Assassino Atemporal

Capítulo 323

Assassino Atemporal

"Então… você tem alguma dica para me ensinar a treinar essa técnica? Como posso alcançar a maestria mais rápido?" Leo perguntou, esperançoso de que Moltherak teria algum conselho prático. Entretanto, a antiga dragão não ofereceu uma solução simples.

"É impossível para mim guiá-lo diretamente por esse caminho, pois cada pessoa percebe e entende a aura de forma diferente.

As cores que eu vejo, e o que elas significam para mim, talvez não sejam as mesmas que você verá. Por isso, é fundamental primeiro observar a si mesmo e entender o que cada cor representa dentro de você, antes de olhar para o exterior e perceber como essas mesmas cores ressoam no mundo ao seu redor," explicou Moltherak, sua voz firme enquanto acalmava a empolgação de Leo.

"O fato de você ter conseguido enxergar mesmo uma cor já indica que você é capaz de perceber muitas mais. Se continuar treinando incansavelmente com o mesmo método, o resto virá naturalmente.

Não pare de concentrar mana atrás dos seus olhos, nem mesmo enquanto dormir. Se mantiver a consistência, em breve será capaz de perceber as sete emoções básicas.

E, uma vez que passar dessa fase e entrar no mundo das cordas, já estará a um quarto do caminho para dominar a Aura," acrescentou Moltherak, enquanto Leo assentia, um pouco desanimado, mas ainda absorvendo cada palavra.

O que Moltherak falou refletia os ensinamentos descritos no códice, fazendo Leo perceber que dominar a Aura era um caminho que tinha que percorrer sozinho. Não poderia ser transmitido apenas por instruções ou copiado das anotações de outrem.

Não era algo que se aprendia por diagramas ou explicações rígidas. Precisava ser sentido, experimentado e gradualmente compreendido por meio de exploração pessoal e repetida.

No entanto, se havia uma coisa que Leo tirava daquela conversa, era que ele vinha desperdiçando tempo valioso.

Cada hora nesse mundo parado no tempo era um presente que não podia mais ignorar.

Se de fato queria dominar o códice, precisava se dedicar completamente e treinar com foco implacável até que a técnica se tornasse tão natural quanto a própria respiração.

"Parece que você chegou a uma conclusão importante por dentro… bom. Pensar sempre em como melhorar é a única maneira de se tornar um Guerreiro Supremo," disse Moltherak com aprovação, enquanto Leo lhe dava um joinha.

"Certo, velhote… agora sou eu quem vai fazer perguntas.

Por que fui puxado para dentro desta pintura? E o que exatamente aconteceu com vocês, Deuses-bestas do passado?" Leo perguntou, com os olhos afiados e o tom sério, parecendo pronto para finalmente obter as respostas que vinha esperando.

Moltherak respirou fundo, acalmando seus pensamentos antes de começar seu relato.

"Esse mural já esteve dentro de um templo construído em homenagem aos deuses, lá quando este mundo ainda vivia cheio de mortais e civilizações."

"As pessoas se reuniam diante dele, ajoelhavam, ofereciam sacrifícios e rezavam. E, em ocasiões raras, quando as estrelas se alinhavam ou nosso humor permitia, um de nós podia ouvir."

"Mas, na maior parte do tempo, estávamos longe demais para nos importar com os caprichos mortais."

"Depois que nossa geração de deuses foi derrubada, deixei de receber orações completamente."

"Fazem centenas de milhares de anos desde a última vez que senti uma única alma se aproximar por meio deste templo — até hoje, quando percebi sua presença e usei os últimos vestígios do meu poder para chamá-lo," disse Moltherak, finalmente revelando como Leo tinha acabado ali.

"E quanto ao que aconteceu com nossas antigas bestas? Bem… isso é um tipo de história trágica," continuou Moltherak, sua voz baixa e carregada pelo peso de memórias muito mais antigas do que Leo poderia compreender.

"Houve um tempo em que estávamos no auge do nosso poder. Os doze — cada um governando vastos trechos do cosmos. Nós não perguntávamos. Não negociávamos. Pegávamos o que queríamos e destruíamos o que não queríamos. Se um planeta tinha algum recurso que precisávamos, ele era devastado. Se uma civilização ousasse desafiar-nos, ela desaparecia da história."

Moltherak fez uma pausa, o brilho em seus olhos oscilando como se estivesse revivendo aqueles momentos há muito desaparecidos.

"Eu mesmo destruí uma galáxia inteira uma vez. Trinta e sete planetas, transformados em cinzas em menos de um mês. Sem guerra, sem motivo claro. Apenas arrogância. Só porque eu podia."

Ele voltou a ficar em silêncio, e por um instante, o único som era o sussurro suave do espaço ao redor.

"Foi essa arrogância… esse karma ruim… que fez certas mortais se levantarem. Vingativas. Brilhantes. Implacáveis na determinação de nos derrubar."

"Elas ainda não eram deuses. Ainda não. Mas estavam perto. Guerreiras da elite — o que seu tipo chama de Semi-Deusas. Cultivaram suas almas até quase alcançar a divindade, e, diferente de nós, eram unidas. Estratégistas. Pensadoras. Cruzadas."

Moltherak exalou lentamente, uma fumaça saindo pelas narinas.

"Veja bem, fomos imortais no sentido de que não podíamos morrer. Nossas almas já tinham atingido o nível do Imperador… mas nossos corpos ainda não. Éramos invencíveis na carne, mas não intocáveis. E, quando os primeiros humanos de classificação Rei conquistaram poder, a retaliação que há muito evitávamos finalmente veio."

Leo permaneceu em silêncio, ouvindo, com uma estranha tensão se formando no peito.

"Eles não podiam matar nossas almas. Ninguém podia. Então, criaram algo pior. Nos prenderam. Cada um de nós foi selado dentro de uma dessas prisões de almas… isolados do resto do universo. Utilizaram energia de planetas inteiros, sóis, para ancorar os feitiços… e o resultado foi o que hoje chamamos de Mundos Parados no Tempo."

"Sofreram nossas forças, absorveram o que puderam de nós para avançar até o estágio de Imperador e se tornarem completamente intocáveis — mas, ao fazerem isso, herdaram algumas de nossas características… e, geralmente, as piores,"

Olhar de Moltherak se abaixou.

"Alguns dizem que nós merecíamos. Que foi justiça por sermos caçados, e talvez… talvez eles tenham razão."

"Mas aqueles que nos substituíram? O novo panteão que ascendeu ao poder após nossa queda?"

Ele bufou outra vez, não em diversão, mas em amargo desprezo.

"Eles foram piores. Muito piores. O universo não encontrou paz após nossa partida. Não cicatrizou. Simplesmente mudou de mãos — de um tirano para outro."

Ele olhou de volta para Leo, sua voz agora mais baixa.

"Fomos bestas. Monstros, alguns diriam. Mas éramos honestos em o que éramos, e não machucávamos quem acreditava em nós."

"Os novos deuses, no entanto, usam máscaras. Sorrirem enquanto deslizam facas em gargantas. E isso… os torna infinitamente mais perigosos." concluiu Moltherak, parecendo revoltado com os seres que uma vez lhe tiraram a vida.

"…E pior ainda, eles são completamente imortais," acrescentou, sua voz ficando ainda mais escura.

"Dominam o dao do tempo — transcenderam totalmente a Terceira Dimensão e ascenderam a algo superior."

"Agora são seres de um reino onde a morte não alcança e o tempo não tem sentido. O que significa que… não podem ser mortos, nem por lâmina, nem por veneno, nem por feitiço. Só alguém que esteja no mesmo plano que eles pode mesmo tentar derrubá-los."

"Mas todos os Imperadores modernos são covardes, que só ficam se encarando e se bajulando."

"Eles não gostam um do outro, mas têm medo de desafiar o rival."

"Idiotas covardes… Cada um deles!" desabafou Moltherak, cada vez mais agitado conforme falava.

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