
Capítulo 265
Assassino Atemporal
(Apartamento do Leo, anel externo de habitação, Planeta Dente Gêmeo)
Leo estava sentado de perna cruzada no centro do seu apartamento, com as luzes apagaradas e o ambiente silencioso, salvo pelo suave ritmo pulsante do seu coração no peito.
A única coisa à sua frente era um manual de meditação grosso, encadernado em couro, envolto em camadas de pergaminho selado com mana, uma réplica copiada do lendário guia de meditação conhecido como [Códice das Sete Revelações].
Ele o havia adquirido dias atrás. E, mesmo assim, até então, havia adiado a conexão com ele.
Seja por instinto, incerteza ou pelo simples peso de saber da dificuldade de dominar esse manual, Leo vinha procrastinando há algum tempo, mas agora, não podia mais adiar.
Seu corpo já estabilizara no reino de Mestre-Arquiteto e era chegada a hora de começar a trilhar o caminho para se tornar um guerreiro de nível Transcendente.
Assim, com uma respiração silenciosa, Leo levou o polegar até a borda de uma adaga e deixou que seu sangue formasse gotas na ponta.
Depois, pressionou firmemente contra o sigilo gravado na capa do manual.
*Pingo*
Quando o sangue tocou a superfície, o manual respondeu.
Uma onda de pressão emanou enquanto o livro se levantava sozinho, suas páginas agitadas como se fossem sopradas por uma brisa fantasma.
Um turbilhão de energia girava ao redor da sala, enquanto fios de mana começavam a conectar o manual ao corpo de Leo, penetram no seu reservatório de mana como raízes bebendo de uma fonte enterrada.
E então—
Começaram a aparecer as palavras.
Uma escrita elegante surgiu brilhando na primeira página, escrita com mão firme e graciosa, que queimava em dourado, como se fosse recém-injetada com luz.
"Aos que ousarem aprender este códice," começavam as palavras. "Sou Kaelith, um homem que já foi mortal, mas agora é divino."
"Criei este manual não para mostrar aos jovens guerreiros como aprimorar seus corpos, nem para ajudar a ampliar seu reservatório de mana, mas sim para que vocês possam realmente aprender a 'ver' neste universo amaldito."
"O universo não esconde nada de quem sabe fazer as perguntas certas. E, para dominar este manual, vocês também devem fazer o mesmo."
"Subi na escada do poder e só descobri a verdadeira intenção por trás das ações das pessoas após me tornar um Semi-Deus. Mas agora ofereço esta oportunidade a vocês, mortais, e, se conseguirem trilhar esse caminho com disciplina, talvez possam ir além até mesmo de mim."
"Este é o Códice das Sete Revelações. É meu presente para todos que me admiram e desejam se tornar como eu. No entanto, aviso: esse método não se domina sozinho."
"Seus segredos não podem ser decifrado na escuridão."
"E somente abrindo os olhos e observando o universo você poderá aprender o que ele realmente deseja mostrar—"
Leo estreitou um pouco os olhos enquanto as próximas instruções começavam a se formar sob o prefácio.
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"Comece puxando seu mana do seu reservatório próprio. Não o circule por todo o corpo. Em vez disso, direcione-o suavemente para os seus olhos—não de forma agressiva, mas com paciência.
Concentre essa energia aí. Ancore-a atrás das pupilas. Faça seus olhos se tornarem o ponto de conexão. O mundo que você percebe deve passar por essa lente.
Quando o mana estabilizar atrás dos seus nervos ópticos, não recue para o silêncio. Vá para fora. Caminhe entre os vivos. Testemunhe raiva. Alegria. Traição. Convicção. Observe o mundo e deixe que os estímulos ensinem você.
Permita que a intenção seja sua instrutora.
A primeira etapa é simples: Reconheça a intenção emocional observando as cores. Isso é tudo. Se você não consegue nem fazer isso, é um lixo que não merece dominar essa técnica.
Progredir neste códice não é medido em tempo. É medido em compreensão. E a compreensão é conquistada através da experiência.
Por ora, sua tarefa é apenas observar, refletir, suportar e repetir."
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Leo olhou por um longo momento para a escrita brilhante. Não havia quaisquer gráficos de circulação, diagramas de postura, padrões de respiração. Nada familiar, que estivesse acostumado a ver em manuais tradicionais de meditação.
Somente uma orientação:
Deixe que o mundo ensine você.
Ele respirou fundo novamente, mais lentamente desta vez, fechou os olhos brevemente e começou a puxar seu mana interno, guiando-o lentamente até seus centros ópticos.
Quando o fluxo se estabeleceu atrás de seus olhos, ele sentiu uma sensação de calor começar a se formar. Não foi dolorido, mas certamente desconfortável ter mana acumulada bem atrás de um órgão tão sensível.
No entanto, como era o que o manual exigia, ele seguiu em frente mesmo assim.
E então, ao reabrir os olhos, ele meio esperava que o mundo ao redor tivesse mudado.
Esperava ver cores nunca antes percebidas ou uma confusão de intenções pairando ao seu redor, mas não viu nada disso.
Seu entorno permanecia igual, e sua visão não parecia mais nítida, o que o deixou desapontado, franzindo a testa em frustração.
"Nossa, que anticlimático—" murmurou consigo mesmo, levantando-se e caminhando em direção à porta, seguindo as instruções do manual e decidido a sair ao mundo, na esperança de que talvez, ao se aventurar fora do apartamento, pudesse encontrar algo que não conseguisse enxergar dentro de casa.
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Leo percorreu todo o anel externo de habitação com mana ainda suavemente pulsando atrás de seus olhos.
Ele observou tudo.
Passou por varandas abertas, onde crianças de guilda riam e brigavam por cascas de fruta.
Parou em uma barraca de comida na esquina e assistiu o comerciante discutindo com um cliente sobre o preço, mas a discussão não revelou nenhuma sombra oculta, nenhum sinal de raiva fervendo, mesmo com cores vibrantes.
Ele passou por vielas lotadas, entrou em jardins de meditação silenciosos, até na praça principal do setor civil… e nada mudou.
Não viu distorções, nem anomalias, nem camadas escondidas, enquanto o mundo ao seu redor permanecia exatamente igual.
Mesmo ao prestar atenção—de verdade—às sutis mudanças na postura das pessoas, no movimento dos olhos, nas gesticulações de frustração ou tensão… tudo parecia normal.
Sem melhorias. Comum.
E mesmo ao, de alguma maneira, encontrar um casal de adolescentes trocando um abraço apaixonado, esperando que uma explosão de alegria se manifestasse em tons de violeta ou dourado ao redor deles, ele não viu nada.
Pois, independentemente da emoção, ele não percebeu nada que, segundo o manual, deveria estar ali.
'Será que esse manual é realmente aquilo que afirma ser?' Leo se perguntou, duvidando se tinha comprado um engodo.
Será que Kaelith realmente dominou alguma coisa… ou isso era só filosofia vazia vendida como misticismo?
Quanto mais caminhava, mais questionava. Não só o manual— mas sua própria decisão de dominá-lo.
Porque tudo que o manual prometia inicialmente era uma promessa vaga de revelação via observação… e isso não podia ser medido pelo tempo.
Por fim, ao cruzar a última extensão do anel externo e se aproximar novamente do prédio onde morava, ele soltou uma respiração lenta, percebendo que não tinha visto nada útil naquele dia.
Ele não percebeu emoções pintadas em cores, nem flashes de intenção que pudessem revelar os segredos do universo.
Chegou a duvidar, de fato, se fazer a escolha pelo [Códice das Sete Revelações] tinha sido um erro.
No entanto, apesar de ter sentido uma leve ansiedade, ele se estabilizou quase que imediatamente, compreendendo que provavelmente era cedo demais para julgar a técnica.