Assassino Atemporal

Capítulo 263

Assassino Atemporal

Após terminar o segundo livro, Leo inclinou ligeiramente o corpo para trás na cadeira, seu olhar ainda fixo na última página que agora repousava aberta diante dele.

Ao contrário do memoir assombroso do Capitão Vonn, esse não terminara em loucura ou massacre, mas ainda assim pintava um quadro sombrio.

Varn Elric havia sobrevivido.

Essa foi a primeira coisa que Leo reconheceu, a maior conclusão de todas. O homem entrara, rompendo barreiras, lutando contra bestas, sofrendo ferimentos e retornando com a mente e o diário intactos.

Seu potencial tinha um limite permanente, sim— mas mesmo assim, ele tinha resistido.

E isso, Leo pensou, era algo para se admirar.

Ao refletir mais profundamente, os pensamentos de Leo se concentraram nos danos irreversíveis aos circuitos de mana de Varn.

A elasticidade de seus caminhos de mana, antes capazes de se expandir e se adaptar a flutuações súbitas no fluxo, tornara-se rígida e inflexível após meditar dentro do mundo.

A mana contaminada, embora inicialmente rica e poderosa, depositara camadas de resíduos nas paredes internas de seus canais, corroendo-os silenciosamente ao longo do tempo.

Parecia a Leo que, em um mundo congelado no tempo, a mana atuava como um assassino silencioso, destruindo o potencial de uma pessoa ao longo dos anos. Embora ele não visse isso como um obstáculo intransponível, levava essa questão a sério.

Afinal, Varn meditara na mana ambiente contaminada por semanas.

Se Leo dependesse apenas de suas próprias fontes purificadas e circulasse de forma moderada, talvez pudesse colher os benefícios sem sofrer as consequências.

Mas especular não era suficiente.

Ele precisava de mais.

Os dois livros que lera até agora lhe davam perspectivas de campo, o lado humano de tudo. Mas agora, Leo buscava precisão técnica— queria gráficos, registros e dados científicos que pudessem revelar mais sobre um mundo congelado no tempo de forma objetiva.

Ele queria teorias. Queria avisos para ficar atento, e, acima de tudo, queria confirmação de que outros já sobreviveram àquela anomalia antes dele.

Por isso, sem hesitar mais, levantou-se novamente e voltou aos arquivos, sua mente agora focada exclusivamente em cruzar referências.

Ele escaneou os títulos dos livros na estante com frieza eficiente, deixando de lado as memórias emocionais desta vez em favor de relatórios indexados, registros de recompensas e documentos internos da guilda com títulos informativos.

Ao final, escolheu títulos como "Efeitos Conhecidos de Mundos Congelados no Tempo", "Como Funciona a Distorção Temporal em Mundos Congelados no Tempo", "O que é mana contaminada e como ela afeta o corpo?".

Ao encontrar tudo que achou útil, começou a ler imediatamente.

Durante as próximas catorze horas, Leo não saiu do arquivo.

Sem pausas. Sem distrações. Sem movimentos desperdiçados.

Apenas ele, o farfalhar do papel e o piscar constante de seus olhos enquanto linha após linha de conhecimentos proibidos preenchia as lacunas em sua compreensão.

Alguns registros eram vagos. Outros eram científicos. Alguns eram apenas anotações rabiscadas de exploradores que não completaram suas missões.

Mas Leo leu tudo—cada rabisco, diagrama e anotação que a guilda havia preservado.

Quando finalmente levantou o olhar, as peças começavam a se encaixar.

Aparentemente, existiam várias Mundos Congelados no Tempo espalhados pelo universo.

Eles eram fragmentos instáveis do espaço-tempo que existiam em bolsas temporais desaceleradas, seladas do fluxo linear do cosmos maior.

Eram relíquias de origem desconhecida, cada uma funcionando como uma dimensão autossuficiente onde o tempo passava em ritmos diferentes, e as regras de interação da mana variavam drasticamente de um mundo para outro.

Alguns tinham pouco mais de uma largura de lua, atuando como pequenas bolsas acessíveis usadas por criminosos para se esconderem da lei.

Enquanto outros eram armadilhas mortais— labirintos psicológicos cheios de mana distorcida, gravidade irregular, fauna mutante e loops de percepção do tempo tão intensos que as vítimas perdiam a noção de quem ou o que eram.

Aquela a qual Leo fora designado?

Estava classificada entre as três anomalias mais perigosas de todo o conhecimento.

Mas mesmo assim, não era considerada invencível.

Segundo os registros compilados, os sobreviventes— embora poucos tenham sido registrados— indicaram algumas constantes que aumentavam a chance de sair vivo.

Primeiro, manter-se unido durante a fase inicial era fundamental.

O mundo não parecia atacar diretamente a força. Em vez disso, sondava o isolamento.

Aventureiros solitários, especialmente nos primeiros dias, eram frequentemente consumidos por alucinações, intoxicação de mana ou corrupção mental antes que seus skills físicos pudessem ser utilizados.

No entanto, quanto mais tempo uma pessoa permanecia lá dentro, pior ficava a dinâmica do grupo.

Chegava a um ponto, seja no décimo quinto, vintésimo dia ou até antes, que a própria presença de outros começava a desgastar a confiança.

Times que permaneciam juntos por muito tempo inevitavelmente se voltavam uns contra os outros, geralmente de forma violenta.

Assim, a estratégia mais bem-sucedida era uma abordagem híbrida.

Ficar junto no começo, quando a confusão e a desorientação eram maiores.

Depois, separar-se antes que o mundo explorasse a proximidade e semeasse a loucura.

Porém, o momento dessa separação dependia totalmente da força mental.

Indivíduos de mente forte, treinados para resistir a ilusões, pressões e distorções sensoriais, podiam durar mais tempo, pensar com maior clareza e manter a sanidade muito além do normal.

Mas os instáveis?

Aqueles que duvidavam, hesitavam ou carregavam culpa?

Eles quebravam rapidamente.

Alguns já no terceiro dia.

Leo absorvia tudo em silêncio, sua expressão indecifrável.

Havia medo nesses textos. Temor. Histórias de pessoas que suplicaram para serem deixadas para trás, que desenharam runas na própria pele para "espantar sussurros", que se estilhassaram ao invés de continuarem mais fundo.

Mas Leo não leu nada disso com receio.

Ele não recuou diante das descrições de loucura.

Não hesitou diante do risco.

Porque nada disso mudava a realidade do que precisava ser feito.

Ele não entraria no Mundo Congelado no Tempo porque quisesse.

Entraria porque era a única maneira de obter acesso à câmara que precisava.

E nenhuma alucinação, distorção ou horror disfarçado de sua própria voz impediria isso.

"Hum... Acho que posso tentar essa missão entrando no grupo do Mr. Raiden," murmurou Leo consigo mesmo, seu tom pensativo enquanto saía da biblioteca.

"Mas antes, preciso avaliar a competência do grupo em primeira mão, já que a última coisa que quero é acabar com uma equipe que tenha um guerreiro de Nível Transcendente causando perigo desnecessário, ou alguém que seja simplesmente fraco demais para sobreviver a um mundo assim."

Com isso, ele voltou rapidamente ao apartamento.

Depois de passar mais de dezesseis horas devorando cada informação disponível sobre Mundos Congelados no Tempo, Leo chegou a uma conclusão definitiva: a sobrevivência era possível dentro de um mundo congelado no tempo, desde que com a preparação adequada, resiliência mental e um grupo capaz. Contudo, não se podia tentar sem um planejamento cuidadoso.

E, portanto, decidiu que realmente assumiria esse risco, desde que tudo estivesse bem organizado.

E que iria encarar o Mundo Congelado, aceitando a missão dourada, com a equipe do Mr. Raiden— se fossem compatíveis, mas, se não, estava preparado para formar seu próprio grupo e seguir adiante na expedição, independentemente.

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