Assassino Atemporal

Capítulo 299

Assassino Atemporal

(Mundo em pausa no tempo, Margem do Desfiladeiro, Dia 14, Final da Tarde)

Quando a equipe finalmente chegou à beira do desfiladeiro, pararam sem que Raiden precisasse dar a ordem, pois a vista diante deles parecia algo esculpido no fim do mundo.

O desfiladeiro se estendia tão longe que o lado oposto mal era visível, e tão profundo que apenas uma escuridão absoluta olhava de volta de baixo, engolindo tudo à vista como um vazio que nunca conheceu luz.

Não havia pássaros, nem árvores, nem folhas farfalhando ao vento.

Somente vento.

Vento constante, forte, uivando do abismo sem descanso, varrendo o penhasco como um aviso que se recusa a desaparecer.

Não era forte o suficiente para derrubá-los, mas era alto o bastante para silenciar palavras, carregando o cheiro de pedra antiga e o leve sabor metálico de algo há muito deteriorado.

Permaneceram ali por um momento, olhos fixos nas formações ao longe, enquanto o vento uivava ao redor deles sem parar.

Então, sob o uivo, algo mais começou a surgir.

Um som.

Fraco no começo, quase como um sussurro preso entre as rochas, mas inconfundível, ficando mais claro a cada segundo que passava.

Começou como um zumbido baixo, mas lentamente se transformou em algo maior— uma melodia distante vindo do abismo, como se mil instrumentos esquecidos tocassem lá embaixo, mesclando-se em uma melodia que não seguia ritmo algum, mas que se recusava a parar.

A música não tinha padrão, batida, fonte visível, mas também não era desagradável.

Ela simplesmente permanecia, flutuando pelo ar como se sempre tivesse ali, tocando para ninguém em particular, como se o próprio desfiladeiro estivesse se lembrando de algo.

Ninguém falou.

Permaneceram em silêncio na borda, olhos examinando o céu à frente, onde plataformas flutuantes se movimentavam lentamente pelo ar aberto.

Cada plataforma moveu-se no seu próprio ritmo, subindo e descendo, girando levemente ou deslizando adiante sem causa aparente.

Naquele momento, sete plataformas pairavam ao alcance, cada uma diferente em tamanho e altitude.

A primeira era pequena e próxima, mas mal grande o suficiente para pisar. A segunda era mais larga, mas se moveu de forma errática, com mudanças abruptas.

A terceira parecia sólida— ampla, uniforme e suave em seu movimento, enquanto a quarta tinha rachaduras nas bordas e estava inclinada perigosamente para um lado.

A quinta tinha um ângulo muito acentuado para pousar com segurança, enquanto a sexta e a sétima giravam em círculos sobrepostos, dificultando o momento certo.

A equipe analisou todas elas em silêncio.

Não avaliavam apenas qual plataforma saltariam primeiro, mas também qual oferecia o melhor caminho à frente, pois se a segunda tentativa parecia impossível, não adiantava escolher o primeiro passo.

E, após uma breve deliberação, chegaram todos à mesma conclusão.

A terceira plataforma, da esquerda, era a melhor saída.

Ela era larga e estável, e se movia mais lentamente que as demais, além de oferecer uma conexão limpa com mais três ilhas além dela, espaçadas de forma uniforme, com pouco deslocamento vertical.

“Aquela ali”, disse Leo finalmente, apontando para ela, enquanto Raiden assentia sem a palavra, e os demais ajustam suas posições e seguram com mais firmeza.

Começaram a calcular o ritmo.

Por quanto tempo a plataforma permaneceria no ar.

Quão pouco ela desceria e quão rápido subiria novamente.

Qual seria a distância do salto.

Quanto tempo precisariam esperar se errassem.

Uma a uma, elas derrotaram o medo e se prepararam para avançar.

E quando o vento voltou a se intensificar, a equipe se preparou para saltar, conscientes de que, assim que deixassem o chão sólido, entrariam em um ciclo constante de saltos perigosos até alcançar o outro lado.

*Pulo*

Raiden liderou sem hesitar.

Avançou e saltou do limite, passando limpo pelo vento antes de seus botas baterem com força na terceira plataforma.

—inclinação—

A plataforma cedeu um pouco sob ele, não muito, mas suficiente para inclinar-se para frente e balançar suavemente para o lado, como se oscilasse como um pêndulo.

Raiden abaixou sua postura instintivamente e permaneceu perto do centro, ajustando seu peso enquanto a plataforma oscuilava por alguns segundos até estabilizar lentamente.

Os demais observaram atentamente.

Bob estreitou os olhos, ajustou a corrida e mirou direto ao centro, atento ao movimento do impacto de Raiden na pedra.

*Tunc*

Seus botas aterrissaram um pouco fora do centro, mas o suficiente para evitar que a plataforma oscilasse demais, mesmo ela ainda se movimentando, não tanto quanto antes.

Karl foi o próximo. Não se apressou.

Esperou a plataforma subir novamente ao seu pico de quinze segundos no ar, então pulou com precisão, buscando o meio.

*Passo*

O pouso dele foi mais limpo que o de Bob, e desta vez, a plataforma quase não inclinou. Apenas uma leve descida, e logo ficou parada.

Leo foi o último.

Ele observou tudo, o arco do salto, o ângulo, as reações, e só pulou quando o pico de suspensão foi totalmente recuperado.

*Aterrissagem*

Ele pousou firme e equilibrado, quase sem fazer barulho, agachado com as mãos prontas, preparado para qualquer movimento inesperado.

No entanto, a plataforma apenas balançou suavemente sob seus pés antes de se estabilizar, parecendo capaz de suportar seus pesos tranquilamente.

O vento ainda gritava ao redor, puxando suas roupas e mordendo sua pele exposta, enquanto a estranha música lá embaixo continuava a vibrar ao fundo.

Ninguém falou.

Permaneceram na plataforma por cinco minutos, tempo suficiente para entrar na melhor janela para o próximo pulo, pois quando chegou a hora, saltaram de novo sem precisar da ordem de Raiden.

*Aterrissagem*

Mais uma vez, todos aterrissaram sem muita dificuldade, porém, desta vez, a plataforma na qual pousaram mudou de velocidade na subida e na descida, acelerando na descida e desacelerando na subida ao final do salto, como se uma variável nova tivesse sido adicionada ao desafio.

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