Assassino Atemporal

Capítulo 284

Assassino Atemporal

(Alguns dias atrás, o verdadeiro universo, Planeta Radiância)

Karl vivia sua vida clandestina como um simples funcionário do Governo Universal no Planeta Radiância, quando de repente, um dia, recebeu uma encomenda selada do culto — enviada pessoalmente pelo Décimo Primeiro Elder.

Ele imediatamente trancou as portas, ativou seus selos de privacidade e desligou os nós de vigilância espalhados pelo seu cômodo, antes de desembrulhar o pergaminho de obsidiana com mãos tremendo.

Dentro havia uma única nota.

"Infiltre-se nos Serpentes Pretas como ajuda externa, entre no mundo congelado no tempo e recupere o que Dupravel busca."

Junto a ela, havia uma dobra secundária com um briefing completo da missão: documentos de identidade falsificados, uma nota fiscal de compra de uma ferramenta que suprime auras e um registro de combate fabricado, identificando-o como um especialista de suporte culinário de nível Mestre, com habilidades de cura leves.

Seu novo nome?

Karl Maxtern. 31 anos, nível Mestre, chef de campo.

Por um momento, Karl apenas olhou as papeladas, com os olhos estreitados de incredulidade.

"Um Mundo Congelado no Tempo?" ele murmurou, as palavras soando como cinza na língua.

Todos sabiam o que significava entrar em um lugar assim. Uma morte lenta. Uma distorção do tempo. Um teste de resistência mental.

E, no entanto, ao ler o próximo parágrafo, seu coração começou a bater mais forte.

– Dupravel Nuna entrou no Mundo Congelado do Tempo do Setor 12. Após sua alegada comunhão com o Enganador Mauriss, ele agora busca um item de importância vital.

Não sabemos o que é. Apenas que possui um valor suficiente para Dupravel arriscar a vida.

Por isso, devemos adquiri-lo primeiro.

Aquele último parágrafo mudou tudo para Karl, como se Dupravel, a espinha dorsal dos Serpentes Pretas, tivesse ido pessoalmente buscar alguma coisa, só podia significar que o item escondido dentro daquele mundo não era apenas valioso... Era um divisor de águas.

Talvez um artefato divino. Talvez um remanescente de uma era passada. Ou algo que até Mauriss desejava desesperadamente.

Seja lá o que fosse, certamente era melhor nas mãos do culto do que nas do inimigo, e por isso era importante que Karl o recuperasse primeiro.

*Boca seca*

Engolindo em seco, primeiro retirou os comprovantes de pagamento de uma loja de ferreiros local — documentos fornecidos pela guilda — mostrando que já havia comprado um conjunto completo de artefatos que suprimiam a aura, e sem demora, começou a caminhar rumo à loja designada para buscá-los.

Ao chegar, o ferreiro — ele mesmo um simpatizante do Culto — reconheceu o código na encomenda e imediatamente o ajudou, fixando habilmente cada peça do conjunto de relíquias em seu corpo, enquanto a transformação começava no instante em que o último fecho encaixou.

Sua aura que antes era imponente, transcendental, começou a desaparecer, engolida pela teia de artefatos de supressão, até que sobrasse apenas a presença silenciosa e discreta de um guerreiro de nível Mestre, já que até os sensíveis ao mana agora o veriam apenas como um cozinheiro de campo esquecível.

Porém, esconder-se exigia mais do que relíquias, então ele inclinou um pouco a postura, arredondou os ombros com a curva cansada de quem não sente orgulho, arregalou os olhos para parecer constantemente nervoso, e adotou um tom agudo, quase infantil — que o fazia parecer mais jovem, inexperiente e completamente inofensivo, do tipo de pessoa que não sobreviveria a um verdadeiro campo de batalha, mesmo que a vida dependesse disso.

—--------

Alguns dias depois, Karl encontrou-se com a equipe pela primeira vez no Planeta Fera Gêmea, e dali por diante, desempenhou seu papel à perfeição.

Adotou uma personalidade tímida, inquieta, gago, agarrando sua sacola de apoio culinário como se fosse sua tábua de salvação.

Se curvava demais, baixando o olhar sempre que alguém olhava na sua direção, e falava com sotaque gago, o que passava aos outros a impressão de que não era uma criança confiante.

No entanto, por trás daqueles olhos velados, estudava cada membro e fazia um perfil cuidadoso deles.

Raiden: calmo, disciplinado, previsível.

Cipher: quieto, afiado.

Patricia: perigosa e narcisista.

Bob: frio, analítico, não subestima ninguém.

Leo: o inimigo do Culto que já levou a morte de um de seus irmãos... Ele era inteligente, contudo, Karl decidiu que o eliminaria de uma maneira especial, assim que estivessem sozinhos dentro do mundo congelado no tempo.

—----------

Alguns dias após seu primeiro encontro com a equipe, quando finalmente entraram no mundo congelado no tempo, Karl já antevia a emboscada do lagarto mutante cinco minutos antes de Leo ser alertado, pois viu as sombras se movendo próximo à garganta bem antes de qualquer um.

Se quisesse, poderia ter avisado a equipe.

Mas não o fez.

Pelo contrário, deixou que as criaturas chegassem. Gritou quando atacaram. Manchou-se com um feitiço de água simples, apenas para parecer mais realista, e no fim, desempenhou seu papel de guerreiro tímido e assustado de nível Mestre à perfeição, reforçando a convicção de todos sobre sua fragilidade.

Seus olhos revelavam que eles o viam apenas como um cozinheiro desamparado, imprudente, pego no meio do caos.

Exatamente o que ele queria que acreditassem.

—----------

Mesmo na floresta, o desempenho de Karl permanecia consistente, pois não permitia que ninguém descobrisse que ele não precisava realmente das óculos de visão noturna para enxergar naquele terreno escuro.

Ele tremia ao segurar as mãos, piscava a cada som, e mantinha suas ações sempre iguais.

Mas quando a ninfa da árvore se conectou com ele e Raiden e Cipher falharam em perceber a enganação, ele finalmente soube que precisava agir.

A textura da mão dela era errada e parecia seca demais para ser de um humano.

E até mesmo o mana que ela carregava estava tão parado que não poderia pertencer a uma criatura viva.

Por isso, soube na hora que se tratava de um monstro, e poderia facilmente cortar seu braço instintivamente. Mas esperou.

Esperou alguns minutos, enquanto Raiden e Cipher também abaixavam a guarda, até tropeçar e puxar o braço da criatura, expondo a fraude diante deles.

Fez isso porque queria que o engano parecesse um acidente, e não uma investigação que descobriu algo que os outros haviam deixado passar, por isso demorou tanto para que o 'acidente' acontecesse.

Para Raiden e Cipher, ele não passava de um chef tolo e tímido.

No entanto, a verdade é que ele não era tolo.

Ele era um agente Transcendente atuando sob o Décimo Primeiro Elder do Culto da Ascensão.

E sua caça neste mundo amaldiçoado mal tinha começado.

Comentários