
Capítulo 256
Assassino Atemporal
(Memórias de Leo, o laboratório subterrâneo de testes)
Apenas alguns minutos após Leo enviar o sinal de socorro.
*KABOOM*
Uma explosão violenta sacudiu o laboratório subterrâneo, enquanto grãos de areia caíam do teto e pulverizavam o chão.
Sirene de alerta de emergência começou a funcionar, e ao olhar as imagens das câmeras de vigilância, Leo conseguiu perceber que alguma organização desconhecida parecia estar invadindo a base pelo portão principal, enquanto as equipes de segurança local tentavam reagir rapidamente.
Então, de repente, as portas do laboratório se abriram com um sussurro, provavelmente em resposta ao protocolo de emergência, e dois guardas entraram em disparada com armas em punho, esperando encontrar cientistas em pânico e cobaias sedadas lá dentro — só para ficarem chocados ao descobrir Leo de pé, avançando na direção deles com uma navalha na mão.
"Derruba!" gritou Luke, pulando sobre o primeiro guarda antes mesmo dele conseguir se posicionar direito, enquanto Alia cercava o segundo, acertando uma bandeja de metal contra o capacete dele.
Leo chegou por último, cortando com a navalha roubada, enquanto o sangue dos dois homens espalhava-se pelo chão.
*Splat*
A luta foi rápida e brutal.
Os guardas eram treinados, mas não estavam preparados para uma emboscada coordenada por sobreviventes desesperados. E, assim que caíram, Leo agarrou uma das rifles, cambaleando um pouco enquanto sua visão pulsava, antes de jogá-la para seu pai, que sabia manuseá-la bem.
"Vamos sair. Agora", disse Luke, já liderando a fuga, enquanto Amanda e Elena ajudavam a sustentar Leo pelos lados até que ele recuperasse o fôlego.
Juntos, eles se esquivaram do caos, passando por patrulhas distraídas e corredores parcialmente destruídos — mas não sem resistência.
Em um corredor, tiveram que lutar contra um cobaia mutante que havia escapado do contenção.
E em outro, confrontaram reforços tentando selar os túneis, enquanto Leo lutava até o limite de suas forças, mas, infelizmente para ele, sua energia começava a acabar rapidamente.
Ele não estava em condição ideal após a transfusão de sangue, e desesperadamente precisava de um descanso adequado, mas escolheu continuar na linha de frente mesmo assim.
Sentia-se tonto e desorientado, sua força e resistência estavam drasticamente limitadas em comparação ao seu eu energizado habitual, o que o tornava mais desajeitado na luta do que de costume.
Depois de apenas duas pequenas batalhas, recebeu um corte profundo no ombro, outro na perna e uma das mais graves na lateral do pescoço, onde uma lâmina curva conseguiu arrancar um pedaço de carne.
Por fim, seus joelhos vacilaram exatamente quando o grupo se aproximava de uma saída selada por explosivos, que parecia um beco sem saída.
A última coisa que viu antes da sua visão escurecer foi uma parede ao lado deles sendo destruída por uma explosão, enquanto uma figura de cabelo vermelho atravessava a fumaça, pegou-o antes que ele caísse e o colocou sobre o ombro com firmeza.
"Me siga se quiser viver", disse Mu Fan, seus olhos varrendo a área com atenção enquanto guiava toda a família para fora em um movimento rápido e decisivo.
E tudo escureceu.
Quando Leo acordou novamente, estava deitado numa cama macia, o sol entrando por uma janela alta coberta por cortinas brancas, iluminando seu rosto.
Ao fechar os olhos lentamente, a neblina na visão foi se dissipando o suficiente para ele perceber um vasto campo verde além do vidro, pontilhado de flores silvestres que balançavam suavemente ao vento.
Porém, seu olhar logo voltou para o cômodo, onde viu Fan sentado quieta ao seu lado.
"Onde eu tô? Quanto tempo fiquei desacordado?" perguntou, com a voz seca e sonolenta.
"Você está seguro... e ficou inconsciente por mais de três dias", respondeu Fan com um suspiro suave, observando enquanto os olhos de Leo se arregalavam em incredulidade.
"Três dias? Minha família deve estar pirando. Pode avisar que eu acordei?" pediu, já tentando se sentar.
Mas Fan balançou a cabeça.
"Eles não estão mais aqui, Leo. As ações que você tomou na base fizeram de vocês todos fugitivos. Por segurança deles, tivemos que enviá-los embora."
O corpo de Leo se tensionou ao se forçar a ficar de pé, seu olhar afiado como uma adaga, fixando nela.
"Para onde enviaram? Quem você realmente é… e o que fez com minha família?"
Seu desejo de matar surgiu no instinto, mas desapareceu quase que imediatamente ao ver os olhos de Fan se estreitarem, a presença dela sozinha suficiente para congelá-lo no lugar.
Ele ficou sem ar por um momento, sentindo um medo genuíno — não pela dor. Nem por ferimentos. Mas pela pressão invisível que ela exalava, uma força que nem mesmo dragões de verdade no jogo Terra Nova Online conseguiam replicar.
"Não me teste, garoto", disse Fan com uma voz baixa, carregada de contenção. "Tenho sido paciente com você. Mas você é ingênuo demais."
Ela se levantou lentamente, passando as mãos pelas vestes ao redor dela enquanto falava.
"Desde o começo, suspeitava que você não era comum. Que havia algo divino na sua linhagem. A forma como você jogou… a habilidade proibida que você despertou, que nenhum jogador deveria tocar — isso confirmou tudo para mim. Por isso, entrei para te salvar. Por isso, arrisquei tudo."
Ela fez uma pausa, sua voz ficando mais fria.
"Mas aí você tinha que jogar tudo fora. Ignorou meu plano. Voltou para a Nave Arc como um tolo e acabou sendo pego.
Por causa disso, não só destruiu seu próprio futuro, como entregou sua família inteira — todos eles carregando o sangue do Assassino Atemporal — nas mãos de um culto faminto por ver seu próximo salvador aparecer."
Os punhos de Leo se cerraram, mas ela não terminou.
"Suas ações selaram o destino de seu irmão e seu pai.
Como tudo no seu sangue que te torna especial, também corre neles. E o Velho a quem eu reporto decidiu preparar todos vocês para o papel de dragão… separadamente."
Ela deu um passo atrás e cruzou os braços.
"Sua mãe, sua namorada e sua cunhada — estão seguras. O culto não tem interesse nelas. Estão sendo protegidas e tratadas com dignidade."
"Mas seu irmão… ele não teve a mesma sorte. O Velho mandou que ele fosse perseguido todos os dias por assassinos treinados, sem que ele soubesse que tudo aquilo era uma simulação."
"Ele viverá sua vida como um mendigo, um andarilho, sobrevivendo na rua, sempre fugindo, sempre escondido. Eles irão persegui-lo, quebrá-lo, e observar se ele consegue se reerguer."
"Até que ele fique forte o bastante para matar todos eles ou quebre além do ponto de não ser mais útil." disse Fan, expirando profundamente, com a expressão sombria.
"E seu pai… Bem, nem vamos falar dele. Você não aguentaria."
O peito de Leo ficou mais apertado ao ouvir Fan falar, uma raiva crescendo dentro de si como uma tempestade.
"Como assim eu não posso aguentar? Como assim estão torturando meu irmão?! Libertem eles! Diga onde eles estão! Eu mato todos vocês se for preciso!"
Mas antes que pudesse se mover, ela já estava ali, mais rápida que seus olhos podiam perceber, a mão cobrindo sua boca e usando força para segurá-lo.
"Escute, seu arrogante," ela disse, com os olhos fixos nos dele. "Quer salvá-los? Então pare de gritar. Pare de ameaçar. E prove seu valor."
Ela afrouxou o aperto o suficiente para que ele pudesse respirar.
"Se você quer que o culto perca o interesse na sua família… então supere-os. Torne-se o próximo dragão. Seja aquele que eles desejam."
Sua voz ficou suave, quase um sussurro.
"E, se conseguir, prometo que sua família poderá andar livre."