
Capítulo 257
Assassino Atemporal
Leo cerrava os punhos sob as cobertas, seu maxilar se tensionando enquanto as palavras de Fan ecoavam dentro de sua cabeça.
Ele odiava isso.
Odiava ser forçado a decisões que nunca quis tomar, empurrado para cantos que nunca entrou de livre vontade.
Todo o seu corpo queria gritar, rejeitar a lógica distorcida que ela lhe alimentava, mas no fundo... ele sabia que não havia saída.
O culto tinha sua família, e Leo ainda não era forte o suficiente para salvá-los sozinho.
Eles o tinham nas mãos, e ele não tinha escolha a não ser cooperar.
"Você pode não saber nada sobre a profecia. Pode não entender o título de Dragão," disse Fan, sua voz calma, mas firme, "mas o destino já começou a se tecer ao seu redor."
Leo desviou o olhar, seu coração batendo silenciosamente de raiva, mas Fan continuou antes que ele pudesse falar.
"Esse culto que você atualmente não gosta… luta por sua sobrevivência. Não somos os vilões que você pensa que somos. Um grande mal está crescendo, e se não agirmos, ele vai consumir tudo. Sua linhagem não nasceu para viver em silêncio. Ela nasceu para estar no centro desta tempestade."
Ela deu um passo à frente, seus olhos fixos nos dele com uma intensidade inabalável.
"Você pode tentar desviar o olhar. Pode fingir que, se correr o suficiente, viver de forma pequena, se esconder fundo... a guerra que se aproxima não vai te alcançar. Mas vai."
A respiração de Leo ficou presa na garganta ao ouvir as próximas palavras dela, mais cortantes do que qualquer lâmina.
"Você e sua família carregam o sangue do Assassino Atemporal, e por isso só, a chamada facção Justa nunca vai deixar vocês viverem em paz."
"Vão caçá-los. Incansavelmente. Por planetas, por sistemas, por vidas, se for preciso."
Fan alertou, enquanto Leo ficava em silêncio, tentando processar tudo aquilo, mas parecia que estava se afogando.
Como se estivesse sendo forçado a respirar debaixo d'água enquanto o peso do destino pressionava seu peito.
"Você não precisa lutar pelo culto. Não precisa lutar por mim. Mas precisa lutar. Porque, se não fizer isso, perderá tudo, se não agora, mais tarde." disse Fan, cruzando os braços e dando um passo para trás, sua voz suavizando um pouco.
Enquanto suas palavras se estabeleciam, Leo sentiu sua raiva começar a vacilar.
Ele não gostava de nada disso — nem da situação, nem da pressão, e certamente não da ideia de que o destino ou alguma sina pudesse determinar o rumo da sua vida. Mas, pelo peso na voz de Fan, pelo jeito que seu olhar nunca vacilava, ele podia perceber que aquilo era maior do que ele... talvez muito maior do que tudo que já tinha conhecido.
E assim, engolindo o orgulho e deixando de lado seu instinto mais básico de rebeldia, tomou a decisão mais sensata pela primeira vez.
*Suspiro*
Exalando lentamente, olhou nos olhos dela.
"Entendido," disse. "Me conte tudo. O que é realmente esse culto? Qual é esse tal de título de Dragão que você fala tanto? E o que você quis dizer com uma grande guerra se aproximando?"
Enquanto ela assentia, Mu Fan fez o possível para explicar a Leo a situação exata em que ele se encontrava.
"Os seres supremos deste universo são chamados de Deuses," começou Fan, sua voz calma, porém vibrante, como se cada palavra carregasse o peso da história.
"Eles são imortais, intocáveis e eternos— além do alcance do tempo, da morte ou da decomposição.
Nenhuma lâmina mortal pode atravessá-los, nenhum feitiço mortal pode feri-los, e nenhum mortal consegue sobreviver a eles."
Ela fez uma pausa, deixando o silêncio pesar antes de continuar.
"Mas essa invencibilidade… Alimenta a arrogância. Transforma a divindade em tirania."
Seu olhar se direcionou para a janela, como se visse além dela.
"Há três mil anos, o universo era um lugar diferente. Mais sombrio. Mortalidades em inúmeros planetas viviam de medo, rezando aos deuses que não podiam entender nem desafiar. Um único erro, uma oferenda atrasada, ou mesmo um pensamento desafiador podiam fazer civilizações inteiras desaparecerem de um dia para o outro."
Ela se virou para olhar novamente para Leo, olhos firmes.
"Qualquer guerreiro que ousasse ultrapassar o reino Transcendente era considerado uma ameaça… e eliminado. Sonhos eram silenciados antes de poderem florescer, pois naquela época, a ideia de justiça era só uma palavra bonita sem dentes."
"Mas foi nesse momento que nosso culto nasceu. O Culto da Ascensão. Não como hereges, não como rebeldes, mas como resistência. Como a última esperança dos mortais."
Ela se inclinou levemente, sua voz suavizando.
"Nosso fundador não era um homem comum. Ele foi o primeiro a descobrir um método pelo qual mortais podiam se unir e derrubar um deus. E não só isso—ele ascendeu. Tornou-se divino também. Não por direito de nascimento. Mas por sangue, suor, e pela vontade de proteger."
Leo sentiu seu coração acelerar.
"Eles o chamavam de Assassino Atemporal. E por mil anos, ele trouxe terror aos divinos. Um a um, caçou os deuses tiranos e os derrotou, restabelecendo o equilíbrio e a bondade num universo que havia se esquecido de ambos."
A voz de Fan tremeu, ligeiramente, ao dizer a próxima parte.
"Sob sua liderança, o Culto da Ascensão ascendeu ao comando das estrelas. Nos tornamos o corpo governante do universo conhecido, e sob nosso comando, os mortais prosperaram por alguns séculos, mas, infelizmente, isso não durou."
Seu semblante escureceu.
"Há duas mil anos… veio a Grande Traição. Os deuses sobreviventes uniram-se secretamente e emboscaram nosso criador.
E o mataram primeiro. E então se voltaram contra o culto, nos empurrando de volta à obscuridade, enquanto caíamos das estrelas para as sombras."
"E ainda assim, no nosso momento mais sombrio… encontramos esperança."
Leo piscou. "Esperança?"
Fan assentiu. "Uma profecia. Deixada pelo próprio fundador. Ela falava de um descendente, alguém nascido de sua linhagem, que surgiria e terminaria o que ele começou. Alguém que se tornaria o próximo Assassino Atemporal e vingaria sua morte."
"E esse descendente… dentro do culto é chamado de Dragão."
Seu tom suavizou novamente, porém permaneceu firme.
"Nos últimos dois mil anos, mais de quinhentos candidatos foram escolhidos. Todos eles caçados. Todos eles mortos. Porque a chamada Aliança Justa— as mesmas forças de deuses que se uniram para nos trair— temem o que essa profecia significa."
As mãos de Leo se fecharam sob os lençóis.
"E por isso," continuou Fan, "quer você queira ou não, eles virão atrás de você. Se não agora, mais tarde. Se não você, seu filho. Ou seu neto, pois essa guerra não é algo que você pode fugir… não com o sangue do Assassino Atemporal correndo pelas suas veias."
Ela deixou a ideia assentar antes de revelar a última verdade.
"A qualquer momento, o culto reconhece apenas um candidato a Dragão. Um legítimo herdeiro do legado do Assassino Atemporal, então, se você se tornar esse herdeiro… o culto deixará de preparar seu pai e seu irmão para o trono e os libertará do caminho."
Seu tom ficou quase suave agora.
"Tornar-se o Dragão é cruel. É um caminho de isolamento, guerra e sofrimento. Mas diga-me, Leo, se alguém precisa suportar isso, quem você prefere que seja? Você… ou sua família?"
Fan terminou, sua voz desaparecendo ao silêncio, enquanto Leo fechava os olhos, porque o peso de suas palavras já se instalava dentro dele, como um fardo que não podia nem recusar nem escapar.