
Capítulo 273
Assassino Atemporal
(Mundo Congelado no Tempo, a zona de entrada, exatamente sob a fenda espacial)
A descida ao mundo parado no tempo ocorreu de forma tão tranquila quanto se poderia esperar, mas o impacto ao aterrissar foi como uma maldição.
Karl foi o primeiro a se ajoelhar, vomitando com um engasgo prolongado que ecoou na quietude.
A cinza sob seus pés ficou lisa e descolorida enquanto ele vomitava sobre ela, suas mãos tremendo enquanto limpava a baba que insistia em escorrer de sua boca.
"O ar aqui... tem gosto de ferrugem e mofo," reclamou, enxugando as lágrimas, enquanto ninguém respondia ao seu choro de vítima.
Ninguém respondeu, porque, embora não estivessem vomitando, nenhum deles se sentia completamente bem também.
O ar ao redor deles parecia incomumente espesso.
A mana no ar não se movia, diferente de lá em casa, onde circulava ou fluía livremente.
A mana neste mundo parecia grudada na pele deles, comportando-se como um pano molhado pressedo contra uma ferida pegajosa, parecendo infiltrar-se ativamente em seus corpos e misturar-se às suas reservas de mana sem que tentassem absorvê-la.
Leo ficou em silêncio, com os olhos semicerrados, observando o céu mesmo após a nave ter desaparecido.
Sua sensação era de peso maior do que o habitual, mas não por causa da gravidade do mundo, e sim por uma força estranha que ainda não conseguia entender completamente.
Até mesmo respirar neste mundo parecia exigir mais esforço do que deveria, como se cada inspiração roubasse vinte por cento de energia a mais—e, estranhamente, Leo nem considerou isso como um incômodo.
Porque, ao tentar canalizar mana pelo braço para algo tão simples quanto um movimento de músculo, notava que ela atrasava um pouco sua intenção, como se precisasse empurrar uma cortina pesada antes de responder.
'Está mais difícil fazer circular mana aqui do que lá em casa, quase como se a mana não quisesse se mover neste lugar,' pensou, sentindo uma sensação estranha ao manipular mana nesta dimensão, que o deixava mais preocupado do que uma respiração dificultada.
Contudo, ao ter lido sobre os perigos de circular mana neste mundo, ele interrompeu seus testes quase imediatamente, sem querer deixar a contaminação se acumular em seu corpo tão cedo na missão.
Enquanto isso, Patricia murmurou algo sobre o céu lhe dando náusea, enquanto Bob simplesmente levantou a cabeça, puxando uma tira de pano mais apertada no nariz, sem se importar com as reclamações.
Ao mesmo tempo, Cipher e Raiden já estavam preparando o plano de contingência, rastreando uma das caixas de suprimentos que tinham jogado para fora do jato e começando a abrir sua proteção.
*Estalo*
Raiden quebrou a caixa de suprimentos com as mãos nuas, e dentro dela encontrou, envolto em espuma de mana, um aparelho de transmissão cuidadosamente colocado, praticamente do tamanho de um sapato dobrado.
Os dois trabalharam em silêncio treinado, com Cipher estabilizando a base enquanto Raiden estendia a antena; em poucos minutos, montaram o circuito de mana e conseguiram ativar o sinal.
"Certo, ouçam bem," disse Cipher, voltando-se para o grupo. "Este farol está ajustado a uma frequência específica de mana. Todos os seus kits de suprimentos possuem um sensor que consegue detectá-la. Se nos separarmos, ficarmos perdidos ou sermos cercados, sigam o pulso e voltem aqui. Esta zona— bem sob a fenda— é nossa base de apoio."
Ele tocou o lado do transmissor.
"E, se for preciso, acendam sua sinalização de mana vermelha assim que chegarem aqui. Uma nave de resgate de guilda deve fazer uma breve patrulha aqui a cada noventa dias. Elas não vão aterrissar. Não vão esperar. Mas farão uma varredura e buscarão quem sinalizar dentro do tempo."
Patricia fez uma bolha com saliva e deixou que estourasse lentamente.
"Charmoso," ela comentou. "Ou terminamos a missão, ou ficamos aqui trancados esperando os próximos noventa dias."
"Preferível a primeira opção," disse Raiden. "Mas ambos só são possíveis se a gente não morrer antes."
O grupo ajustou seus equipamentos, sincronizando o sinal do farol com seus radares individuais, e só quando todos confirmaram que seus equipamentos estavam funcionando, passaram para a próxima fase.
"Venham nos ajudar, precisamos montar uma base de segurança ao redor dessa antena, para que não seja destruída por monstros ou qualquer outra coisa deste mundo quando não estivermos por perto—" instruiu Raiden, enquanto os membros da equipe começavam a levar uma por uma as caixas de suprimentos até a antena, abrindo-as e montando a proteção.
Leo e Bob seguravam as enormes chapas metálicas no lugar, enquanto Patricia, Cipher e Raiden apertavam os parafusos para conectar as partes.
"Sou o único a achar que este lugar parece uma separação mal resolvida?" Patricia perguntou enquanto trabalhava, com a voz baixa e com um tom estranhamente sedutor, apesar do sotaque áspero.
"Sabe… céu pesado, feio, ar que te enjoa, e nenhum homem aqui para fazer isso valer a pena. Exceto você, Skyshard," acrescentou com um piscar de olho.
"Ter muitos dias para te convencer a fazer sexo comigo pode ser a única coisa boa nesta viagem." Disse, enquanto Leo, com jeito, preferiu não responder.
*BRURGHHH*
Karl, ainda se recuperando próximo dali, após a mudança na densidade de mana, vomitou novamente, fazendo Bob franzir o rosto com irritação ao sentir o cheiro de ácido estomacal.
"Se ele não parar de vomitar logo, eu mesmo puxo as tripas dele!" avisou Bob, enquanto Karl estremecia ao ouvir essas palavras e imediatamente tentava cobrir a boca com as mãos.
"Dá uma folga ao garoto, Bob, ele é só um guerreiro de nível mestre—" Cipher falou com empatia, enquanto Bob bufava de nojo.
"Fraqueza me dá nojo…" resmungou silenciosamente, ao que Leo sorriu suavemente, pois suas palavras também faziam sentido para ele.
O trabalho de montagem avançava sem problemas, e logo chegou a hora de colocar a última placa de cobertura, quando, de repente, Leo ouviu um som sutil de arrasto vindo de trás dele.
A sua mão parou no meio do movimento, o corpo ficou imóvel enquanto ele virou a cabeça na direção da depressão rasa na crista atrás deles.
'Algo está lá—' pensou, ao estreitar os olhos e escanear o terreno em busca de sinais de ameaça, mas só viu os campos cinzas e a grama de aparência metálica.
Apesar de não enxergar nada, seus instintos lhe diziam que havia algo errado, então ele não desviou o olhar, permanecendo atento.
Por um instante, sentiu vontade de usar [Visão Absoluta] para verificar os arredores, mas hesitou, receoso de circular mana neste mundo, especialmente sem uma pedra de mana na mão para extrair mana pura.
Ao invés disso, levantou lentamente uma mão e levantou dois dedos, sinalizando discretamente para Cipher que algo não estava certo.
"O que foi?" perguntou Cipher, com tom controlado, mas alerta.
Leo não respondeu, apenas apontou, com os olhos fixos na extensão de cinza e na crista que voltou a ficar silenciosa.
Os demais notaram a mudança na postura dele e também reagiram, com Raiden sendo o primeiro a se posicionar cautelosamente.
Patricia parou de apertar os parafusos, a mão ao alcance da pistola na perna, e até Bob ficou atento, mastigando sua vara de modo mais lento, com os olhos voltados para a crista onde Leo fixara o olhar.
Dez segundos se passaram.
Depois, vinte.
Mas nada se mexeu.
"Alarme falso?" perguntou Cipher, com a voz carregada de insegurança, enquanto Leo demorou a responder.
Seus olhos permaneciam focalizados no horizonte vazio, cada instinto em seu corpo ainda em alerta, até que murmurou:
"NÃO…" com tom firme e decidido.
"Esperem…" ele disse confiante, e, quase instantaneamente—
*ESTALO!*
Poeira e cinzas explodiram ao redor.
Três criaturas surgiram da crista rasa, com escamas cinzentas, membros longos e espinhos de ossos retorcidos e saliva escorrendo.
Suas cabeças eram semelhantes a lagartos deformados, mas tinham mais olhos do que o necessário e bocas demasiado largas para seu design natural.
Essas criaturas mutantes não rugiram, nem bufaram.
Elas simplesmente avançaram de modo irracional, numa abordagem brutal e direta, e pularam sobre Karl em uma emboscada súbita.
"Hã?"
O pobre garoto nem teve tempo de gritar antes de serem atacados, mas, felizmente para ele, Leo estava lá para protegê-lo antes que as criaturas pudessem arrancar sua cabeça.