
Capítulo 325
Assassino Atemporal
"Tudo bem, tenho mais uma última coisa para te perguntar..." Leo disse com um tom sério.
"Devo recuperar uma espécie de liga metálica cinza de um lugar parecido com uma fortaleza, em algum lugar deste mundo. Você sabe o quão seguro é para eu me aproximar dessa área? E o que exatamente devo pegar lá?" perguntou, finalmente esclarecendo sua missão.
"Hmm… essa é difícil," respondeu Moltherak, sua expressão mudando para algo bem mais cauteloso ao mencionar a tarefa.
"Se não me engano, o que você procura provavelmente é metal de origem. É o recurso mais raro do universo, e está enterrado profundamente dentro do Castelo Bravo — o mesmo lugar onde a alma do Zharnok está fixa."
Ele fez uma breve pausa antes de continuar.
"Quanto mais perto você chegar desse castelo, mais ameaças enfrentará. E se você realmente tentar roubar o tesouro do Zharnok, há uma chance altíssima de que a alma remanescente daquele velho lagarto acorde e vá atrás de você pessoalmente."
"Então, se fosse você, não tentaria," advertiu Moltherak, aconselhando Leo a não levar adiante essa missão.
No entanto, Leo apenas balançou a cabeça em silêncio.
"E se fosse absolutamente necessário? E se não tivesse outra opção a não ser roubar esse metal de origem ou o que seja?" insistiu, enquanto Moltherak ficava quieto por um momento, claramente pensando na viabilidade de uma tentativa dessas, até que soltou um suspiro pesado.
"Você não pode fazer isso. Ainda não no seu nível atual, simplesmente não consegue. O Zharnok não vai prestar atenção em você até que você entre no castelo, mas no momento em que tocar no seu tesouro—o metal de origem—a alma dele começará a se agitar."
Ele olhou diretamente para Leo, com o tom ficando mais severo.
"Se ele estiver em profundo sono, pode levar de trinta a setenta segundos para despertá-lo completamente e responder à perturbação. Mas você não é um semi-deus, nem um monarca. Não há como pegar o metal e percorrer mais de mil quilômetros de volta até a saída deste mundo em tão pouco tempo."
Moltherak fez mais uma pausa, então repetiu sua fala com firmeza.
"Então, como eu disse… é impossível."
Houve um silêncio, e então ele prosseguiu, com o tom um pouco mais suave.
"Porém, existe um método que talvez você consiga usar. Antigamente, este mundo era conectado por uma rede de portais de mana—portais que ligavam grandes impérios e cidades para transporte rápido."
Ele voltou o olhar para Leo.
"Deve ainda existir um portal antigo que conecta o Castelo Bravo a uma região próxima à saída deste mundo. Mas esses portais não funcionam há milênios. Ninguém sabe se ainda operam… ou se você será capaz de encontrar um."
Embora Moltherak tenha descartado a ideia de imediato, ele ainda ofereceu uma pequena esperança para Leo.
Uma esperança remota.
Uma possibilidade quase esquecida.
Que talvez pudesse tornar possível essa missão quase impossível, se tudo saísse exatamente como planejado.
"Certo, era só isso que eu queria saber, Velho Dragão. Obrigado pelo seu tempo, foi um prazer te conhecer—" disse Leo assim que Moltherak terminou de falar, estendendo a mão para que o dragão a pegasse.
"Igualmente, humanidade insignificante... Também foi um prazer conversar com alguém depois de tanto tempo."
"Desejo sucesso e boa sorte em todas as suas futuras empreitadas."
"E, se algum dia, você crescer forte o suficiente para me libertar da minha prisão, prometo que ficarei eternamente agradecido e me tornarei um aliado ao seu lado."
"Não é como se eu tivesse muitas esperanças nisso."
"Mas, se acontecer, serei grato mesmo assim—" disse Moltherak, colocando sua pata de dragão na mão de Leo, concluindo o aperto de mão, antes de enviar Leo de volta ao mundo do mural e de lá para o mundo Parado no Tempo.
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(De volta à sala do conclave)
À medida que a luz se apagava e o calor do mundo do mural desaparecia, Leo se viu novamente dentro do frio conclave, com o chão de mármore rachado sob seus pés, a luz tênue das tochas iluminando a cena à sua frente.
O silêncio voltou.
E com ele, retornou a quietude congelada do mural, como antes.
As bestas estavam paradas, com os olhos sem vida, nas posições imutáveis, enquanto os olhos do dragão estavam mais uma vez fechados, suas asas imensas cobrindo-o como um sudário.
Leo respirou fundo e avançou, até ficar diante do dragão novamente.
Desta vez, ele não estava cauteloso.
Não estava confuso.
Não tentava decifrá-lo.
Simplesmente olhou para ele, calmamente, com um leve sorriso nos lábios.
"Um dia, se possível, vou te salvar, velho dragão..." murmurou suavemente, com voz baixa e sincera, sem sarcasmo ou exibicionismo. "Gosto de você… E, se tiver força dentro de mim para te salvar… eu certamente farei."
Ele levantou a mão e colocou a palma suavemente na tela do mural, exatamente onde ficava o peito do dragão.
Moltherak não precisou falar com ele naquele momento.
Não precisava explicar a verdade por trás dos mundos congelados no tempo, nem revelar o segredo do coração de mana, ou oferecer estratégias para sobreviver dentro de um cemitério selado de deuses.
Mas fez, simplesmente porque quis.
E essa escolha importou para Leo.
Ao perceber que Moltherak foi generoso sem esperar retribuição.
Embora ele não fosse de dizer isso em voz alta, de sua maneira silenciosa, Leo fez uma promessa a si mesmo—que, se o destino lhe desse poder, se as estrelas alinhassem e o caminho se abrisse à sua frente, ele faria por Moltherak o que o velho dragão jamais esperava que alguém fizesse.
Que era retribuir a gentileza do velho dragão mil vezes mais, libertando-o algum dia.