
Capítulo 280
Assassino Atemporal
(Mundo Congelado no Tempo, 4 quilômetros dentro da Floresta da Morte, em meio a uma névoa misteriosa)
A névoa não entrouден vejo.
Ela surgiu.
Silenciosa. Pálida. Paciente.
Ela escorreu do chão como se estivesse esperando ali desde sempre, escondida sob a camada de folhas e cinzas, enrolando-se em torno dos tornozelos e joelhos com a lentidão certa de quem sabe que a morte está à espreita.
No começo, era apenas uma tênue névoa, fina e suave, como o orvalho. Mas à medida que a equipe avançava mais fundo na mata, ela ficou mais densa.
Até que não conseguiam mais enxergar o chão.
Leo sentiu isso imediatamente. Não na pele, mas na barriga.
Algo estava errado.
Todo instinto do seu corpo gritava para que ele parasse, virasse e corresse, mas suas pernas continuaram se movendo, um pé após o outro, seguindo o comboio.
Os demais também sentiam — podia ver na tensão nos ombros deles, no ritmo superficial da respiração que todos estavam nervosos também.
"Mantenham a distância, não precisam se empurrar, não somos crianças do jardim de infância indo para a escola, somos assassinos feitos, droga," ordenou Raiden em voz baixa, embora sua voz carregasse uma tensão estranha.
Ele tentou soar firme, tentando inspirar confiança na equipe para que não tivessem medo de algo tão sem importância como uma névoa fria, mas, na prática, era mais fácil falar do que fazer.
Quando a névoa subiu até a altura da cintura, foi aí que o perigo verdadeiro começou.
O primeiro sinal foi o som.
Leo ouviu um sussurro. Não vindo à frente, nem atrás.
Mas ao seu lado.
"Leo..."
Uma voz suave disse….
Mas não era qualquer voz, era uma voz que ele reconhecia vívida e imediatamente.
Era a voz de Elena, sua mãe, de quando ele era pequeno e corria para os braços dela.
Ele virou instintivamente, com a adaga quase na mão — mas não havia ninguém ali.
Somente cipós. Névoa. E árvores que pulsavam, suavemente, como se estivessem respirando pelo casca.
Ele olhou para trás.
O grupo nem percebeu, pois novamente parecia que ele era o único a ouvi-la.
"Foca," ele murmurou para si mesmo, sacudindo o eco, mas aí Patricia falou.
"Raiden, acho que alguém está nos seguindo. Ouço… passos atrás de mim. Como dois segundos depois."
"Ilusão," respondeu Raiden novamente. Mas desta vez, sua voz soou sem firmeza, apenas uma esperança…
Alguns segundos depois, Karl parou de andar completamente.
"Pessoal," ele sussurrou, "Cadê o Cipher?"
"O que quer dizer?" perguntou Leo, olhando à frente.
Mas o Cipher tinha desaparecido.
Sumiu do comboio.
Sem som, sem rastro, sem grito.
Apenas… desaparecido.
Raiden levantou imediatamente o punho. O grupo congelou, coração acelerado, enquanto escaneavam ao redor com visão noturna.
Por um momento, não viram nada, até que uma silhueta surgiu da névoa.
E, felizmente, era o Cipher.
"Desculpa," ele disse. "Tropecei, perdi o rumo, tô bem."
Mas os olhos de Leo se estreitaram.
Porque a figura retornada tinha uma ferida no lado errado do pescoço.
'Não tinha sido mordido do lado direito?' Leo se questionou, piscando novamente, mas, quando abriu os olhos de novo, as bandagens tinham mudado de lado, como se sua imagem anterior, de uma ferida no lado errado, fosse apenas uma ilusão.
'Que diabo?' Leo se perguntou, piscando mais algumas vezes, mas nada mudou.
A bandagem permaneceu no mesmo lugar, e ele começou a ficar realmente nervoso agora.
'Me mordeu—' pensou ele, mas não disse nada, para não assustar o resto do grupo.
Gotas de suor começaram a escorrer pela testa dele por causa do estresse, pois, apesar da parte inferior do corpo estar gelada pelo frio da névoa, a testa ainda suava, pela pressão daquele terreno.
Mais alguns minutos se passaram.
E a névoa lentamente subiu até o peito deles, momento em que tudo começou a mudar novamente.
Os troncos das árvores ao redor começaram a se dobrar.
No começo, Leo achou que fosse mais uma ilusão, um truque da visão.
Mas não.
Na verdade, as árvores estavam se curvando e inclinando para dentro, sutilmente.
Parecia que a floresta toda tentava guiá-los por um caminho específico, e Leo não gostou nada dessa orientação.
'Droga. Será que ainda dá tempo de correr?' Leo pensou, quando Bob de repente quebrou o silêncio.
"Meu irmão está aqui," ele disse, enquanto todos olhavam.
"O quê?"
"Eu vejo ele," murmurou Bob. "Bem ali. Atrás daquela árvore. Ele morreu há dez anos… mas está aqui agora. Ele está olhando pra mim."
Patricia foi até o espaço entre as árvores onde Bob apontava, como se fosse tocar e perguntar 'Você também está vendo a ilusão aqui?', mas Leo primeiro segurou seu pulso.
"Não toque," ele falou.
Porque Leo também via. Uma silhueta.
Sorrindo.
Dentes perfeitos.
Olhos que brilhavam demais para serem de um morto.
Porém, aparentemente, só Leo e Bob conseguiam enxergar aquela figura, enquanto os demais não.
"Que diabo está acontecendo aqui? Você também está vendo isso, Skyshard?" perguntou Patricia. Porém, antes que Leo pudesse responder, as óculos de visão noturna deram uma glitchada.
Ruído.
*SKKRRRRRRK.*
Quando todos congelaram.
Quando a visão voltou, a silhueta havia desaparecido.
Mas o ar estava mais frio. A névoa, mais espessa.
E, por baixo de tudo isso, Leo jurava ouvir risadas.
Não cruel. Não alegre.
Apenas…
Erradas.
'Porque, meu Deus… finalmente entendo por que as pessoas enlouquecem aqui. QUE MERDA, ninguém consegue sobreviver a essa loucura por meses seguidos—' Leo percebeu, enquanto inconscientemente apertava as lâminas com mais força.
Este lugar era uma verdadeira palhaçada de palhaços, e nenhuma leitura, por mais que fosse, poderia ter lhe dado a real dimensão de como o perigo ali era real e presente.
Ele já tinha passado por campos de batalha onde milhares morriam a cada segundo, e aquilo parecia menos assustador do que estar aqui, pois, pela primeira vez, após entrar naquele mundo, ele percebeu que não tinha medo de morrer aqui.
Mas tinha medo de se tornar algo que não soubesse como morrer.