
Capítulo 264
Assassino Atemporal
(Enquanto isso, em um planeta desconhecido fortehold da família Mu, Mu Fan)
Depois de abrir mão da vida de instrutora na Academia Militar Rodova, Mu Fan retornou ao clã Mu, retomando seu papel como líder da família secção e a infame assassina 'Viúva Branca'.
No entanto, em segredo, ela continuava sendo membro do Culto da Ascensão, e seu primeiro ato após voltar para casa foi fazer uma ligação para o décimo segundo ancião do Culto do Mal.
Ela se ajoelhou diante de um terminal de obsidiana moldado como um altar, atrás do qual havia um mecanismo de comunicação oculto que só ela sabia operar.
E, após chegar em casa, era o local que ela usava para estabelecer contato, enquanto se ajoelhava diante do terminal, seu manto de assassina caindo sobre o chão preto polido, enquanto glifos brilhantes cintilavam sob seus pés, enquanto ela passava seu mana por eles.
Em breve, a tela projetava uma face — apenas um olho avermelhado, opaco, que piscava e ficava fora de foco, como se observasse através de camadas de fumaça.
Uma voz profunda sussurrou pelo comunicador, fria, pausada e sem pressa.
"Então... ele não demonstrou sinais claros de hostilidade após recuperar a memória?"
A voz perguntou, ao que Mu Fan respondeu suavemente, abaixando ainda mais a cabeça, com tom reverente: "Não, meu senhor."
"Ele pareceu bravo a princípio. Talvez assustado. Mas... não demonstrou sinais de ódio. Nenhuma rejeição aberta ao que viu.
Ele não rejeitou a memória falsa que plantamos na mente dele, e suas ações desde então sugerem que ele a aceitou como a verdade absoluta.
Não acho que ele perceba que alteramos suas memórias."
Houve um momento de silêncio.
Então, a voz retornou — baixa e suave, como cascalho envolto em veludo.
"A emoção é o fardo de seres inferiores. Dor. Traição. Raiva. São expectativas... mas irrelevantes, e não podemos deixar que o futuro dragão fique preso em uma confusão tão inútil."
Mu Fan permaneceu calada. Sabia que era melhor não interromper.
"Se o garoto nos odeia por mudarmos sua verdade... se se sente manipulado ou invadido... isso não importa no grande esquema das coisas," prosseguiu a voz.
"Se o culto tem suas garras nele... ou se ele acredita que tem as garras no culto — nenhum dos dois importa."
Mu Fan olhou para cima levemente, suas sobrancelhas franziram levemente com essa declaração, mas ela permaneceu em silêncio.
"O que importa," a voz afirmou, ficando mais firme, "é que ele siga o caminho do Dragão. O caminho correto. Pois sua negação só atrasará o inevitável."
Houve um clique sutil, como se algo do outro lado fosse ativado — talvez um monitor ou um pergaminho de dados.
"Não estamos criando um soldado como o quarto ancião faz com seu Candidato a Dragão.
Estamos cultivando um salvador.
O próximo Dragão do Culto não pode ser apenas um soldado. Ele precisa se tornar a personificação da Ascensão, pois, sem um líder para se juntar, o Culto logo perderá seu propósito e sua fé."
Mu Fan respirou lentamente e se mostrou de novo em reverência.
"Sinto-me confiante de que Leo conseguirá recuperar o pergaminho deixado por Noah," ela falou baixinho.
"Ele está encontrando seu caminho até a Tumba das Serpentes Negras e, embora possa demorar alguns anos ou mais, estou certa de que, no final, ele conseguirá entrar. Tenho confiança nisso," garantiu, enquanto a resposta do outro lado foi um simples 'Bom'.
"Não tenho tanta influência política quanto o Quarto Ancião, e, se for para torná-lo Dragão, ele precisa ter contribuído significativamente para o Culto, a ponto de ninguém poder negar sua importância.
Só depois que ele for nomeado Dragão, os 12 anciãos poderão passar suas técnicas secretas para ele, transformando-o de um simples assassino no homem mais perigoso do universo."
"Mas, para isso acontecer, ele precisa provar seu valor primeiro—" Disse o ancião, enquanto a transmissão piscava uma vez antes de se cortar.
O olho vermelho desapareceu, e Mu Fan permaneceu ajoelhada no mesmo lugar, mesmo após o silêncio retornar.
Ela se sentia profundamente envergonhada por ter dado a Leo um conjunto de memórias alteradas, onde eventos que ocorreram após ele desmaiar e se encontrar numa enfermaria desconhecida nunca aconteceram de verdade.
No entanto, com o décimo segundo ancião considerando essa manipulação necessária, ela foi forçada a mentir para Leo com uma expressão séria... E, pelo menos por ora, parecia estar funcionando.
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(Enquanto isso, no Governo Universal)
A Sala de Guerra de Emergência do Governo Universal ficava enterrada sob várias camadas de liga reforçada e escudo de mana, projetada para resistir a bombas capazes de rasgar planetas e rupturas dimensionais. Mas, naquela noite, a verdadeira pressão que enfrentava não vinha do exterior, mas de dentro.
Alguns dezenas de altos oficiais, generais, chefes de inteligência e supervisores de setor se reuniam ao redor de uma mesa circular negra, cada um com um painel holográfico exibindo dados ao vivo, canais criptografados e avaliações de ameaças galácticas.
As luzes estavam dimmed, não por preferência, mas por necessidade, já que ninguém queria encarar o outro olho no olho.
Os últimos quarenta e cinco dias foram os mais humilhantes para o Exército Universal em toda a história recente.
"Esperamos tempo demais," disparou o General Hauser, batendo o punho na mesa com tanta força que seu painel também piscou. "A população exige sangue. Estamos em silêncio há tempo demais, presos nessa hesitação infinita enquanto a mídia nos pinta como covardes."
Ninguém interrompeu.
Seu tom ficou mais alto, as veias pulsando sob as têmporas. "Quarenta e cinco dias desde o ataque à Arena dos Deuses do Céu! Quarenta e cinco dias de relatórios vazios e pistas vazias. Todas as suas redes de pesquisa e vigilância não produziram nada além de becos sem saída."
Ele fez uma pausa, varrendo a sala com o olhar.
"Estamos parecendo idiotas! Não vou ficar de braços cruzados mais. Me deem um nome. Um planeta. Uma fortaleza. Vou rasgar do mapa universal e fazer manchetes amanhã. Deixem a população mundial saber que não estamos de braços cruzados!"
"Chega," disse a Comandante Irelyn, com voz firme como uma lâmina. "Não vamos lançar ataque retaliatório para 'fazer manchetes'. A menos que sejamos atingindo o alvo certo."
"E onde estão os seus alvos, Irelyn?" Hauser latiu. "Você lidera a Divisão de Inteligência Um. Encontre uma base de culto, pelo amor de Deus!"
Irelyn não vacilou. "Rastreamos trinta e sete pontos suspeitos. Todos ligados a operações-fantasma, loops de fofocas falsas ou que sumiram no meio da transmissão. Sempre que chegamos perto, o rastro desaparece. Não é incompetência. É infiltração."
As palavras dela caíram pesadas, como pedras.
"Você está dizendo que o Culto tem... alguém por dentro?" perguntou outro general, com a voz vacilando.
Irelyn virou-se para ele, com o rosto frio. "Não alguém. Muitos."
Um silêncio longo e sufocante se instaurou na sala.
"Começamos varreduras internas," ela prosseguiu, "mas cada departamento que investigamos revela mais sinais vermelhos. Os setores administrativos. A aplicação da lei. Até nossas cadeias de suprimentos. Todos os lugares possuem assinaturas pró-culto embutidas tão fundo que precisaríamos demolir todo o sistema para erradicá-las."
Um sussurro de descrença percorreu a mesa, como estática.
"Você está dizendo que o Culto tem... alguém infiltrado?" perguntou outro general, hesitando.
Irelyn virou-se para ele, com expressão glaciais. "Não alguém. Muitos."
Um silêncio longo e carregado de tensão tomou conta do ambiente.
"Começamos varreduras internas," ela continuou, "mas cada departamento que investigamos revela mais sinais vermelhos. Os setores administrativos. A aplicação da lei. Até nossas cadeias de suprimentos. Todos os lugares têm assinaturas pró-culto tão enraizadas que precisaríamos destruir o sistema inteiro para erradicalas."
Um sussurro de surpresa percorreu a sala, como estática em um rádio.
"Você está dizendo que o Culto tem... alguém por dentro?" perguntou um general, com voz vacilante.
Irelyn virou-se para ele, com expressão fria. "Não alguém. Muitos."
Um silêncio pesado atravessou a sala — longo, sufocante.
"Começamos inspeções internas," ela prosseguiu, "mas cada setor que investigamos revela mais sinais vermelhos. Os departamentos administrativos, as forças judiciais, até nossas cadeias de suprimentos — cada um deles tem assinaturas pró-culto tão enraizadas que precisaríamos demolir o sistema todo para erradicar."
O ambiente ficou carregado de expectativa, como estática de rádio antiga.
"Se o que você diz for verdade… então já perdemos a guerra de inteligência," afirmou o general Korris, normalmente calmo.
"Não," disse Irelyn. "Mas estamos lutando às cegas. Subestimamos o Culto da Ascensão. Agora, ele não é mais apenas um grupo terrorista. É uma ideologia parasita. Não precisa construir novas bases; já infecta as que existem."
"Então, como responderemos?" perguntou outra voz. "Quem atacar se não encontrarmos a podridão?"
Essa era a questão.
E ninguém tinha uma resposta.
A projeção no centro da mesa mudou, exibindo uma lista de eventos suspeitos ligados ao Culto — cerca de vinte e sete planetas com possíveis conexões, mas nenhuma confirmada. Alguns tinham populações inocentes de milhões, e atacar qualquer um deles teria consequências catastróficas.
"Precisamos de um bode expiatório," rosnou Hauser. "Precisamos mandar um recado."
"Não," interrompeu Irelyn. "Precisamos de precisão. Porque, no momento em que acertarmos o alvo errado, nos tornaremos os vilões. E o Culto vai se aproveitar disso para se retratar como resistência."
Ela se levantou, deixando que suas próximas palavras pesassem no ar.
"Não podemos permitir que essa guerra seja como a última. Desta vez, não se trata de força. É sobre encontrar uma maneira de acabar com eles de uma vez por todas."
O ambiente ficou carregado de tensão.
A pressão pública por retaliação crescia rapidamente, mas, na verdade, o governo mal conseguia decidir um alvo — quanto mais atacar alguém.