Assassino Atemporal

Capítulo 311

Assassino Atemporal

(Mundo congelado no tempo, nível superficial, em uma das ilhas flutuantes)

"Tenho certeza de que o ouvi chamando seu nome no final..." Murmurou Bob, com a testa franzida enquanto observava a borda vazia onde Raiden tinha desaparecido. "O que você fez?"

Karl não respondeu de imediato.

Ele permaneceu imóvel.

Tempo demais.

Então, sorriu.

Não o sorriso desfeito e de dor de um homem que acabara de perder um amigo.

Mas um sorriso que pertencia a alguém que nunca tinha considerado Raiden um amigo, para começar.

Ele se espalhou lentamente pelo rosto enquanto sua postura se endireitava, ombros para trás, coluna alinhando-se como se estivesse finalmente deixando para trás uma máscara que não lhe servia mais.

Então, a máscara caiu.

Sua expressão mudou de feio, triste e lamentoso, para a de um predador confiante, enquanto olhava diretamente nos olhos de Bob com um olhar intimidador.

"Dizem que você matou pelo menos trinta e sete membros do Cult com uma colher, Bob," disse Karl casualmente, sua voz já não tímida ou incerta, mas bastante suave e segura.

"É verdade mesmo? Ou é só um exagero? Quero dizer, se for exagero, posso te dar uma morte mais fácil, então vai lá, me diga a verdade," falou em tom zombeteiro, enquanto Bob cerrava os dentes com raiva.

"Karl... quem diabos você é?" perguntou Bob, recuando cautelosamente um passo.

"Quem sou eu?" repetiu Karl, com os olhos brilhando enquanto uma pulsa de mana densa explodia ao seu redor, sua aura surgindo com pressão suficiente para fazer o ar vibrar, revelando sua verdadeira força como guerreiro de nível Transcendente.

"Sou o cozinheiro fraco que matou Leo Skyshard. Sou o covarde que empurrou Raiden enquanto você dormia.

E sou o homem que vai te matar agora." afirmou Karl, avançando em passo desacelerado e tranquilo.

Ao contrário de sua timidez habitual, cada movimento dele agora irradiava domínio — como um leão caminhando casualmente em direção a uma veado enjaulada, enquanto Bob não podia fazer nada além de se afastar.

"Eu não queria te matar ainda, Bob. Queria viajar com você um pouco mais. Queria deixar o medo fermentando dentro de você antes de te despedaçar pedaço por pedaço — lentamente, dolorosamente, poeticamente."

Sorrindo mais amplamente, ele assistia Bob recuar passo a passo, até que não sobrasse mais espaço atrás dele.

Somente o vazio infinito abaixo.

"Isso é pelos meus irmãos e irmãs do Cult. Aquelas pessoas que vocês massacraram. Aquelas que vocês transformaram na sua lenda de força."

A mão de Karl se estendeu, movendo-se num relâmpago para empurrar Bob, mas Bob não permitiu.

Quando a morte olhou nos seus olhos, Bob não perdeu tempo em tentar salvar sua vida, pois, em seus últimos momentos, a única decisão que tomou foi de levar Karl junto com ele.

Quando sua perna alcançou a borda, Bob já havia decidido pular, recuando com tudo, investindo toda sua energia em um último ataque.

"[Ruína da Gravidade]," rosnou, com dentes cerrados, voz baixa e vingativa, ao sacar suas duas facas longas de coldres na cintura, carregando-as com mana antes de arremessá-las na base da plataforma, onde ficaram cravadas até a empunhadura.

*THRUMMMM*

Plataforma toda tremeu violentamente enquanto rachaduras se espalhavam em teia de aranha do local do impacto, e vibrações carregadas de mana distorciam a estrutura da rocha flutuante.

O semblante de smug de Karl vacilou.

Seu equilíbrio vacilou.

"O que—"

"Me diga, sua vadia..." interrompeu Bob, com a voz baixa e furiosa, mirando de frente nos olhos de Karl — "Você consegue voar?"

E com isso—

Bob sumiu no abismo abaixo, mas ao invés de dar a Karl a satisfação de vê-lo em pânico antes de morrer, ele morreu com a imagem de Karl assustado na cabeça, já que Karl não pôde deixar de se desesperar ao ver a superfície se desintegrando sob ele.

"BOB!" gritou Karl de raiva, mas já era tarde demais.

Não apenas Bob desapareceu, mas o dano à base também já tinha sido feito, enquanto a rocha sob seus pés começava a desmoronar pedaço a pedaço.

*Escorregou*

*Estalou*

De um por um, pedaços da ilha flutuante se desprendiam, caindo no abismo enquanto a gravidade puxava os restos para baixo.

Karl cambaleou.

Tentou pular.

Tentou segurar uma parte estável.

Mas em segundos, não havia mais partes estáveis para se agarrar, e finalmente ele também caiu no abismo.

"BOB, SEU FILHO DA PUTA!" gritou Karl enquanto caía, pois, apesar de toda sua força, de todos seus esquemas e de sua confiança distorcida—

No fim, ele também não conseguiu voar, o que significou que caiu no abismo com os braços falhando, da mesma forma que Raiden e Leo antes dele.

No final...

Ele morreu do jeito que tentou matar os outros.


Enquanto Bob despencava pelo ar livre, toda sua face carregava um sorriso gigante, inabalável—largo e sem remorso—pois não é todo dia que um homem consegue arrastar um bastardão de Cult de nível Transcendente junto consigo.

O vento uivava ao seu redor, puxando suas roupas, cortando sua pele como agulhas.

Enquanto o abismo se estendia infinitamente abaixo, parecendo uma fenda sem fundo, sem misericórdia.

Mas Bob não tinha medo dele.

Seu rosto não demonstrava pânico.

Seus olhos não revelavam terror.

E nenhuma gritaria escapava de sua boca.

Apenas paz.

Pois no instante em que os olhos de Karl se arregalaram e sua face smug se contorceu de pavor, Bob soube que tinha vencido.

'Aquele foi por vocês... Leo e Raiden, acabei com o manipularzinho de vocês dois.'

Agora podem descansar em paz... Onde quer que estejam,' pensou, inclinando a cabeça para trás e deixando o vento atingir-lhe com força total.

'Acho que esse é o meu fim... Consegui me virar bem na vida, considerando tudo—' pensou Bob, relaxando os músculos e deixando a escuridão envolvê-lo como um cortinado se fechando, enquanto memórias surgiam sem aviso atrás de seus olhos.

Uma fogueira.

Uma clareira na floresta.

Risos que estremeciam as costelas.

E uma voz, profunda, firme, que te ancorava... uma que ele não ouvia há mais de uma década.

"Kobe..." sussurrou, seu sorriso suavizando, a respiração firme apesar da queda livre. "Eu te verei em breve, meu irmão."

Pois, em toda sua vida, Bob só amou de verdade um homem.

Só sentiu falta de uma alma.

Kobe foi sua luz.

Sua âncora.

Sua razão para ser um Assassino e ganhar dinheiro.

E agora, depois de tantos anos vagando, matando, sobrevivendo quando já não queria mais, ele finalmente iria encontrá-lo novamente.

Nos seus últimos momentos, Bob não tinha arrependimentos.

Nem medo da morte.

Nem vontade de viver mais tempo.

Apenas paz.

E vingança.

Pois, mesmo que seu nome nunca fosse cantado, mesmo que ninguém contasse como ele derrubou um bastardão de Cult, Bob amava o fato de ter morrido exatamente do jeito que viveu toda a sua vida — nos seus próprios termos.

Pois, mesmo em seus últimos instantes, conseguiu arrastar um monstro até a morte com ele.

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