
Capítulo 291
Assassino Atemporal
(Mundo Congelado no Tempo, 143 quilômetros da Entrada da Floresta, dia 12)
Nos cinco dias seguintes, o grupo teve que lutar para atravessar a floresta praticamente sem tempo para respirar, pois não existiam mais trechos tranquilos, nem caminhadas pacíficas entre as batalhas, e certamente nenhuma misericórdia das criaturas que os perseguiam sem parar.
A cada poucas horas, algum novo horror surgia de um galho ou se arrastava de baixo da terra, obrigando a equipe a levantar suas armas e se preparar para mais um encontro sangrento.
Os ataques não cessavam. Cada luta se confundia com a próxima, e embora a maioria dos inimigos não fosse extremamente forte, a frequência incessante começava a desgastar o grupo.
Quanto mais complexa a batalha, mais difícil se tornava confiar nas pedras de mana. Segurar uma na mão enquanto desviava de dentes e garras nem sempre era possível, e nesses momentos, a única escolha era ciclar a mana contaminada deste mundo, uma decisão que tinha um preço.
Cada conexão com esse reino corrompido corroía aos poucos as bordas da mente deles, até que os sinais de loucura começassem a mostrar-se.
"Droga! Eu fiz de novo! Absorvi mais dessa mana maldita!" — amaldiçoou Raiden, socando uma árvore com tanta força que o sangue escorreu de seus nós dos dedos.
Ele continuou, mesmo após a casca da árvore se quebrar. Mesmo após a dor. Como se a dor o ancorasse. Como se punir a si mesmo fosse capaz de desfazer o estrago.
Perto dali, Cipher agachou-se em silêncio, puxando os cílios um a um, com os olhos fixos na terra, com um olhar vazio e sem foco.
Começou dois dias atrás, de repente, quando ele passou a puxar os cílios sem nenhuma razão aparente.
Porém, agora, em apenas dois dias, a maior parte dos cílios dele havia sumido, e seus dedos ainda tremiam na direção das pálpebras, como se o movimento tivesse se tornado involuntário.
Ninguém comentou nada.
Mas todos perceberam.
O sono tornou-se superficial e cheio de convulsões involuntárias. As refeições eram feitas em silêncio, mastigando sem prazer. As palavras ficaram menos frequentes. Os olhares, mais frios. E lentamente, as rachaduras começaram a aparecer.
Karl ria intensamente de coisas que não tinham graça. As mãos de Cipher ficavam um pouco demais próximas às armas, mesmo quando não havia ameaça. As ordens de Raiden se tornaram cortantes, secas, com menos paciência do que de costume, como se ele também estivesse sucumbindo ao peso da pressão constante.
Até Bob, que sempre fora a rocha silenciosa do grupo, começou a dormir mais distante dos outros e a falar em frases mais curtas do que de costume, suas respostas ficando mais abruptas a cada dia.
E Leo, que observava tudo por trás de uma máscara de calma, percebeu o que ninguém mais queria admitir.
O grupo começava a ruir.
Estavam a apenas um ou dois dias de sair da floresta, mas o clima entre eles nunca pareceu tão frágil.
Algo estava podre.
E Leo podia sentir isso pelo jeito que os olhos de Cipher tremiam quando alguém se movia rápido demais, pelo tempo que Karl demorava a passar ao entregar a comida, como se as coisas estivessem prestes a explodir.
'Se ao menos eu conseguisse descobrir quem, neste grupo, está atraindo os monstros, poderia silenciar essa pessoa e continuar a jornada com os demais.
Normalmente, eu simplesmente abandonaria o grupo inteiro e seguiria sozinho. Mas nem eu sou tolo o suficiente para estar sozinho neste mundo.
Existe força na união, e ter um grupo é definitivamente útil, desde que os membros estejam bem —' pensou Leo, tentando decifrar quem exatamente seria o responsável por atrair os monstros entre eles.
Ele tinha certeza de que não podia ser ele nem Bob, pois, enquanto viajava sozinho, tudo era bem mais fácil, o que indicava que o responsável tinha que ser um de Raiden, Karl ou Cipher.
Karl era sem dúvida o mais fraco, e se tivesse cometido um crime tão evidente quanto o de Patrícia— como causar um incêndio e provocar a ira da floresta— o padrão se repetiria: cada monstro o atacando e somente ele.
Mas isso não estava acontecendo.
Exatamente por isso, Leo o descartou.
Na cabeça dele, tinha certeza de que era ou Raiden ou Cipher quem causava os problemas, mas descobrir qual deles era quase impossível.
Os monstros que apareciam atacavam todos com indiferença, o que fez Leo começar a pensar na possibilidade de eliminar os dois assim que saíssem da floresta.
Naquela noite, enquanto estavam sentados em silêncio sob um denso dossel, cada um abaixado perto de sua refeição, a tensão que vinha se acumulando há dias finalmente começou a escapar.
Por alguns minutos, ninguém dizia nada, cada um cansado demais, amargurado demais ou tão absorvido em seus próprios pensamentos que não havia clima para conversas. Mas então, no meio de um pedaço de raiz fervida e grãos endurecidos, Cipher olhou para cima.
"Ei, Karl," murmurou, com a voz plana, mas carregada de irritação. "Você se importa de mastigar um pouco mais devagar? Seu mastigar insuportável está me ressuscitando de tanta raiva."
Karl piscou duas vezes, pego de surpresa pela acusação repentina, enquanto olhava ao redor, confuso.
"Mas… eu nem estou comendo," disse, suave, segurando nada nas mãos.
Naquele instante, assim que falou, Cipher se levantou sem hesitar, os passos fazendo barulho ao atravessar o chão seco da floresta, indo direto para ele, com um olhar que deixava o ar pesado.
"O quê foi isso?" perguntou Cipher, inclinando a cabeça levemente, com tom calmo, mas ameaçador. "Me chamando de mentiroso agora? Você acha que sou surdo? Sabe o que ouço?"
Karl não respondeu.
Ele apenas encarou de volta, com uma expressão tensa, os olhos tremendo de desconforto, como se estivesse tentando decidir se deveria discutir ou ficar calado.
Mas o olhar foi suficiente.
Cipher não esperou.
Sua mão voou com uma palmada rápida, fazendo a cabeça de Karl se virar de lado, uma marca vermelha já se formando em sua bochecha.
"Se você me olhar de novo assim," Cipher rosnou, segurando seu queixo para fazer contato visual, "aí eu juro por todos os deuses deste reino amaldito—vou arrancar esses olhos da sua cabeça, te enfiar de cabeça pra baixo e te foder até você sangrar pelo rabo. Não me desafie, seu verme."
As palavras dele cortaram o acampamento como lâminas, afiadas e vulgares, e por um segundo, ninguém se mexeu.
Nem mesmo Karl.
Até que Raiden deu um passo à frente, com o rosto distorcido de incredulidade, segurando o braço de Cipher e puxando-o para trás.
"Chega, Cipher!" gritou. "Você precisa se acalmar. Porque, mesmo que a mastigação do Karl não tenha machucado meus ouvidos, seu grito sem sentido faz um barulho do cão."
Mas Cipher não gostou de ser interrompido.
Ele se virou, empurrou Raiden com força no peito, duas mãos, e olhou fixamente para ele, como uma fera avalia um outro predador.
Por um instante, os dois ficaram a poucos centímetros de distância, respirando forte, enquanto a floresta ao redor parecia ficar em silêncio novamente—observando, esperando.
Então, depois de uma eternidade, Cipher deu meia-volta com um resmungo, como se nada tivesse acontecido, enquanto Karl permanecia imóvel, o rosto ainda ardendo, os olhos cheios de uma raiva silenciosa e crescente.
Leo ficou em silêncio.
Bob não deu um passo atrás.
Mas naquele momento, mesmo sem palavras, ficou claro para todos eles—
A loucura havia começado a invadir seu comportamento. E estava acontecendo muito mais rápido do que os livros avisaram.