
Capítulo 262
Assassino Atemporal
Após terminar o livro, Leo ficou parado por um tempo, enquanto seus olhos permaneciam fixos na última página da autobiografia.
A caligrafia do capitão aqui era visivelmente diferente, já não parecia limpa ou organizada, mas sim errática e irregular, como cada traço refletindo os danos persistentes de uma mente que nunca se recuperara completamente, mesmo após três anos terem se passado.
No entanto, Leo não deixou que essas pequenas coisas o afetassem, pois sua mente filtrava a histeria, o horror e os alertas dramáticos, buscando apenas aquilo que realmente importava.
A principal conclusão para ele não eram as loucuras, as mortes ou a paranoia crescente descritas na autobiografia, mas sim o fato de que o Capitão havia retornado vivo e bem-sucedido de sua missão.
Mesmo que quebrado, mesmo que abalado, o Capitão Aelric Vonn havia completado uma expedição de trinta dias dentro de um mundo parado no tempo e voltado com a cabeça do alvo na mão, provando que a sobrevivência, embora rara, não era impossível.
E isso, Leo percebeu, era a informação mais valiosa enterrada em toda a revista.
Ele não se importava com dramatizações.
Não precisava de histórias de sofrimento para se convencer.
O que ele precisava eram probabilidades, limites e pontos de risco encontrados dentro do mundo, e a autobiografia tinha lhe dado exatamente isso.
Ela lhe forneceu uma linha do tempo clara.
Um limite definido para a corrupção das pedras de mana.
Um relato de primeira mão sobre o que evitar, a rapidez da descida à loucura e quais sinais observar.
Não era muito.
Mas era suficiente para mostrar que essa missão, apesar de seus perigos, poderia ser realizada.
E se a recompensa pelo sucesso fosse acesso total ao tesouro dos Serpentes Negros, então valia o risco.
Isso dito—
havia ainda muitas coisas que ele não compreendia.
Por que era tão perigoso circular a mana do mundo, mesmo que inicialmente parecesse empoderadora?
Por que absorver a mana ambiente desencadeava uma descida lenta, porém irreversível, à loucura?
Por que mesmo as melhores pedras de mana se corrompiam, independentemente de como fossem armazenadas?
E mais importante, como assim trinta dias no interior equivaliam a apenas oito horas no mundo real?
Leo franziu levemente a testa ao olhar novamente para a autobiografia lacrada, cujas últimas palavras do capitão estavam gravadas como cicatrizes no pergaminho.
Eles lhe tinham contado o 'o quê'—
mas não o 'porquê.'
E, se ele fosse entrar em um mundo onde a lógica se distorcia e o tempo se dobrava, entender a mecânica de tal mundo não era uma opção.
*Deslizamento*
*Passo*
Leo se levantou sem dizer palavra, retornando à mesma estante de onde pegara o primeiro livro, agora examinando os títulos com mais atenção.
Após um momento, seus dedos repousaram sobre um volume mais fino, muito menos formal, com a capa escrawleda com uma confiança quase preguiçosa.
"Entrei em um Mundo Parado no Tempo para meditar por 30 dias. Veja o que descobri."
A caligrafia era mais áspera, a tinta parecia mais nova, e a capa não tinha a severidade do último volume, mas Leo não buscava emoção—
ele buscava insight.
Se o primeiro relato mostrou os sinais de alerta, talvez este lhe desse a ciência.
Os padrões.
As respostas.
Um pouco mais de conhecimento sobre o que esperar e quais perigos, enquanto Leo se sentava imediatamente para ler.
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Nota do Autor :
Meu nome é Varn Elric. Sou um Assassino de Nível Mestre, membro da Guilda das Serpentes Negros, e este diário serve como registro da minha experiência de meditação em um mundo parado no tempo.
Em dois dias, uma missão de equipe de Código Verde deve começar na guilda, e embora eu queira participar, como sou apenas um guerreiro de nível mestre, não estou qualificado para isso.
A missão exige que o agente seja um Assassino de Nível Grande-Mestre ou superior, e ainda estou a uma parede de conquistar esse avanço.
Então, decidi arriscar.
Com a aprovação do meu superior, resolvi entrar em um Mundo Parado no Tempo, planejando passar exatamente trinta dias lá dentro, o que equivale a oito horas no tempo real.
Planejo usar esse período de dilatação temporal para superar a barreira, alcançar o nível de Grande-Mestre e assim poder participar da missão no prazo.
Além disso, meu superior prometeu uma recompensa de 50.000 MP se eu voltar vivo com um relatório detalhado por escrito.
E assim, faço meu registro.
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Página 1: Sobre a Entrada e a Natureza da Mana
Assim que cheguei, tive certeza de que fiz a escolha certa—pelo menos por enquanto. A mana neste mundo é densa, muito mais do que a que respiramos ou circulamos no universo exterior. Cada respiração parece carregada. Cada movimento desliza com mais suavidade.
Meditar aqui é como mergulhar numa corrente líquida de energia pura. Meus pensamentos se alinham mais rápido, e a taxa de absorção da mana ambiente aumentou cerca de 30 a 40% em relação ao meu recorde anterior em ambientes padrão.
Para usar uma analogia grosseira: é como acender uma lanterna de fogo com uma pedra de mana de baixa qualidade no mundo real, em comparação a iluminar com um núcleo de alta qualidade aqui. A diferença é inegável.
Sinto-me poderoso. Sinto-me claro. Sinto que posso romper as muralhas que tenho à minha frente.
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Página 2: O Custo por Trás da Superfície
Mas poder vem acompanhado de um preço.
A mana aqui é forte, sim. Mas não é limpa. Há algo azedo nela, algo que torna cada ciclo um pouco mais pesado que o anterior. A cada hora, percebo uma sensação de viscosidade que se prende aos meus circuitos de mana, como resíduo que insiste em não sair.
Meditar aqui é como injetar um estimulante. A onda de energia é imediata, o progresso é visível, mas há danos escondidos abaixo da superfície.
Sinto que a elasticidade dos meus caminhos de mana, de expandir e contrair conforme a carga varia, está sofrendo.
Quanto mais medito, mais percebo essa rigidez se estabelecer. A camada interna lisa dos meus circuitos agora parece áspera, granulada, como pedra riscadas pelo atrito da areia.
Estou avançando. Mas sei que estou pagando um preço.
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Página 3: Dia 7 - Ponto de Ruptura
Já se passaram sete dias. E eu não sei quanto mais aguentarei.
Ao fechar meus olhos agora, ouço vozes—às vezes cochichando, outras gritando. Tento focar, mas o silêncio deixou de ser silêncio. Ele pulsa. Pode perfurar. Torce.
Meditar, que antes era meu refúgio, agora parece um campo de batalha. Estou perto—muito perto de uma ruptura—mas toda vez que entro em transe, vejo coisas que não deveria. Sinto coisas que arranham a minha razão.
Este lugar não quer que eu tenha sucesso. Quer que eu quebre.
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Página 4: Ruptura e o Preço do Poder
Consegui.
Rupturei.
Mas quase morri por isso.
Menos de dez minutos após cruzar o muro rumo ao nível de Grande-Mestre, fui atacado por três bestas que pareciam materializar-se do nada. É como se esse mundo, no momento em que você evolui, já o marque com uma reação.
A luta me deixou todo ensanguentado e ferido. Venci, mas perdi algo também.
Meus circuitos de mana—they não são mais os mesmos. Sua flexibilidade desapareceu. A rigidez se tornou permanente. Quando tento ciclar mana na capacidade máxima do novo nível, minhas paredes incham e resistem, e uma dor aguda atravessa meu corpo.
Se eu for mais longe, eles irão romper. Eu sei disso.
Então, sim, estou mais forte. Mas também estou quebrado.
Meu potencial foi estancado. Meu futuro, comprometido.
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Conclusão
Que este registro seja meu último aviso.
Não tente meditar dentro de um Mundo Parado no Tempo, a menos que esteja disposto a sacrificar seu futuro a longo prazo por um ganho de curto prazo.
Sim, você pode subir de nível. Sim, pode voltar um nível superior.
Mas o preço não é apenas dor. É uma deficiência permanente.