Assassino Atemporal

Capítulo 281

Assassino Atemporal

(Mundo Congelado no Tempo, a 5 quilômetros da Floresta da Morte)

Passaram-se minutos, e a neblina ao redor da equipe não parava de engrossar.

Ela continuava subindo cada vez mais, saindo do peito até alcançar o pescoço, enquanto Patricia — a mais baixa do grupo, com 1,78 metros — agora tinha as goggles de visão noturna quase mergulhadas abaixo da linha da neblina, dificultando verla além de meio metro em qualquer direção.

Sombras piscavam onde não deveriam, árvores desapareciam na brancura da neblina, e o caminho à frente parecia estreitar, se transformando num corredor de névoa fantasmagórica.

"Todo mundo, se juntem. Use a mesma mão que segura a pedra de mana para agarrar o pulso da pessoa à sua frente," instruiu Raiden, enquanto cada um estendia a mão para segurar o pulso ou o antebraço do que estava na frente, avançando em fila única como crianças cruzando um campo de batalha.

Leo ficava próximo ao centro — Patricia na frente dele, Bob atrás.

Raiden liderava na frente, com Cipher e Karl formando a retaguarda.

"Não falem, a não ser que tenham que falar," alertou Raiden.

"Se a pegada soltar, gritem. Se alguém se separar, parem."

As regras pareciam simples no papel — mas na prática, mostraram-se insuficientes.

Pois, poucos minutos depois, aconteceu exatamente assim.

Um lampejo. Uma sobrancelha levantada. Um sussurro.

"Algo se moveu atrás de mim," disse Bob em voz baixa.

Leo virou abruptamente, apertando instintivamente a mão de Patricia, que também se mexeu naquele momento.

E, naquele instante assustador, ela escorregou da mão de Karl, o que a alarmou imediatamente, enquanto tentava pegá-la de novo, só que com sucesso, ela agarrou apenas ar vazio.

"RAIDEN!" a voz de Karl rasgou a neblina.

"Tem uma brecha!" Patricia veio em seguida, dando dois passos cautelosos para frente, esperando trombar com ele — mas suas mãos só encontraram o vazio.

"Que droga—" ela sussurrou, sem conseguir entender como alguém que estava logo na sua frente podia ter desaparecido tão de repente.

"Fica aí! Patricia—"

"Eu ouço vocês! Esperem!"

"Aqui!"

Vozes vinham de longe, parecendo pertencer a Raiden, Cipher e Karl, mas vindo de pelo menos 20 a 30 metros de distância.

"Não dá pra ter certeza se é mesmo eles, não respondam," imediatamente falou Leo, com a voz tensa e baixa, enquanto cerrava os olhos de raiva.

"Aquelas vozes podem não ser reais… Não podemos confiar em nenhuma voz nesta floresta," avisou, enquanto Patricia assentia, com os olhos arregalados.

"Não corram. Não se mexam. Vamos ficar parados por enquanto… Acho que nem esta floresta amaldiçoada consegue fazer magia de teletransporte, então devemos ficar bem enquanto não nos mexermos. A neblina deve desaparecer no final," raciocinou Leo, com Bob e Patricia dando concordâncias firmes em retorno.

O trio recuou, formando uma configuração de triângulo. Esperando em pontos fixos. Espadas desembainhadas. A névoa agora crescia até quase cobrir seus narizes.

A cabeça de Leo rodou. Tentou de novo o [Visão Absoluta] — mas logo se arrependeu, pois a habilidade não trouxe nada além de estática branca ensurdecedora, que o obrigou a desligar antes que o fizesse passar mal.

"Essa neblina não é normal," murmurou Bob. "Tá difícil de respirar… e não dá pra saber se é tóxica ou não."

Ele rasgou um pedaço da sua capa de assassino e amarrou na boca, improvisando uma máscara.

Leo não discutiu. Pegou seu anel de armazenamento e retirou uma máscara de gás de verdade, que tinha comprado na Loja dos Panteras Laranja antes de partir.

*Creak*

Um rangido de madeira veio de algum lugar próximo, alertando instantaneamente a equipe.

Logo depois — uma silhueta humana surgiu no meio da névoa, levemente semelhante na altura e na forma ao Raiden.

"Raiden?" Leo chamou uma única vez, esperando ouvir retorno do colega, mas, infelizmente, só silêncio. Até que, finalmente, veio:

"Estamos aqui. Aguarde."

A voz veio suave e devagar — no tom de Raiden, mas distorcida, como alguém tocando uma gravação devagar demais.

Ninguém respondeu.

*Clic*

Os dedos de Bob ficaram tensos ao redor da lâmina de seu facão alto, produzindo um pequeno rangido ao ajustar sua empunhadura suada na arma.

E, apesar de não trocarem palavras, esse som sozinho foi suficiente para Leo e Patricia entenderem seus pensamentos.

Eles também sentiram — lá no fundo, no intestino.

Aquela silhueta não era Raiden.

E o que quer que estivesse se aproximando deles… definitivamente não era seu companheiro.

A silhueta não parou.

Na verdade, multiplicou-se.

Duas formas surgiram atrás da primeira, deslizando pelo nevoeiro em sincronia assustadora — exatamente como sua formação.

As três caminharam de mãos dadas, a figura da frente com o vulto de Raiden, seguida por Cipher e Karl, com contornos vagos, mas familiar o suficiente para inflar a esperança no coração.

Elas apareceram parcialmente na visão, com rostos calmos… excessivamente calmos… movimentos precisos… Quase excessivamente precisos.

Karl foi o primeiro a falar, sua voz carregando uma leve animação, como se nada estivesse errado.

"Desculpa," disse, sorrindo suavemente. "Minha mão escorregou."

Ele estendeu a mão para Patricia novamente, com a mão estendida em sua direção.

Porém, antes que pudesse tocar, Patricia a golpeou sem hesitar, olhos acerados de desconfiança.

"Não," ela falou friamente, cerrando os dedos com mais força ao redor da empunhadura da lâmina.

O olhar de Raiden virou-se para Leo em seguida, fixo como um imã encontrando sua carga.

Leo não hesitou.

Ele inclinou a cabeça levemente, a voz casual — quase divertida — enquanto dizia.

"Ei, Raiden… Qual era o nome do bistrô onde nos conhecemos pela primeira vez?"

Houve uma pausa.

Demasiado tempo de pausa.

Raiden franziu a testa, seu tom ficando cortante.

"Que importa?" ele respondeu. "Não temos tempo pra joguinhos, vamos seguir em frente."

Ele avançou, agora atrás do pulso de Leo, quando—

*Corte*

Bob se moveu.

Um movimento único e fluido, enquanto sua lâmina cortou o nevoeiro, atravessando o braço de Raiden até o cotovelo.

*Toc*

A extremidade caiu com um som surdo, mas não havia sangue, nem osso visível.

Apenas casca.

Onde deveria haver carne, havia madeira lascada, envolta por uma teia apertada de cipó fibroso.

Rachaduras se espalharam pelo restante do braço, como teias de aranha, dispersando-se pelo corpo da figura como fraturas numa casca de porcelana.

E então, a verdade se revelou.

As três formas se contorceram — primeiro um espasmo, depois se desfizeram, enquanto a ilusão se desfez, revelando criaturas feitas de podridão e casca de árvore.

Seus rostos continuavam humanóides, máscaras assustadoramente precisas moldadas pelas memórias daqueles que imitavam.

Ninféia das Árvore.

Nascida de árvores amaldiçoadas. Alimentada pelo medo. Moldada pela memória.

Nas últimas horas, essas criaturas malditas aprenderam sua formação, suas vozes, seu ritmo.

E agora, testavam quanto se lembravam umas das outras — como se Leo não tivesse, de algum jeito, descoberto o engano, o que provavelmente os levaria à árvore fonte, onde seriam presos e absorvidos para nutrientes.

*Suspiro*

Leo deu um passo atrás, levantando sua lâmina com uma respiração longa e calma.

"Bem," murmurou, frio e firme, "pensei que ia aguentar até o nevoeiro passar."

Avançando contra os três alvos à sua frente, com Bob e Patricia apoiando.

Juntos, desconstruíram facilmente as ninfas das árvores, que pouco mais eram do que truques de engodo, pois, após eliminá-las, a neblina começou a recuar visivelmente.

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