele mesmo convocara.

Assim que pisou na plataforma de aterrissagem de pedra, já estava emitindo ordens e lendo relatórios, pois não havia tempo a perder.

"Deixe os Doze Assentos polidos e realinhados. A Chama Divina deve ser acesa pontualmente ao meio-dia. E chame os escribas de registros. Quero eles presentes na reunião de amanhã, anotando tudo o que for dito."

Seus subordinados agiram rapidamente, assentindo antes de desaparecer pelas várias arcas do complexo, enquanto se apressavam para cumprir suas instruções.

Mavern continuou caminhando.

Seus pensamentos internos — afiados e resolutos, sabendo exatamente o que queria conquistar na reunião de anciãos de amanhã.

'Preciso que os outros anciãos comecem a se preparar para a guerra. Preciso que reconheçam a ameaça que enfrentamos e comece a fazer preparativos antes que o inimigo ataque primeiro. E, a partir de amanhã, preciso começar a mobilizar apoio em torno de Leo Skyshard também.'

'Embora o garoto não seja minha primeira escolha para se tornar o próximo Dragão, não tenho mais o luxo de preferências, e agora preciso jogar o jogo político — conquistar votos e angariar aliados antes que o Quarto Ancião ganhe mais espaço no Conselho e empurre seu próprio candidato ainda mais adiante.' cogitou Mavern, enquanto cerrava os dentes e exalava lentamente.

Ele ainda não tinha paz com o fato de que seu trabalho de toda a vida estava sendo desfeito e despedaçado pela purga que a Aliança Justa estava realizando atualmente.

Porém, após conversar com Soron, aceitara que não podia mais se dar ao luxo de ficar preso na espiral de desespero impotente.

Ele ainda era o Primeiro Ancião.

O líder do Conselho de Anciãos.

E isso significava que precisava agir com a determinação de sempre, com os olhos fixos no futuro.

Não podia deixar o luto substituir a responsabilidade. Não podia abandonar seus deveres só porque a maré virou contra ele.

Porque sua posição como primeiro ancião exigia dar tudo de si e liderar a seita rumo a um futuro mais brilhante, independentemente da crise que estivesse enfrentando.

'Não fui firme o suficiente quando você apresentou a proposta de atacar a Arena Sky-God.'

Porém, não vou mais permitir que você tenha liberdade total no conselho.

Fazem décadas que não participo ativamente da política dos anciãos, mas farei dela minha missão de vida desmantelar o bloqueio que você criou.

Pois, independentemente do que acontecer, eu nunca deixarei você transformar Veyr no próximo Dragão—

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