Assassino Atemporal

Capítulo 276

Assassino Atemporal

(Mundo Congelado no Tempo, 31 quilômetros do ponto de entrada, Encosta de Grama Cinzenta)

O grupo ficara visivelmente mais silencioso desde que encontraram o rastro do humano corrompido.

Patrícia, que antes era brincalhona e sedutora, agora caminhava em silêncio sombrio, com a adaga na mão, baixa, enquanto o jeito de caminhar disperso de sempre dava lugar a uma cautela severa.

Karl se assustava com cada rajada de vento, quase tropeçando várias vezes enquanto lutava para manter o ritmo sem cair de cara no chão, a tensão nos ombros denunciando sua ansiedade crescente.

Os outros também não estavam mais à vontade, cada um segurando uma pedra de mana em uma mão para absorver um fluxo constante de mana limpa, enquanto a mão dominante permanecia enrolada ao redor do cabo de uma arma, pronta para atacar a qualquer momento.

A formação deles permanecia frouxamente alinhada, espalhada o suficiente para permitir liberdade de movimento, mas ainda assim unida com cautela.

Até o ar parecia mais pesado agora, pressionando-os com um peso estranho, sufocante, como se algo invisível os estivesse seguindo logo além do limite da percepção.

O rastro que seguiram por quase oito quilômetros permanecia inquietantemente consistente: pegadas de humano torcidas, cada uma acompanhada por uma pegada da palma da mão, até que, de repente, parou sem explicação.

— Que diabos? — Murmurou Raiden, diminuindo a velocidade até parar, enquanto examinava o fim abrupto do rastro com os olhos semicerrados.

À sua frente, estendia-se uma encosta baixa, rasa e estranhamente simétrica, parecendo uma elevação de grama moldada por alguma antiga convulsão da terra.

Porém, diferente das planícies infinitas que tinham passado até então, aquele trecho se destacava de forma bem marcada.

A grama cinza metálica de costume havia desaparecido completamente, dando lugar a uma cobertura densa de flores espinhosas—centenas delas, com caules curtos e pálidos, cabeças gordas e bulbosas que ondulavam de forma estranha na ar quieta, sem vento.

O solo sob elas era áspero e repleto de pedregulhos, absorvendo seus passos sem deixar qualquer pista de pegadas, o que provavelmente explicava o desaparecimento repentino do rastro.

— O rastro termina aqui — afirmou Raiden com expressão séria, agachando-se e passando os dedos pelo chão sem marcas, antes de se levantar novamente e varrer o olhar por toda a encosta coberta de flores.

— Não há mais pegadas além deste ponto.

Ele virou o rosto por um instante, os olhos afiados enquanto examinava o terreno.

— Fiquem atentos. Aqui há muitos pontos cegos, alguém pode estar nos esperando para nos emboscar por algum canto — alertou, enquanto o grupo imediatamente se preparava, ajustando as posições, os pés firmes no chão com mais intenção, os olhos atentos a cada possível ponto de emboscada.

Algo nesta área parecia incomodar seus instintos.

Era como uma armadilha bem na nossa cara.

Como assassinos, sabiam melhor que a maioria o que constitui um local perfeito para uma emboscada, e este era exatamente assim!

Se precisassem atacar alguém neste vasto campo aberto, este pedaço de terra seria o local ideal.

Aqui, as possibilidades de movimentação eram limitadas, pois o terreno espinhoso dificultava lutar ou escapar, enquanto as encostas ao redor poderiam esconder uma ameaça até o momento em que fosse tarde demais, tornando-se o lugar perfeito para uma emboscada.

[Visão Absoluta]

Leo ativou mana em seu corpo com controle treinado, acionando [Visão Absoluta], enquanto uma imagem sutil do ambiente surgia em sua mente.

Inicialmente, examinou a encosta por hábito, procurando por inimigos escondidos ou armas ocultas. Mas o que percebeu a seguir não se encaixava nas expectativas.

[Visão Absoluta] era uma técnica baseada em imagens de mana, uma habilidade perceptiva que usava pulsações microscópicas de mana para escanear o entorno e enviar essa informação diretamente ao cérebro do usuário, formando uma imagem reconstruída.

Em espaço normal, essa informação vinha em alta resolução. Cada rachadura no asfalto, cada reluzir de uma espada, cada sutil movimento de músculos, tudo aparecia nítido, quase em alta definição.

Porém, aqui, dentro do Mundo Congelado no Tempo, as imagens retornavam distorcidas.

A paisagem ao seu redor embaraçava-se e misturava-se, como uma pintura molhada deixada na chuva.

A visão não ficava completamente obscurecida ou cegada, mas parecia que o feed que seu cérebro recebia tinha sido corrompido, como se milhares de sinais desalinhados estivessem sendo jogados em seus sentidos ao mesmo tempo.

Era como tentar estudar uma paisagem através de uma lente que tinha cinco mil holofotes apontados direto nela, tornando tudo demasiado claro, inconsistente e dolorosamente saturado.

No visual externo, nada parecia diferente: as flores espinhosas balançavam suavemente, o vento carregado de cinza soprava, e o terreno sem graça se estendia como sempre.

Mas através da [Visão Absoluta], o mundo se transformava completamente.

Cada grama, cada flor torcida, até os pequenos musgos, pulsavam com uma mana tão concentrada que ofuscavam a sua própria mão segurando a pedra de mana.

O solo sob seus pés tinha veias de energia brilhante correndo por dentro, como se toda aquela área não fosse um terreno natural, mas uma bateria de mana selada disfarçada de campo.

E onde deveriam existir gradientes de energia e equilíbrio, havia apenas saturação.

Leo tentou isolar algumas regiões de baixa interferência, na esperança de identificar trajetórias de mana livres, mas até esses pontos surgiam como contornos barulhentos, quebrados por rajadas de brilho descontrolado.

Ele estreitou os olhos levemente, ajustando sua postura e diminuindo o fluxo de mana na técnica, tentando amenizar o retorno sensorial.

Porém, por mais que tentasse mapear a área ao redor, o resultado permanecia o mesmo: a [Visão Absoluta] não fornecia uma imagem limpa e utilizável.

'Este lugar... não é só carregado de mana. Está inundado dela. Corrompeu tudo que vive aqui, incluindo as plantas de grama que crescem nesta área.'

— Como as plantas ao meus pés têm mais mana armazenada do que a pedra na minha mão? — questionou Leo, apertando um pouco mais a mão na pedra de mana, enquanto um calafrio subia por sua espinha, não de medo, mas pela sensação de que este mundo funciona por regras que ninguém tinha preparado ele para entender.

'Só onde diabos eu fui parar pra aceitar vir pra cá?'— questionou, desconcertado.

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