Assassino Atemporal

Capítulo 327

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, em uma Facção Justa, Naves de Arco, Ponte de Comando, POV do General Davian)

A ponte de comando vibrava com uma tensão silenciosa. Fileiras de operadores trabalhavam em painéis brilhantes, analisando leituras espaciais e recebendo transmissões criptografadas.

Bem à frente, através do vidro reforçado, a imensidão de estrelas enquadrava a silhueta distante do Planeta Juxta.

O capitão Davian permanecia com os braços cruzados atrás das costas, seu uniforme azul afiado impecável, enquanto seus olhos vasculhavam as projeções de radar em silêncio.

Ele não falou até que sua segunda-in-command, a Tenente-Comandante Renna, se aproximou com um datapad.

— Todas as unidades estão posicionadas, General. Nossa segunda turma de naves de isca está pronta e preparada. Também começamos a filmar toda a footage do desembarque, conforme orientação do comando central, com equipes de propaganda de prontidão, esperando suas instruções para filmar a implantação.

O comando central deu a essa operação o título ‘A Retaliação Começou’ e quer que produzamos imagens incríveis o quanto antes, que é o único objetivo da fase um — ela disse, entregando o tablet a ele.

Davian não olhou para o dispositivo.

Em vez disso, seu olhar permaneceu fixo no planeta distante.

— É assim que eles querem começar — ele murmurou, em tom baixo. — Uma guerra coreografada como uma peça de teatro. Com câmeras rodando e máquinas de fumaça buzinando, enquanto pessoas morrem ao fundo.

Ele finalmente olhou para o tablet, depois devolveu-o.

— Alguma novidade do Controle de Missões? — perguntou.

— Igual de sempre. Ainda não recebemos autorização para enviar algo além de uma nave da classe Valor na atmosfera de Juxta.

Querem que desgastemos as defesas do Culto... atraindo o fogo de sua artilharia antiaérea e canhões de mana com naves de isca vazias e tropas descartáveis, sem implantar tropas de elite até que a segunda fase comece — respondeu Renna, enquanto Davian soltava uma respiração curta pelo nariz.

— Sabem que não conseguimos competir com a tecnologia defensiva do Culto, então querem que joguemos corpos e sucata de metal neles até que os canhões superaqueçam — concluiu.

— Uma estratégia inteligente — disse Renna.

— Uma estratégia suja — corrigiu Davian, antes de se virar em direção à mesa do mapa tático.

— Enviaremos ondas de drones não tripulados primeiro. Metade deles carregará núcleos de sinal refletivo para parecer que são pilotados. Os demais, preenchemos com voluntários de nível Mestre e Grande Mestre. Eles saberão que é uma missão suicida, mas alguém precisa marcar o tom — explicou.

— E os sobreviventes? — ela perguntou.

— Certifique-se de que apareçam na câmera — respondeu Davian friamente. — O universo não se interessa por mártires silenciosos. Querem rostos. Heróis. Sangue.

Ele fez uma pausa, voltando-se novamente para a visão ampla do planeta colossal.

— Comecem a implantação. A fase um começa agora — determinou.

Renna fez uma saudação, com as botas clicando no chão. — Sim, General.

E assim, o primeiro arco de guerra começou não com um grito de batalha, mas com a calma, cirúrgica frieza de uma máquina que já tinha feito isso milhares de vezes antes.

Da borda do espaço, asas metálicas começaram a descer.


Davian observou enquanto milhares de naves formavam fila e desciam rumo à superfície de Planeta Juxta, seus motores zumbindo com uma agressividade controlada, apontando suas armas para o planeta.

E então — uma por uma — começaram a cair.

A primeira turma de escoteiros da classe Planador se desintegrou no instante em que tocou a curva brilhante do escudo de mana de Juxta.

Não houve fogo, nem explosões espetaculares, apenas vaporização instantânea — como pó de giz atingindo uma parede de relâmpagos.

As naves-canhão vieram em seguida, que eram muito maiores, mais lentas e mais robustas, com poder de fogo suficiente para, na esperança, abrir um buraco na barreira de mana do planeta com força bruta.

No entanto, embora milhares disparassem contra o escudo defensivo de Juxta ao mesmo tempo, nenhuma conseguiu riscar sua superfície, pois o escudo reagia antes do contato, crepitando com energia divina pura, enquanto arcos brilhantes de luz azul os rasgavam ao meio no ar.

Algumas naves-canhão explodiram. Outras se transformaram em destroços retorcidos. E algumas foram vaporizadas instantaneamente.

Um punhado de pods de ataque, com trajetórias instáveis e imprevisíveis, conseguiu atravessar a barreira — mas seus motores falharam na entrada, suas carcaças pegaram fogo ao serem puxadas para baixo pela atmosfera densa de Juxta, caindo como insetos em uma fornalha.

No final, nenhuma delas conseguiu chegar à superfície.

Davian não piscou. Simplesmente permaneceu ali, observando.

— Primeira onda... perda de cem porcento — murmurou Renna, atônita, mesmo esperando por esse resultado, ainda assim torcia para que pelo menos algumas naves chegassem intactas à superfície, mas nenhuma conseguiu.

— O que fazemos agora, senhor? — ela perguntou, enquanto Davian soltava uma respiração profunda.

— Agora, ficamos à frente do planeta deles, e enviamos a primeira filmagem de volta para casa como se fosse nossas naves-base acampadas ao redor da atmosfera deles.

O comando central terá que se contentar com isso hoje.

Amanhã, enviaremos outra onda de naves de fachada para testar as defenses deles.

Este é um guerra de desgaste, Renna.

Não há vencedores ou derrotados nesta fase da guerra, apenas recursos sendo consumidos.

Perdemos alguns homens e algumas naves hoje, enquanto eles perderam milhões de pedras de mana que alimentam aquele escudo.

Vamos ver quem sangra primeiro — disse Davian, virando-se e deixando a estação de comando.


(Enquanto isso, na superfície de Juxta)

Era um festival lá embaixo para os soldados do Culto, que comemoravam alto toda vez que uma nave inimiga era vaporized.

O céu iluminava como fogos de artifício, arcos de mana divina explodindo a cada tentativa fracassada de entrada, enquanto naves eram rasgadas, queimadas ou apagadas antes mesmo de atravessar a mesosfera.

Homens aplaudiam. Oficiais sorriam de canto. Alguns até apostas eram feitas para saber quantas naves passariam pelo escudo de mana. A maior parte das apostas permanecia em zero.

— Boom! São quarenta e sete seguidas! — riu um soldado, levantando o punho, enquanto outra Nave-Arco gigante se transformava em uma poça de ferro derretido.

— O céu está chovendo metal, rapazes! Mantenham os capacetes ligados! — gritou outro, levantando seu escudo em direção às nuvens brilhantes enquanto pedaços caíam como granizo.

Até os alto-falantes do posto avançado de defesa se somaram à festa, tocando hinos de guerra antigos, enquanto os comandantes de esquadrão ficavam de braços cruzados, divertidos, mas sem surpresa.

Para eles, isso não era guerra.

Era um espetáculo.

E o Culto dominava o palco.

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