
Capítulo 312
Assassino Atemporal
(Algumas horas depois, na caverna subterrânea, Leo)
Algumas horas após explorar seus arredores, Leo finalmente se sentiu suficientemente recuperado para ficar de pé, embora cambaleando bastante.
'Já consigo suportar meu próprio peso... Hora de sair daqui,' decidiu, ao verificar o ambiente em busca de sinais do grande monstro, e lentamente começou a mapear sua descida do ninho até o chão abaixo.
Porém, justo quando se preparava para abandonar o ninho, o ovo ao seu lado tremeu de repente.
*Sacudiu*
*Sacudiu*
*Estalou*
Uma fina fissura surgiu próximo ao topo do ovo, seguida rapidamente por uma segunda que se ramificava como uma veia.
*Estale*
*Estale*
As rachaduras se alargaram lentamente, com um som úmido e nojento, enquanto uma pequena fenda começava a se formar perto do topo, estreita o suficiente para algo lá dentro enxergar para fora.
E então ele viu.
Um único olho.
Redondo, sem piscar e com pupila em fenda, observando através da rachadura como se tivesse estado assistindo Leo o tempo todo.
E só de olhar para aquele olho, Leo sentiu um calafrio na pele.
A criatura lá dentro não parecia agressiva. Nem assustada, apenas curiosa.
Curiosa como os predadores ficam antes de decidir se querem brincar com a presa ou devorá-la, e Leo imediatamente decidiu fugir.
'Não, hein. Não vou ficar aqui de bobeira esperando o filhote nascer,' pensou Leo, enquanto seus instintos de sobrevivência, que gritavam para correr, eram mais fortes do que qualquer dor que já tinha sentido.
Sem esperar a segunda tremedeira, ele se jogou por cima da borda do ninho e despencou até o chão da caverna abaixo, aterrissando na menor intensidade possível, considerando seu corpo destruído.
*Toc*
Mas mesmo assim, ao tocar o chão de forma limpa, o impacto ainda provocou uma dor lancinante que percorreu suas pernas e atravessou sua coluna, enquanto cada nervo gritava de protesto — lembrando-o de que, embora conseguisse se mover, ainda estava longe de estar pronto para qualquer impacto mais forte.
'Tudo bem... Vamos lá!' pensou Leo, assim que seus pés tocaram o solo da caverna, sem perder tempo algum.
Ele suportou a dor, forçou as pernas a se moverem e virou o foco para os oito túneis abertos à sua frente — cada um uma jogada de risco, cada um potencial sentença de morte, enquanto tentava decidir qual caminho apostaria sua vida.
Não foi uma decisão fácil.
Ele não tinha mapa, pistas ou conhecimento do layout daquele labirinto subterrâneo. Mas, embora não soubesse qual túnel era seguro — sabia quais ignorar.
Eliminou três de cara.
Dois deles marcados por riscos de garras tão profundos e largos que não podiam ser nada além de marcas de territórios deixadas por uma fera que avisava os outros sobre as consequências de invadir sua área.
Enquanto o terceiro estava coberto de sangue ressecado, ossos rachados, formando uma cena bastante sombria de um combate recente.
Assim, Leo ficou com cinco opções viáveis.
Ele caminhou cambaleando, farejando discretamente cada entrada enquanto passava por elas, pois a maioria tinha cheiro de carne podre, mofo ou algum tipo de decomposição química que involuntariamente fazia sua garganta fechar.
Mas então veio o primeiro túnel à esquerda.
Ele, apesar de perfumado com cheiro de umidade e mofo, não era tão fétido quanto os demais.
Parecia frio, úmido e neutro, com uma inclinação acentuada para baixo e uma entrada estreita demais para qualquer predador grande passar.
As paredes desse túnel eram cobertas por um musgo tênue, em vez das pedras de mana azul que cobriam o restante da caverna e dos túneis, sinalizando que talvez não tivesse iluminação mais profunda — porém, como parecia mais limpo que os outros, Leo resolveu que seria sua última aposta.
'É esse aqui,' decidiu Leo, ajustando sua postura e começando a cambalear em direção a ele — um passo difícil, trêmulo, de cada vez.
*PRIIIIIIII—*
Um grito alto e agudo ecoou pela caverna, cortante e estridente como um metal rasgando carne, fazendo Leo congelar no meio de um passo, seu corpo inteiro gelar de medo.
Seus olhos se arregalaram.
'Aquele foi o bebê gritando...' percebeu, quase instantaneamente —
*TUM*
*TUM*
Ele ouviu.
O som de passos pesados e rápidos se aproximando.
Pesados. Poderosos. Rápidos.
A mãe estava vindo.
Seu pulso disparou, enquanto a adrenalina inundava suas veias, apagando a dor persistente ao ativar novamente seus instintos de sobrevivência.
Leo entrou em uma corrida desigual, cada passo rangia contra ossos e músculos machucados, enquanto forçava seu corpo adiante com todas as forças.
Um segundo.
Dois.
Cinco.
Dez.
Cada passo parecia uma provação, pois ele sentia a mãe se aproximando rapidamente, mas seu corpo mal conseguia acompanhar, pois seus músculos em recuperação só conseguiam gerar uma quantidade limitada de movimento por ora.
*ESTALO*
Estava quase na boca do túnel — tão perto que conseguia ver a inclinação para baixo, mergulhada na sombra — quando ouviu.
Pedra se partindo atrás dele quando a criatura de nível Transcendente saiu de um dos túneis próximos, sua forma gigante avançando com velocidade assustadora, olhos de pupilas em fenda fixos nele, com uma expressão predatória.
Leo, no começo, não falou.
Mas ao ver a cabeça da criatura se abaixar e a língua saindo em sua direção—
"Uh-oh—" comentou, e sem pensar duas vezes, pulou para frente, mergulhando no túnel e escorregando pela encosta.
Ele torceu o corpo no meio do escorregão, olhando para trás na hora exata para ver a cabeça monstruosa da criatura invadindo a entrada do túnel, suas mandíbulas se mexendo selvagemente, a língua atirando para frente como um chicote, a poucos centímetros de alcançá-lo.
"Tarde demais… Mamãe… seu filhote não vai comer hoje—" zombou Leo, escapando do alcance, enquanto o túnel se estreitava ao redor dele, engolindo-o na completa escuridão.
*ROAR*
Ele ouviu o rugido furioso de uma criatura poderosa atrás dele, no entanto, por o túnel ser estreito demais para que a fera o seguisse, ela não conseguiu entrar.
Mas Leo não sorriu.
Não respirou aliviado.
Porque, por mais que estivesse fora do alcance da criatura por enquanto... ele nunca sabia qual nova ameaça poderia se aproximar na próxima curva.