Assassino Atemporal

Capítulo 300

Assassino Atemporal

A próxima plataforma em que o time pousou mudou drasticamente sua velocidade de descida e subida após o impacto, pois ao contrário da anterior, ela não bamboleou nem um pouco, mas seu ritmo era completamente diferente.

A queda foi abrupta, quase repentina, enquanto a subida seguinte era dolorosamente lenta e irregular, como se a plataforma não se importasse mais em seguir qualquer ritmo.

Não havia mais um padrão previsível em seus movimentos, o que tornava muito difícil prever o momento exato do próximo pulo, já que agora o time tinha que confiar apenas na intuição.

"Bem, isso muda completamente a dinâmica," disse Karl ao estabilizar seu pé perto do centro. "Se a gente não consegue prever com segurança como cada ilha reage depois que a pousamos, então traçar um caminho limpo para frente vai ser quase impossível."

Todos concordaram em silêncio, os olhos já voltados para a próxima plataforma, percebendo que, a partir daquele momento, cada salto seria uma jogada de azar.

Esperaram cerca de vinte minutos para fazer o terceiro pulo.

Então, quando a próxima ilha finalmente entrou no alcance e sua superfície se alinhou por um breve momento, eles saltaram—

*Toc*

Os quatro atravessaram com facilidade a fenda de quatro metros, aterrissando um após o outro com impactos suaves e controlados.

Essa nova plataforma era maior que todas as anteriores.

Não só era ampla e estável, mas também perfeitamente plana e de movimento lento, pois era a primeira plataforma em que pisaram que não alterou sua trajetória após o pouso.

"Acho que ficaremos aqui um tempo," disse Raiden, observando a plataforma à frente, que se movia em arcos longos e preguiçosos, bastante fora de alcance por um bom tempo.

"Sim... meia hora, talvez uma hora e meia," acrescentou Leo após calcular as rotações, antes de se deitar de costas e se espalmar no piso frio da pedra.

Sem discordar, os outros também se acomodaram e aproveitaram para descansar, enquanto Karl silenciosamente destravava seu equipamento e puxava uma placa de aquecimento portátil, posicionando-a próximo ao centro da plataforma, onde o vento era mais fraco.

Ele começou a preparar uma refeição de verdade.

O aroma que veio depois foi surpreendentemente agradável—quente e terroso, com um leve toque de ervas—e, após dias mastigando blocos densos de nutrientes e engolindo frascos de energia sem sabor, parecia um verdadeiro luxo.

Todos se acomodaram, não em círculo, mas dispersos pela plataforma—cada um de um lado, com os olhos ocasionalmente varrendo os ilhéus que flutuavam no alto, pois mesmo em descanso, nenhum deles largava completamente a guarda.

Leo sentou-se perto da borda, com os braços descansando frouxamente sobre os joelhos, enquanto o crepúsculo eterno tingia seu rosto em tons de cinza e cinza-ardósia. Ele não falou. Apenas olhou para o céu em silêncio, seus pensamentos finalmente quietos.

A música do desfiladeiro flutuava suavemente no ar, agora mais silenciosa—não mais algo para ouvir, mas algo simplesmente presente, como uma segunda camada de ar envolvendo o vento.

Quando Karl lhe entregou uma tigela de metal quente, Leo assentiu uma só vez em agradecimento e aceitou. Seus dedos se fecharam ao redor do metal sem resistência, e ele começou a comer lentamente, mastigando com cuidado, não só por energia, mas pela ilusão de paz.

Por um momento, quase parecia que ele havia retornado ao mundo normal.

De volta onde o jantar não era seguido por uma dúzia de encontros perto da morte.

O tempo passou lentamente.

Nada se moveu.

Pela primeira vez em dias, não havia inimigos na caçada. Nenhum terreno amaldiçoado sob seus pés. Nenhuma sensação iminente de colapso pressionando cada respiração.

Somente pedra. Vento. Céu. E silêncio.

Eventualmente, Leo se permitiu esticar completamente, com as pernas esticadas, as mãos descansando sob a cabeça, o olhar sem foco enquanto a luz lá em cima escurecia um pouco.

Ele não planejava dormir.

Dizia a si mesmo que só descansaria os olhos. Só até suas omoplatas pararem de doer. Só até o peso atrás da cabeça desaparecer.

Mas o cansaço já tinha decidido por ele.

Sua respiração desacelerou.

Suas mãos relaxaram.

E sob o suave e eterno zumbido que vinha do fundo do desfiladeiro…

Leo adormeceu.


(45 minutos depois)

"Skyshard, acorde," a voz de Raiden soou forte em seus ouvidos, precisa e firme, enquanto os olhos de Leo se abriram de repente e seu corpo respondeu instantaneamente.

Ele levantou-se e ficou alerta num pulo, a névoa de descanso se dissipando após anos de condicionamento, enquanto se erguidava e caminhava em direção ao penhasco sem dizer uma palavra.

"Tá na hora de fazer o próximo pulo," disse Raiden, já observando a plataforma à frente, enquanto Leo se juntava a ele e começava a estudar os padrões de movimento— contando a subida, acompanhando a descida e medindo a distância, até que finalmente assentiu em confirmação assim que o tempo se alinhou.

"Eu vou primeiro—" declarou Leo, antes de se lançar ao partir do arco no instante em que os movimentos se alinearam, fazendo o pulo com facilidade.

Raiden o seguiu logo em seguida, seu salto um pouco menor, mas ainda controlado, aterrissando perto de Leo e mexendo os ombros de hábito.

Bob e Karl vieram na sequência, cada um atravessando a fenda sem problemas, enquanto a quarta plataforma mal se mexia sob seu peso combinado.

"Uhuul, mais um pulo tranquilo!" comemorou Karl ao chegar, mas só então a equipe percebeu que a plataforma em que estavam parou totalmente de se mover.

No começo foi imperceptível, mas ela desacelerou ainda mais até parar completamente.

Ao parar, todos puderam ver que sua posição permaneceu fixa em relação ao ambiente, e foi nesse momento que perceberam que estavam em uma situação de perigo.

A próxima ilha à frente estava visivelmente mais alta, com pelo menos 30 metros de altura mesmo na sua menor elevação.

Embora a distância do pulo não fosse grande, a elevação tornava quase impossível alcançá-la com um salto comum, por mais bem sincronizado que fosse.

"Porra... não esperei por isso—" disse Karl, a emoção rapidamente dando lugar à decepção.

Leo olhou para a lacuna, depois para a borda sob seus pés, calculando o melhor caminho à frente.

"Acho que dá pra chegar com um impulso. Se um de nós ficar para trás e der um empurrão físico, podemos atravessar."

"E assim que três passarem, dois podem pendurar o Karl pelos pés na borda, usando ele como gancho humano, enquanto o último faz a corrida e pula—" propôs Leo, após pensar por um momento, ambos Bob e Raiden concordando com a cabeça.

"Beleza, mas quem fica pra trás? Eu sou pesado, então acho que vou primeiro—" disse Bob, enquanto Leo assentia e se offered a ser o último.

"Vou ser o último… vamos lá, estou pronto pra te impulsionar," disse Leo, juntando as mãos e se inclinando levemente para frente, enquanto Bob assentia firme e se preparava para a corrida.

Com uma corrida rápida e um pulo bem timing, Bob colocou o calcanhar na mão de Leo, que o impulsionou para cima com perfeição, enviando-o limpo do outro lado, onde escorregou um pouco ao aterrissar e logo encontrou seu equilíbrio.

Raiden veio logo depois.

Sem trocar uma palavra, apenas acenou para Leo e saiu correndo, atingindo o ponto de impulso com precisão, enquanto Leo empurrou para cima mais uma vez, levando Raiden numa trajetória limpa que terminou com seu aterrissagem certa ao lado de Bob.

Karl foi o último.

Ele espanou as mãos, deu um sorriso rápido a Leo e deu alguns passos para trás, antes de correr e lançar-se com firmeza na impulsão, usando o movimento bem ensaiado.

Sua aterrissagem foi graciosa, quase teatral, parando suavemente perto dos demais, virando-se de volta na mesma velocidade.

Leo respirou fundo uma vez, relaxando as mãos e recuando para se preparar para o seu próprio pulo.

Nada de novo.

Só mais um salto final.

Deu alguns passos lentos para trás, avaliando a distância, esperando a descida da plataforma se estabilizar para o próximo impulso.

Enquanto isso, Raiden e Bob seguraram Karl pelos tornozelos, abaixando-o lentamente até que seus braços pendurassem na borda, com os dedos estendidos na esperança de pegar a mão de Leo.

Quando tudo estava preparado, Leo partiu em disparada.

O vento do desfiladeiro rugiu novamente em seus ouvidos enquanto ele se lançava ao ar, cada músculo focado em um único ponto— a mão estendida de Karl ao além da borda.

*Whoosh*

Ele fez o pulo exatamente na medida, saltando incríveis 25 metros com força pura, esticando o corpo ao máximo, braços estendendo até o limite enquanto sua velocidade o levava através da fenda.

Viu os olhos de Karl.

Sentiu a calma no rosto dele enquanto esperava para agarrar a mão estendida.

Porém, logo após saltar, percebeu que aquela expressão tranquila mudou rapidamente, o rosto se contorcendo numa smile maligna.

'Huh?' pensou Leo, enquanto, justamente na hora de pegar a mão de Karl, ele a puxou de volta, levando-a para fora do alcance, seus dedos tocando na borda.

Não foi um relance.

Não foi um desvio.

Foi intencional.

Os dedos de Karl retraíram-se com sincronismo perfeito, enquanto o sorriso se ampliava levemente e seus lábios se moviam em silêncio.

"A seita manda lembranças."

As palavras não foram pronunciadas, mas sim moutadas com intenção—algo tão sutil que Raiden e Bob nunca ouviriam, mas Leo perceberia ao ver os lábios se moverem, e pensaria nisso nos seus últimos momentos.

'Que porra?'

Leo se perguntou, os olhos arregalados de incredulidade enquanto se torcia no ar, seus dedos raspando no vazio enquanto sua queda se intensificava.

Não havia tempo para reagir.

Nem penhasco para segurar.

Nem mão para puxar de volta.

Apenas a sensação de seu estômago se colapsando, enquanto a gravidade tomava conta e ele despencava.

'Vou morrer aqui?' pensou Leo, sem um grito sair de sua boca enquanto o mundo ao seu redor desacelerava.

O vento rugia forte ao seu redor, mais forte do que nunca, e a luz do crepúsculo lá em cima começava a desaparecer, encolhendo-se a cada segundo, enquanto o abismo negro abaixo se abria para engoli-lo de uma vez.

E naquele momento infinito—

Quando a traição se apertava mais forte do que o vento jamais poderia—

Leo finalmente percebeu quem era o verdadeiro problema naquele grupo.

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