
Capítulo 324
Assassino Atemporal
Havia bastante coisa na explicação longa de Moltherak que Leo ainda não conseguia entender completamente, mas também havia muitas coisas que ele percebia claramente.
Primeiro, parecia que Moltherak tinha sido humildemente marcado pelo tempo.
Ele falava de seus massacres passados não com orgulho, mas com uma certa tristeza distante, como se fossem conquistas que antes exibia com orgulho… e, agora, olhava para elas com arrependimento.
Quando falava assim, parecia até um ser bastante patético, no entanto, Leo só o via como um "Pobre Diabo que Reclama", até que, de repente, ele entrou em modo monge e ficou sério.
Porém, fora isso, tudo o que ele dizia era bastante fascinante.
Por um lado, todas as criaturas antigas eram seres da categoria Demi-Deus, cujas almas tinham alcançado a divindade, mas seus corpos não.
Por isso, após a destruição de seus corpos, suas almas precisaram ser seladas em mundos parados no tempo, que agora funcionavam como suas prisões eternas.
Moltherak também mencionou que o próximo panteão de Deuses tinha absorvido fragmentos de seus poderes—traços, habilidades ou resíduos de sua essência—e os usou para se fortalecer.
Leo ainda não compreendia completamente as implicações disso, mas achava tudo bastante instigante.
E, por fim, veio a revelação mais desconcertante: os deuses atuais haviam transcendido a terceira dimensão e dominado o Dao do Tempo.
Era uma coisa simples de dizer, mas difícil de até começar a entender.
"Então, basicamente, o que você está dizendo é… que os deuses atuais não podem ser mortos, a menos que outro deus faça isso? E eles não lutam mais entre si?" Leo perguntou, tentando juntar as peças.
Moltherak assentiu. "Exatamente… é isso mesmo," respondeu, expirando uma nuvem de fumaça pelo nariz.
"Se um dia eu tiver a chance de pegar um corpo decente para assumir… pode apostar, garoto, que vou fazer esses deuses sentirem o gosto da derrota. Talvez eu não pareça muito agora, mas, se eu voltar ao mundo moderno, o universo vai se lembrar novamente do terror que foi Moltherak. Isso eu prometo."
"Ah, vá, morra de uma vez, Dragão Velho. Deixa um pouco de diversão para a gente mais jovem, vai? Você já destruiu galáxias o suficiente—deixe a gente ter o privilégio de ser tirano agora," Leo disse com um sorriso de canto, dando um aceno casual.
Moltherak zombou. "Não cometa esse erro, garoto. O karma é uma força poderosa. Você pode rir agora, mas quanto maior o crime, maior será a punição. Essa é uma lei que nem os mais fortes conseguem escapar."
"Eu matei centenas de milhões quando estava vivo. E agora estou pagando por isso com prisão eterna. Se fosse mortal, poderia morrer e seguir em frente. Seria absolvido dos meus crimes no momento que meu corpo desintegrasse."
"Mas ser imortal? Isso significa que vou carregar o peso do meu karma para sempre. Meu reinado durou um milênio… mas minha punição já vai por mais de três."
Ele fez uma pausa, sua voz mudando de som sombrio para uma mais grave.
"Seja uma força do bem. Seja alguém que o universo se lembre com gratidão. Se fizer isso, vai ficar mais poderoso do que consegue imaginar."
Leo deu de ombros. Era muito jovem para se importar com tudo aquilo, muito centrado no presente. A sabedoria de Moltherak, embora sincera, parecia escorrer por seus dedos como gotas de chuva escorregando por mármore.
"Bom… obrigado pela aula, velho dragão. Mas vamos passar para as coisas que realmente preciso de ajuda.
Você pode me contar mais sobre esse coração de mana e o que ele realmente deve fazer?
Percebi que ele funciona meio que como um filtro de mana, mas como você é um dragão, achei que saberia para quê ele serve exatamente," perguntou Leo, inclinado para frente, enquanto Moltherak soltava uma risada suave.
"Um coração de mana… é a maior dádiva que um dragão pode nascer com. Não é só um filtro para impurezas, garoto. É muito mais do que isso."
Ele fez uma pausa, depois virou-se um pouco para frente, com uma expressão séria.
"Ele é uma central de energia. Um núcleo de mana que nunca dorme. Diferente da cultivação comum, que exige esforço, meditação, disciplina, esse órgão funciona silenciosamente, sem precisar de comando. Ele constantemente empurra mana através de seus circuitos, não só para mantê-los ativos… mas para refiná-los."
Leo levantou uma sobrancelha. "Refinar como?"
Os olhos de Moltherak brilharam levemente. "Toda vez que a mana percorre seu corpo, deixa rastros—pequenas imperfeições, riscos minúsculos ao longo do caminho. Com o tempo, elas se acumulam e limitam a quantidade de energia que você pode canalizar com segurança. Mas um coração de mana? Ele alisa esses detalhes. Gradualmente. Constantemente. Sem parar. Ele polir seus circuitos incessantemente até que fiquem perfeitos. Até que estejam à altura do poder divino."
"Então é como… uma cultivação passiva do corpo?" perguntou Leo, tentando entender melhor.
"Sim. E mais do que isso. Ele aumenta a recuperação, amplifica sua resistência ao esforço de mana, e reduz drasticamente o tempo necessário para adaptar-se a novas técnicas ou alcançar níveis superiores. Sua base fica mais firme a cada segundo, simplesmente por estar vivo. É por isso que dragões nascidos com um coração de mana eram considerados abençoados pelas próprias estrelas nos tempos antigos."
Leo foi assentindo lentamente, começando a compreender. "Ou seja, mesmo que eu não faça nada… estou evoluindo?"
Moltherak sorriu. "Sim. Mas se você treinar, se empurrar seus limites enquanto esse motor de mana estiver ativo… seu crescimento será monstruoso."
"Se você fosse um dragão, eu teria transmitido minhas melhores técnicas de cultivo, mas, como você é humano, elas não servem para você."
"Porém, o que eu aconselho é que, enquanto estiver dentro desse mundo parado no tempo, procure monstros que queira eliminar e comece a perseguir e caçar como se fossem presas."
Ele fez uma pausa, observando Leo atentamente.
"Você não precisa se preocupar com a mana contaminada aqui. Ela não pode te afetar. Mas a riqueza da mana neste lugar, sua densidade e pureza, vão te ajudar a evoluir muito mais rápido do que os fluxos diluídos do universo comum. Pense nisso como uma meditação avançada. Com circulação constante e um coração de mana ativo, você vai alcançar o estágio de alma nascente bem antes de dominar esse seu códice."
Leo segurou o queixo pensativo e assentiu levemente. "Então, basicamente, o que você está dizendo é… que com um coração de mana ativo, tudo que preciso fazer é exaurir ao máximo essa energia todos os dias e, eventualmente, alcançarei o nível Transcendente, mesmo que não evolua na minha manual de meditação?"
"Exatamente, garoto tolo, é isso mesmo. Como já expliquei… sim!" rebateu Moltherak, sacudindo a cabeça imensa.
"O coração de mana é uma máquina de cultivação. Purifica, bombeia e circula mana sem parar, permitindo que você fique mais forte simplesmente por estar vivo. É por isso que os dragões mais velhos sempre ficam mais poderosos com o tempo."
Ele estreitou os olhos.
"Porque nossos corações de mana nunca param de trabalhar. Só existir já basta para te fazer subir desde o rank mortal até próximo do Reino do Monarca. Só que, depois disso, o verdadeiro crescimento exige intenção, experiência e maestria."
Moltherak respirou fundo, e seu tom de voz amaciou.
"Por enquanto, essa é a maior bênção que você poderia desejar."
Ele explicou, enquanto um grande sorriso se abria no rosto de Leo, finalmente compreendendo todos os benefícios de possuir um coração de mana.