
Capítulo 279
Assassino Atemporal
(Mundo Congelado no Tempo, 140 quilômetros do ponto de entrada, Borda Exterior da Floresta da Morte)
A viagem até a Floresta da Morte seguiu sem grandes incidentes, já que a equipe não foi surpreendida por emboscadas, tempestades ou armadilhas escondidas — apenas um marchar lento e implacável por planícies de cinzas e alguns relevos, onde algumas lagartos mutantes cruzaram seu caminho.
Mas esses animais não eram nada comparados ao homem-animal que haviam eliminado. Embora rápidos e protegidos por armadura, eles não tinham a astúcia selvagem nem a tenacidade brutal do assassino contaminado, e, com a coordenação do grupo melhorando constantemente, tais ameaças eram enfrentadas de forma rápida e eficiente.
No fim do segundo dia, haviam percorrido os 140 quilômetros desde o ponto de queda, chegando à borda da Floresta da Morte — uma extensão que parecia tão assombrada quanto qualquer cemitério.
Suas roupas estavam cobertas de poeira, suas botas desgastadas pelo cinza constante, e seus nervos afinados pela pressão deste mundo amaldiçoado… mas eles tinham conseguido.
Todos eles.
E isso era tudo o que importava, por enquanto.
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A primeira impressão que Leo teve da Floresta da Morte foi simples — as árvores aqui eram simplesmente... erradas.
Elas não eram apenas altas, mas surpreendentemente verticais, erguidas como a espinha de alguma besta antiga, ao invés de algo natural.
Os caules eram de um branco ossudo, marcados por veias negras, e o dossel acima era tão denso que cortava as últimas pontas de luz bem antes de alcançarem o chão.
A Floresta da Morte poderia muito bem ser chamada de Floresta das Trevas, pois, após apenas vinte metros além da linha das árvores, Leo mal conseguia enxergar alguma coisa ao redor.
"Certo, hora de colocar os óculos de visão noturna," disse Raiden, com voz baixa, mas firme, enquanto um por um, o grupo obedecia.
Graças às anotações de campo deixadas por expedições anteriores, eles já conheciam as regras para sobreviver na Floresta da Morte.
Nada de barulhos altos. Nada de movimentos bruscos. E nunca — sob hipótese alguma — acender uma fogueira para enxergar.
Por isso, Raiden se certificou de que cada um estivesse equipado com óculos de visão noturna antes mesmo de colocar os pés nesta terra amaldiçoada.
Um a um, as lentes foram encaixadas, banhando o mundo em tons de verde, enquanto Leo pisqueava contra a interferência e sentia sua visão retornar.
"A partir de agora, vamos avançar em fila única," instruiu Raiden, com um tom mais sério agora. "Pise só onde o cara na sua frente já pisou. Sem desvios. Sem besteiras."
Ele não explicou por quê.
Ele não precisava.
Porque, no momento em que avançaram mais fundo — apenas mais dez passos na escuridão sufocante — todos sentiram.
A mudança.
O peso.
A lentíssima chegada do medo.
A Floresta da Morte não avisa.
Ela simplesmente pressiona, silenciosa, implacável — até sua sanidade começar a se dobrar.
E, naquele lugar, sua única força era uns aos outros.
*Croc*(som de passos nervosos)
As botas deles farejavam suavemente o chão semelhante a folhas cortadas, cada passo feito com cuidado, enquanto Leo escaneava os lados com desconforto crescente.
As árvores pareciam vivas.
Ele percebia isso na forma como a casca parecia pulsar levemente ao passar perto, e na maneira sutil como as trepadeiras se enrolavam, quase imperceptivelmente, na sua visão periférica.
Não era exagerado.
Não era evidente.
Mas estava lá.
Como se a floresta estivesse respirando.
E observando.
Ninguém falou nos primeiros trinta minutos.
Até —
"He? Você ouviu aquilo? Tem alguém rindo lá na frente—" Karl murmurou, olhando de lado.
"Não, não tem," Cipher respondeu instantaneamente, sem sequer virar o rosto.
"Isso é uma das ilusões da floresta. Ignore. Não é real."
Karl assentiu tremendo, forçando-se a avançar novamente, embora Leo percebesse o sobressalto na sua passada.
Passaram-se cinco minutos.
Então, Leo parou repentinamente.
"Vejo figuras se movendo entre as árvores," disse, com a voz firme e concentrada.
"Ilusões," respondeu Raiden imediatamente, mantendo o ritmo. "Ignore."
Mas não era tão simples assim.
Porque, ilusões ou não, elas pareciam reais.
As sombras deslizando numa lentidão visível. Não atacavam, não avançavam. Apenas observavam. Sempre entre as árvores. Sempre longe demais para ser alcançadas ou tocadas.
Leo tentou ativar o [Visão Absoluta] — uma, duas vezes.
Em ambas, seu cérebro foi inundado por interferência, como uma onda de calor cegante, forçando-o a desconectar o poder.
Porém, seus olhos reais também não ajudavam.
Em todos os lados, silhuetas dançavam e se torciam fora de seu alcance, zombando com a dúvida entre o que era real e o que não era.
'Isso é insano... Se eu não sei o que é real ou não, como diabos vou reagir ao perigo?' pensou Leo, com amargura, enquanto os dedos cerravam suas adagas e o suor se acumulava entre eles.
Algum lugar atrás dele, Bob murmurou baixinho:
"Estão chamando meu nome."
"O quê?" Patricia perguntou em sussurro.
"Disseram de novo. Agora mesmo."
"Ninguém falou nada, Bob," ela respondeu, com uma voz mais baixa — tensa e frágil, enquanto a verdade começava a se estabelecer.
A floresta estava manipulando suas mentes.
Mais dez minutos se passaram.
O grupo manteve a formação, respirando controladamente, com as lâminas quase na mão, mas os nervos esticados ao máximo, e as ilusões não cediam.
Eles eram implacáveis.
Mesmo não atacando, corroíam a mente — destruindo o foco, minando a compostura, transformando a sanidade em fragmentos.
Então—
Leo sentiu.
Uma sensação fria e úmida tocando sua bota.
Ele olhou para baixo e havia névoa.
'He? De onde veio isso?' pensou, convicto de que não viram entrar numa área de neblina.
O que indicava que essa névoa não vinha da frente, nem caía de cima, mas subia do solo sob seus pés.
Enrolava-se lentamente ao redor de seus tornozelos, inicialmente pálida e translúcida, tornando-se mais espessa a cada passo, enquanto seus instintos gritavam silenciosamente 'Perigo'.
Raiden parou.
Todos os demais também pararam.
"O que... é isso? Cipher?" perguntou Karl, com a voz tremendo de medo.
"Não sei," respondeu Cipher após uma pausa, silêncio esse que falava mais do que suas palavras poderiam.
Porque ninguém entendia o que era aquilo.
Nem Raiden.
Nem Cipher.
Nenhum registro da guilda, nenhuma expedição, nem mesmo os fragmentos mais antigos que Leo estudara continham algo assim.
Essa névoa não constava em nenhuma documentação.
O que a tornava a ameaça mais perigosa de todas…
A ameaça do desconhecido.
Leo fixou o olhar enquanto a névoa atingia seus joelhos, sua frieza infiltrando-se na roupa e entorpecendo sua pele.
Seus sentidos já estavam no limite.
A visão comprometida.
Os instintos gritando.
E, mesmo assim, a floresta ao redor deles permanecia estranhamente parada.
Quase como se estivesse segurando a respiração, esperando que algo grande acontecesse.