Assassino Atemporal

Capítulo 274

Assassino Atemporal

*SUSSURRO*

*ESTALO!*

As lâminas de Leo entraram em movimento antes mesmo dos lagartos atacarem por completo, as adagas gêmeas rasgando o pescoço do primeiro com precisão mortal.

Ele tentou abrir um corte profundo, mas no instante em que a lâmina tocou a pele da besta, faíscas começaram a se espalhar.

A pele do lagarto era dura demais para sua lâmina penetrar.

Tinha uma textura dura como pedra e uma densidade além do esperado, pois embora sua lâmina tivesse adquirido um pouco de carne, a aresta não conseguiu atravessar completamente.

*GRITARIA—*

A criatura gritou e recuou, seu corpo cambaleando, enquanto voltava o foco para Leo.

'Merda… é um bicho de pele resistente.' pensou Leo, sem hesitar, girando e ajustando a empunhadura, com ambas as mãos agora firmemente na peixeira de uma única adaga, enquanto seu corpo se movia com graça violenta.

Ele desviou das mandíbulas fechadas da criatura, passando a força do impulso do corpo por ele, e então se virou —

*CORTADA!*

Dessa vez, com ambos os braços impulsionando o ataque, sua lâmina encontrou ponto certo. Cortou a parte inferior do maxilar do lagarto e continuou ao longo do pescoço, cortando a traqueia e inundando o ar com um líquido escuro, viscoso.

*ESTALO!*

A fera espasmodicou uma última vez antes de desabar aos seus pés.

Mas antes que Leo pudesse sequer retomar a postura e focar nos outros monstros,

*BATIDA*

*TRINCADO*

*ESTRALHO!*

Os outros dois lagartos já haviam sido eliminados.

Bob permanecia ao lado do corpo trêmulo de Karl, com cada uma de suas mãos grossas segurando um crânio reptiliano — enquanto sangue, matéria encefálica e escamas quebradas escorriam por seus antebraços robustos.

Sob seu pé jazia os corpos inertes de ambos, como se ele os tivesse triturado com tanta força que seus crânios explodiram como fruta madura demais.

*Silêncio*

Por um breve momento, ninguém se mexeu.

Até Leo se segurou, o peito se elevando lentamente enquanto seus olhos se arregalavam diante da brutalidade do que acabara de presenciar.

Raiden, Cipher, Patricia — todos tinham suas armas em mãos, mana borbulhando na ponta dos dedos… e ainda assim, nenhum deles fez qualquer movimento.

Porque não havia mais luta a ser travada.

Bob tinha acabado com tudo.

Depois, casualmente, como se esmagar dois monstros mutantes com as mãos livres fosse algo tão comum quanto jogar lixo fora, Bob tirou um dos crânios dos dedos e murmurou baixinho:

"…Eu odeio répteis."

Karl, por sua vez, soltou um grito preso na garganta e recuou tropeçando na própria mochila, os olhos correndo de um corpo mutilado ao outro.

"Eu… quase morri—" soluçou, histérico, até ser rapidamente golpeado na cabeça pela mesma mão ensanguentada.

*TRAC!*

"Cale a boca," disse Bob.

"Para de chorar como um bicho e eu quebro seu crânio do mesmo jeito." avisou, enquanto Karl imediatamente mordia a língua de medo, sem se atrever a falar mais, balançando a cabeça freneticamente, aterrorizado.

Bob então se virou, com o olhar fixo em Leo.

Ele inclinou a cabeça levemente, mastigando com mais força o palito de dente pendurado no canto da boca.

"Você se moveu mais rápido que eu…?" murmurou, sem acusar, sem parecer impressionado, apenas perplexo.

Como se não conseguisse entender direito como alguém conseguiu ser mais rápido que ele na primeira vítima.

Leo não respondeu. Apenas concordou com um gesto, respirando com calma enquanto limpava o sangue da lâmina.

Os outros lentamente abaixaram as armas, os olhos alternando entre os corpos e Leo… e depois voltando para Bob.

Porque, naquele momento, ficou claro para todos — entre eles, aqueles dois eram, sem dúvida, os verdadeiros líderes do grupo.

Leo fez uma expressão de contrariedade interna, e a tensão começou a diminuir, seu olhar lentamente se voltando para a bagunça aos pés de Bob.

Era quase inacreditável pensar que eram os mesmos monstros que ele tinha acabado de enfrentar, pois enquanto para derrubar um era preciso timing, alavanca, ambos os braços e um ataque perfeito, Bob tinha simplesmente agarrado os crânios e os esmagado — sem mana, sem técnica, e sem hesitar.

'Ele quebrou as cabeças deles como galhos…' pensou Leo, com os olhos se estreitando. 'E eu tive que tentar duas vezes só para atravessar a pele.'

Seu pensamento voltou ao velho boato, de que Bob tinha, supostamente, destruído uma fortaleza inimiga somente com um garfo de cozinha.

E embora, naquela época, Leo tivesse considerado aquilo um exagero, agora, vendo aquele cara em ação, quase podia acreditar.

'Fera do caralho.'

Pensou com preocupação, percebendo que talvez, no final, matar Bob fosse a parte mais difícil dessa missão.

*Suspiro*

Com um último olhar para os corpos dilacerados, Leo recolheu sua lâmina, guardando-a e voltou em direção ao poste de antena.

"Vamos terminar de montar o abrigo logo. Não é inteligente ficar perto de corpos mortos por muito tempo, quem sabe o que o cheiro de sangue e medula vai atrair nesse mundo amaldiçoado—" disse Leo de forma decidida, sem que o time entre em discussão.

Patricia imediatamente se abaixou para pegar a última placa de proteção, Cipher ajustou a matriz rúnica de proteção ao redor da antena e Raiden silenciosamente reconectou os suportes finais dos cantos.

Karl, ainda pálido e tremendo, pegou a caixa de ferramentas sem precisar ser orientado — após aquela cena, não queria ser a fraqueza do grupo novamente.

Durante um tempo, ninguém falou.

Só o som suave do metal, o sussurro das tampas de mana se apertando, e o silêncio distante e inquietante do Mundo Parado ficaram no ar enquanto, nos dez minutos seguintes, o time conseguiu montar a antena de sinalização e ativar o escudo de mana protetor ao seu redor, que a protegeria de ataques de bestas irracionais descontroladas.

"Então, beleza, hora de partir em direção à Floresta da Morte, que fica a cerca de 140 quilômetros, na direção oeste.

Se começarmos a correr agora, devemos cobrir toda essa distância em cerca de um dia.

Se alguém quiser fazer xixi ou comer alguma coisa, aproveita agora, porque nossa próxima parada será após percorrer pelo menos 70 quilômetros..." disse Raiden, enquanto todos olhavam para Karl, que baixou a cabeça envergonhado, a mancha escura na calça entregando tudo que suas mãos tremulas tentavam esconder, enquanto ele cobria o rosto em silêncio mortificado.

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