Assassino Atemporal

Capítulo 252

Assassino Atemporal

(Cidade Twin Fang, Quarto Residencial da Guilda Serpente Negra, Unidade 5 C)

O cristal de comunicação brilhava suavemente na mão de Leo, sua tonalidade azul intensificando-se à medida que absorvia mais e mais de sua mana para estabelecer a conexão.

Quando o fluxo de mana se estabilizou e o receptor aceitou a chamada, a projeção tremulou, então tomou forma.

A mulher que apareceu do outro lado não era mais a Instrutora Muiyan Faye da Academia Rodova.

Não vestia mais as roupas acadêmicas cuidadosas nem fazia a maquiagem meticulosamente arrumada; no lugar dela, estava Mu Fan, ruiva e radiante, vestida com o elegante uniforme tático dos operativos secretos do Clã Mu, com expressão calma e cautelosa.

"Você conseguiu?" ela perguntou sem rodeios, olhos fixos nos dele. "Foi aceito na Serpentes?"

Leo inclinou o cristal levemente, revelando as paredes simples e o manequim de treino atrás dele.

"Consegui", respondeu com frieza. "Nem pediram avaliação física ou psicológica. Aparentemente, meu nome foi suficiente para impressioná-los."

Mu Fan soltou uma risada baixa e amarga — um sorriso carregado de incredulidade e uma pitada de ressentimento.

'Ele tem ideia…

De quantos agentes do Cult — treinados, disciplinados, de tier transcendente — tentaram e falharam ao tentar se infiltrar na Serpentes Negras? Quantos operativos foram barrados na entrada por uma checagem de antecedentes que eles não conseguiram burlar, porque, embora não fossem suspeitos, não eram exatamente do perfil que a Guilda gostaria?'

E, no entanto, ali estava ele.

Aprovado sem questionamento.

Por causa da fama.

Ela balançou a cabeça, mas não deixou que o pensamento se revelasse em seu rosto.

"Bom," ela disse, suavizando o tom. "Isso é realmente bom."

Pela primeira vez em dias, ela sorriu de verdade.

"Me diga seu número de quarto. Eu irei te visitar hoje à noite."

Os olhos de Leo se estreitaram um pouco, mas ele não hesitou.

"Unidade 5C. Anel Exterior, bloco de habitação da guilda, quarto quatro."

"Tenha sua agenda livre," Mu Fan acrescentou, seu tom ficando mais sério. "Pode demorar um pouco para restaurar suas memórias."

Leo assentiu com um gesto rápido e respondeu "Entendido", enquanto a projeção piscava uma última vez e desaparecia.

Ele abaixou o cristal, ciente de que o momento da verdade estava chegando rapidamente.

Finalmente, era hora de se tornar completo novamente.

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*Batida*

*Batida*

No mesmo dia, por volta das 20 horas, Leo ouviu uma batida suave na porta.

Quando abriu, foi recebido por uma versão de Mu Fan que mal podia reconhecer.

Não estavam mais presentes as roupas modestinhas da instrutora de Rodova que conhecera. No lugar delas, estavam as túnicas escuras de colarinho alto da Família Mu, sobrepostas por tiras de couro e braceletes, cada uma segurando uma arma — punhais cruzando seu peito, agulhas de arremesso nas bainhas da coxa e uma baton preta e fina na cintura.

Ela não parecia mais uma educadora.

Parecia uma assassina pronta para a guerra.

Leo a observou de cima a baixo… e então mais uma vez, mais lentamente.

"Você está mesmo deixando de ensinar na Rodova?" ele perguntou, dando um passo para o lado enquanto indicava para ela entrar.

Fan concordou com a cabeça ao cruzar o limiar.

"Sim. Eu só dava aula para você. Agora que você saiu, não tenho mais motivo para ficar," ela disse com franqueza. "Enviei minha demissão no mesmo dia em que você foi embora."

Sem dizer mais nenhuma palavra, ela imediatamente começou a inspecionar o cômodo — verificando cantos, rodapés, frestas e assinaturas de mana tênues à procura de cristais de vigilância ou dispositivos de transmissão sonora, espelhando a varredura metódica que Leo tinha feito ao chegar.

"Está tudo limpo," ela declarou ao se afastar da parede, antes de apontar para a cama e sinalizar para Leo sentar.

*Fricção*

A etiqueta do colchão emitiu um rangido suave enquanto Leo se sentava. Ele se inclinou um pouco à frente, apoiando os braços nos joelhos, com os olhos fixos nela, uma expressão de curiosidade silenciosa enquanto um sorriso torto surgia em seus lábios.

"Vou me lembrar de alguma coisa dolorosa?" ele perguntou, enquanto Fan balançava a cabeça lentamente, mas sua expressão não exatamente o consolava.

"Sou só a guardiã," ela disse. "Eu guardo as memórias, não as emoções. Não tenho como ver o que está dentro — então não posso dizer se vão machucar."

Ela fez uma pausa, e sua voz ficou mais grave.

"Mas posso te dizer uma coisa — assim que suas memórias retornarem, você não estará calmo. Vai ficar bravo. Inquieto. Porque, assim que entender a verdade — assim que perceber o quão pequeno é um peão nesse jogo maior — vai se lembrar exatamente por que decidiu carregar esse fardo desde o começo. Por que estava disposto a arriscar tudo… pela sua família."

Leo expirou lentamente, seu sorriso desaparecendo como vapor.

Uma apreensão apertava seu peito, mas parecia abafada por algo mais profundo, algo parecido com desespero.

Estava cansado da névoa em sua mente, cansado de caçar fragmentos de identidade em memórias incompletas e instinto.

Queria se sentir inteiro de novo, mesmo que isso doesse.

Por isso, após um suspiro profundo, deu um sinal para Fan seguir adiante enquanto fechava os olhos com determinação.

Fan se moveu rapidamente e colocou a touca de recuperação de memória em sua cabeça.

Ela pressionou dois dedos ao lado, começando a alimentar sua mana no dispositivo em pulsos lentos e precisos.

"Suas memórias foram extraídas em sequência," ela disse suavemente. "Então você as lembrará na mesma ordem. Não resista. Deixe-as acontecer como um filme. Você saberá tudo o que precisa ao final."

E assim começou.

Memórias há muito enterradas começaram a emergir — subindo como fumaça de dentro de sua mente, enquanto a névoa começava a se dissipar… e a verdade começava a se revelar.

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A primeira memória clara que Leo recordou foi a de um brinquedo.

Uma pequena figura de elefante branco — desgastada nas bordas de tanto mordiscar — que ele costumava mastigar sem parar por razões que, agora, nem ele mesmo conseguia explicar.

Foi um presente do seu pai, um homem alto, forte, militar, chamado Jacob, cujas mãos calejadas sempre foram gentis ao colocar o brinquedo nas suas mãos gordinhas.

Era o mesmo elefante que ele dividia com o irmão mais velho, Luke, durante suas longas brincadeiras no tapete felpudo azul da sala. Luke fazia o brinquedo 'voar' enquanto Leo tentava pegá-lo com dedos torpes, rindo sem parar, mesmo quando caía.

Sua mãe, Elena, cuidava deles como uma deusa iluminada — sua risada calorosa ecoando da cozinha, onde preparava refeições que cheiravam a lar. O sabor dos legumes glaceados com mel, o ritmo das canções de ninar, e a maneira como ela o puxava para seus abraços suaves e apertados eram tão vívidos agora, tão dolorosamente reais, que Leo sentiu a respiração ficar presa.

Naqueles tempos, o mundo era inteiro.

O irmão o protegia como um escudo e o incentivava como um mestre.

A mãe o alimentava com amor — comida, calor, histórias. E seu pai, embora severo e raramente presente, sempre bagunçava seu cabelo antes de ir embora, sussurrando: "Cuide deles enquanto estiver fora."

Ao recordar tudo isso… uma lágrima de alegria escorreu pelo rosto de Leo com os olhos fechados, enquanto Fan o observava, satisfeita.

A infância costumava ser o tempo mais feliz e despreocupado da vida, uma calmaria agradável, antes que a tempestade da idade adulta começasse.

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