
Capítulo 322
Assassino Atemporal
— Não torça seus olhinhos vermelhos para mim, Velho Dragão. Diferente de você, eu ainda estou vivo, com um coração pulsando e sentimentos de verdade que podem ferir… — disse Leo, observando Moltherak enquanto o dragão exalava com exasperação.
* Resmunga *
Moltherak soltou uma baforada de fumaça pelas narinas, claramente controlando sua irritação antes de mudar de assunto e formulando sua última pergunta.
— Muito bem. Uma última coisa antes de permitir sua vez — me conte mais sobre seu manual de cultivo. Como você circula mana na era moderna e como acompanha seu progresso? — perguntou o dragão, num tom calmo, mas genuinamente curioso.
Leo assentiu e começou a explicar detalhadamente o [Codex das Sete Revelações].
Moltherak ouviu em silêncio absoluto, com uma expressão indecifrável, até Leo mencionar seu breve sucesso ao observar sua própria aura. Foi então que os olhos do dragão se arregalaram de surpresa visível.
— Quer dizer… você, um cultivador com núcleo dourado, conseguiu perceber sua própria aura? — perguntou Moltherak, surpreso, ainda sem entender como Leo conseguiu notar a cor carmesim ao sair do distrito comercial.
— Quer dizer, sim… Eu só consegui uma vez e não tive chance de treinar a técnica desde então, mas sim. Por quê? — respondeu Leo, quando de repente Moltherak começou a rir sem parar.
— Hahahaha—!
O dragão ria como um louco, sua voz profunda ecoando pelo espaço adornado por murais, enquanto Leo inclinava a cabeça, visivelmente confuso.
— Quem é você, garoto? Não, sério — quem diabos você é? — questionou Moltherak, com o olhar se tornando quase reverente, pois, pela primeira vez, ele reconhecia que Leo não era apenas arrogante — era realmente extraordinário.
— Conseguir observar a aura de seres vivos é um dos dao mais elusivos do universo.
Até eu, o Grande Moltherak, só arrisquei uma aproximação superficial desse caminho depois de alcançar o nível Monarch. E só consegui dominá-lo por completo quando ascendi a Rei.
Para você compreender a aura tão cedo… isso sugere que sua afinidade com esse dao é extraordinariamente alta.
O que você conseguiu não é apenas raro — é algo que eu, na minha época, não acreditaria ser possível — disse Moltherak, enquanto Leo piscava, confuso.
— Você tem ideia do que poderia conquistar se dominasse essa técnica no seu estágio atual? — perguntou Moltherak, com a voz carregada de entusiasmo.
— O quê? — Leo perguntou, com a expressão de curiosidade, quando Moltherak voltou a rir novamente.
Por um tempo, o velho dragão não conseguiu conter a incredulidade. Balanceou a cabeça várias vezes, como se a própria ideia de um cultivador de núcleo dourado entender o dao da aura fosse incompreensível demais. Mas, por fim, se recompôs, o olhar se tornando mais afiado, enquanto o sorriso em seu rosto se ampliava.
— Você vai se tornar imparável — disse em tom baixo, com toda a sinceridade e peso de uma besta antiga que realmente acreditava nisso.
Leo levantou uma sobrancelha, sem saber se ria ou levava a sério aquilo, mas a intensidade no olhar de Moltherak fez-o hesitar, ao perceber que o dragão não estava apenas lhe elogiando e que aquilo que dizia era, de fato, uma verdade.
— Você tem alguma dica de como posso dominar essa técnica mais rápido? — perguntou Leo, com a voz ficando mais empolgada, na esperança de que Moltherak pudesse lhe passar algum insight que o maldito manual não fornecia.
Moltherak não respondeu de imediato. Ficou em silêncio, pensando, até que seus olhos se fixaram na adaga presa na cintura de Leo.
— Arranque essa sua lâmina — disse calmamente, e Leo obedeceu.
— Agora, quero que concentre sua mente. Escolha uma parte do meu corpo para atacar; não precisa realmente me ferir… — apenas escolha um alvo e concentre sua intenção nele. Não diga nada em voz alta. Pense nele. Decida atacá-lo. Fixe-o como seu objetivo.
Leo seguiu a instrução, fixando o foco na perna esquerda de Moltherak, mas, para desconcentrar o dragão, manteve os olhos na perna direita, ao mesmo tempo em que virava o corpo na direção dela.
— Você quer atingir minha perna esquerda — disse Moltherak calmamente.
Leo piscou. — O quê?
— Eu posso vendo isso — continuou o dragão, inclinando a cabeça levemente — Uma fina linha de intenção de morte, ligando sua lâmina à minha perna esquerda. É invisível aos seus olhos, mas não aos meus. Está conectada como um fio, guiada pelo pensamento e ancorada pela vontade.
Leo o encarou, incrédulo, enquanto Moltherak cruzava as garras atrás das costas.
— Essa é a essência da percepção da aura. Quando você dominá-la, não apenas sentirá a intenção de morte — verá ela. Você rastreará sua origem, sua trajetória e seu destino antes mesmo de a lâmina ser brandida.
Imagine poder ver a trajetória exata do ataque do inimigo antes mesmo dele se mover.
Imagine saber onde ele vai atacar antes mesmo que seus músculos se contraiam.
Por isso digo que você vai se tornar imparável. Porque a percepção da aura não revela apenas ameaças — ela revela estrutura, fraquezas, intenções. É a ferramenta na qual todos os guerreiros do meu nível confiam.
Usamos para defesa, e também para ataque, para encontrar brechas na postura do oponente, — explicou Moltherak.
O aperto de Leo na adaga se soltou um pouco, à medida que as palavras do dragão começavam a fazer sentido.
— Não é só uma questão de reagir mais rápido — continuou Moltherak, com a voz ficando mais baixa — É sobre entender mais. Ver mais. A aura revela o campo de batalha. Desnuda seus inimigos. Fala a verdade quando os olhos enganam. Assim que você conseguir enxergá-la claramente… o resto é só execução.
E, pela primeira vez desde que descobriu o [Codex das Sete Revelações], Leo enxergou o que essa técnica poderia se tornar. Não apenas uma ferramenta passiva de meditação. Não algo estranho de prática de aura.
Mas um portal.
Uma porta para um reino de combate que só quem possui instinto, visão e talento verdadeiros consegue atravessar.
Um reino onde ele poderia ser — exatamente como o dragão disse — imparável.
— E não é útil só para atacar ou defender, é útil para a vida como um todo. Se alguém te ama de verdade, você verá o fio do amor que os conecta.
Se alguém te odeia, verá o fio do ódio que os liga.
Se alguém mente na sua frente, sua aura irá tremeluzir levemente.
E se disser a verdade, ela brilhará.
Sua vida mudará de forma fundamental, e as informações que terá à disposição para tomar melhores decisões serão muito, muito superiores às de qualquer outro mortal ao seu redor… — falou Moltherak, enquanto Leo podia sentir seu coração pulsando mais forte, cada vez mais impactado pelas implicações de suas palavras.