Assassino Atemporal

Capítulo 271

Assassino Atemporal

(Planeta Dente Gêmeo, Porto de Embarque)

Leo foi o último membro da equipe a chegar ao hangar.

A nave de transporte já estava estacionada no centro da zona de decolagem quando ele chegou, e era uma aeronave diferente de tudo que ele já tinha visto antes.

Ela era de cor cinza, com sua superfície revestida por placas com runas gravadas e tinta que absorvia luz, transmitindo uma sensação de discrição e letalidade.

Parecia ser uma embarcação do tipo caça, geralmente usada para lançar membros de guildas em zonas de guerra altamente voláteis, mas hoje estava sendo usada como um simples navio de transporte.

O símbolo da Guilda Serpentes Negras brilhava próximo à cauda da nave, enquanto Leo a observava cuidadosamente antes de olhar para o grupo.

Os demais já estavam agrupados perto da rampa de acesso.

Raiden estava próximo ao centro da nave, com os braços cruzados e óculos estilizados cobrindo os olhos.

Cipher à esquerda dele, com um tablet de dados na mão, enquanto Patricia mascava chiclete e carregava um rack de armas até a embarcação.

Karl ficava nervoso ao lado de uma mochila quase do seu tamanho, conferindo suas suprimentos com dedos trêmulos, enquanto Bob encostava casualmente na aeronave, chupando seu palito de dente com a mesma expressão de indiferença de sempre.

"Você chegou na hora certa", disse Raiden ao notar Leo, enquanto caminhava até ele e entregava uma pequena bolsa espacial.

"Sua parte das suprimentos. Comida, mantimentos, roupas extras, duas sinalizações de mana de emergência e um transmissor reserva para localizar a entrada", explicou Raiden, enquanto Leo abria a bolsa rapidamente, verificando seu conteúdo e, em seguida, prendendo-a ao cinto com um breve aceno de cabeça.

Não houve mais palavras; todos entraram na nave.

Ao se acomodarem, o interior se fechou com um sussurro e os motores começaram a funcionar com um ronronar suave e baixo.

A nave logo levantou voo, subindo suavemente pelo fuste vertical antes de acelerar em direção à atmosfera, iniciando oficialmente a jornada rumo ao Mundo Congelado do Tempo.


Após alguns minutos, Cipher se levantou de seu assento, segurando um tablet preto fino.

"Tudo bem, atenção. Precisamos passar algumas informações", disse, projetando um mapa tridimensional no centro da aeronave com um projetor de mana embutido na placa do chão.

Na tela, apareceu um desenho quase esquemático de um terreno distorcido, massas de terra irregulares, ilhas flutuantes e regiões sombrias incertas, pairando no ar.

"Este mapa foi feito pelo Monarca Dupravel Nuna durante sua última expedição ao Mundo Congelado do Tempo. Os arquivistas da guilda deram uma refinada no rabisco dele e transformaram em algo parecido com um guia topográfico funcional."

Ele apontou para um ponto central.

"Este é nosso ponto de entrada. O terreno ao redor é instável e muda rápido, mas pode ser considerado semi-estável comparado ao resto do mundo, pois nossos maiores problemas começam daqui", explicou, indicando uma região de floresta cheia de árvores.

"A floresta da morte é onde as coisas começam a ficar realmente assustadoras, porque tudo ali quer te matar, seja a vegetação ou as criaturas..."

"Precisamos basicamente achar uma forma de sobreviver a isso, seguir até as ilhas flutuantes, depois os bolsões escuros, atravessar uma espécie de cadeia de montanhas e, por fim, chegar ao nosso destino, que seria algum tipo de castelo antigo... Ou pelo menos, é o que esperamos?", Cipher falou, com uma expressão incerta, balançando a cabeça e tentando passar rapidamente pela dúvida.

"O castelo é onde devemos encontrar uma liga de metal rara e indestrutível, e o objetivo de toda essa missão é entrar lá e pegar essa liga—" Cipher falou lentamente, garantindo que todos entendessem bem cada palavra.

"Segundo o briefing que a guilda me passou antes de começarmos, devemos recuperar cerca de 2 quilos da liga, ou o máximo que conseguirmos, e nossos prêmios serão aumentados se trouxermos mais de 2 kg", continuou Cipher, enquanto Patricia assobiava baixinho, impressionada com a quantidade.

"Todo esse esforço por uma pedrinha brilhante. Se ao menos alguém se esforçasse assim pra fazer um anel de casamento pra mim... Porque, se fizesse, talvez eu dissesse sim e me estabelecesse... mesmo que fosse só por alguns dias", falou, piscando para Karl, que corou até as orelhas.

"Metal indestrutível deve ser algo que dá pra fazer uma espada que nunca fica sem corte, né? Deve valer uma fortuna", murmurou Karl, tentando esconder o constrangimento, mas ninguém respondeu, deixando-o ainda mais sem graça.

"A guilda não liga para o que isso vira, só querem pegar. E é só isso que devemos nos preocupar também", concluiu Raiden, depois que ninguém quis fazer mais perguntas bobas.

O que fazer com o saque recuperado era um assunto melhor para a viagem de volta; por ora, deveriam focar primeiro em sobreviver ao mundo congelado do tempo.

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