Assassino Atemporal

Capítulo 315

Assassino Atemporal

(Mundo Congelado no Tempo, Uma Conclave Perdida, Ponto de Vista de Leo)

Leo não se moveu de início.

Ele apenas ficou ali, com a tocha ainda na mão, encarando o mural— mais especificamente, a figura do dragão— porque alguma coisa na maneira como ele estava voltado para o sol, tão diferente dos demais, cutucava sua mente como um sussurro que ele ainda não conseguia ouvir direito.

Ao olhar para o dragão, Leo sentiu sua ansiedade começar a se despertar. Não era medo, tampouco admiração. Era algo muito mais estranho.

Uma força silenciosa e inexplicável se infiltrava nele, puxando as bordas de sua alma, fazendo o sangue correr mais quente do que deveria, como se algo antigo e há muito enterrado dentro dele tivesse começado a despertar.

'Isto... não é normal', pensou, finalmente afastando o olhar, enquanto se virava lentamente e escaneava o resto da sala com uma visão renovada. Quanto mais olhava, mais descobria.

À esquerda do mural, havia uma estante rachada, cuja estrutura de madeira mal se sustentava, repleta de rolos desbotados e velhos livros empoeirados, encaixados em cada espaço irregular entre as prateleiras.

Na maior parte, eram ilegíveis.

O papel era demasiado frágil. A tinta, muito desbotada. A linguagem—algo que ele nunca tinha visto antes, com símbolos curvos e glifos empilhados adornando o papel, alguns escritos na vertical, outros em espirais.

'O quê? Que diabos é isso?', murmurou Leo, ao se agachar ao lado de uma pilha e pegar um dos rolos, só para fazer o papel frágil estalar e descascar na sua mão.

Ele rangeu os dentes, os olhos se estreitando de frustração enquanto folheava livro após livro, rolo após rolo, mas nada fazia sentido algum.

Até que—

Ele encontrou.

Perto do canto da sala, escondido sob uma pilha de tapetes rasgados e cerâmicas meio quebradas, havia um livro pequeno e retangular.

Era fino.

A capa, desgastada e macia, como algo que tinha sido manuseado muitas vezes.

E na sua superfície, uma pintura simples de uma fruta.

Uma maçã verde.

Debaixo dela, um símbolo.

E ao virar a página, outra imagem, desta vez de uma chama, com outro símbolo abaixo.

'Espera… é isso...?'

Leo piscou, virando as páginas rapidamente agora.

Cada página mostrava um único objeto. Uma imagem clara, pintada.

Uma pedra.

Uma mão.

Um pássaro.

Um sol.

E abaixo de cada imagem, um único glifo.

'Um livro de imagens… um maldito livro infantil?', percebeu, com os olhos arregalados de repente, numa sacudida de compreensão.

Era um livro didático.

Um manual de linguagem.

Destinado a ajudar crianças a relacionar palavras com significados.

E foi aí que—algo fez clique.

'Caramba… isso pode realmente ajudar a decifrar a escrita.'

Ele não era um linguista.

Não era um historiador.

E certamente, não era alguém que costumava ficar empolgado com bibliotecas esquecidas.

Mas a imagem daquele dragão—

Essa imagem tinha feito algo nele.

Desde o momento em que seus olhos encontraram aquele olhar pintado, ele sentiu algo despertando lá dentro, algo primal e inquieto que fazia sua pele formigar e seu coração acelerar.

Ele precisava saber mais.

Sobre o mural.

Sobre as criaturas.

Sobre o sol.

Sobre como esse lugar foi criado e como conseguiu sobreviver por tanto tempo?

'Não sei por quê… mas preciso entender isso.'

Seus dedos se fecharam ao redor do pequeno livro como se fosse um tesouro.

E assim, 'O Chefe' Leo Skyshard, assassino, vencedor de circuitos e definitivamente NÃO um estudioso, sentou-se de cruzado na piso frio de uma sala antiga esquecida pelo tempo, folheando um livro infantil à luz de tochas…

Tentando aprender a língua de uma civilização morta.

Tentando desvendar um segredo que o resto do universo há muito deixou de lembrar.

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O tempo se tornou irrelevante para Leo enquanto se aprofundava no aprendizado de uma língua perdida, cada hora se fundindo na próxima enquanto ele vasculhava os materiais dispersos dentro da conclave.

Ele mal comia, mal se movimentava, mal dormia— porque, pela primeira vez na vida, algo tinha capturado toda a sua atenção, algo que não era combate, sangue ou sobrevivência.

O livro didático infantil que encontrou logo virou seu farol. Um dicionário visual como referência, que se tornou a chave para desvendar os segredos da língua perdida.

Leo, que nunca foi amante de livros ou idiomas, se via lentamente montando o quebra-cabeça. Palavra por palavra. Imagem por imagem. Símbolo por símbolo.

Curiosamente, um livro infantil que provavelmente foi criado para ensinar crianças de dois anos a falar, virou o guia que o ajudou a desbloquear todos os segredos.

Ele encontrou os símbolos que conhecia do livro nas mais variadas rolos e pergaminhos, e anotou ao redor as palavras correspondentes, tentando formar frases ou conexões, começando com o básico… Fogo. Água. Pedra. Céu.

Depois, passou a verbos. Correr. Comer. Morrer. Queimar.

Gradualmente, frases começaram a surgir em sua mente—frases primitivas, incompletas, que insinuavam significado.

Ele criou um registro mental, rabiscando palavras traduzidas em papiros em branco que encontrava por perto. Começou a organizá-las por raiz e estrutura, agrupando símbolos por forma, tamanho e direção das traças, até que padrões começassem a emergir.

Algumas frases eram muito complexas. Algumas páginas não tinham imagens. Alguns rolos estavam tão desbotados que não podiam ser usados.

Mas Leo persistiu.

Dia após dia.

Comendo provisões simples, bebendo a água que trouxera no anel de armazenamento e dormindo só quando o cansaço o derrubava.

E, num piscar de olhos, uma semana passou rapidamente, e, ao final, os glifos indecifráveis finalmente começaram a tomar forma.

As frases deixaram de parecer rabiscos e começaram a parecer familiares.

As palavras começaram a sussurrar significados.

As pinturas nas paredes, os rolos, até os avisos nas antigas colunas—ele começava a conseguir lê-los.

Não perfeitamente. Não fluentemente. Mas o suficiente.

Suficiente para perceber que estava se aproximando de algo.

Algo grande.

Algo ligado às criaturas na parede.

E, seja lá o que for… ele podia senti-lo pulsando na borda da sua compreensão, apenas esperando para ser revelado.

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