
Capítulo 251
Assassino Atemporal
(Cidade Twin Fang, Distrito da Guilda, início da tarde)
Leo passou as horas que antecederam sua reunião em um silencioso período de observação, perambulando pelas ruelas e avenidas circulares do distrito da guilda.
Ele permanecia nas sombras, não por medo, mas por hábito, enquanto seus olhos admiravam a arquitetura local— monumentos construídos para enaltecer assassinos, e murais em tons discretos de vermelho retratando mortes lendárias.
Depois, passou pelos mercados externos, onde ferreiros vendiam adagas leves e calçados que aumentavam a discrição na hora de silenciar passos, e onde uma barraca vendia luvas resistentes a toxinas ao lado de outra que oferecia doces que pareciam assustar o coração, disfarçados de guloseimas infantis.
Ninguém fazia perguntas e todos cuidavam de si próprios, pois Leo se sentia estranhamente em casa.
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(Cidade Twin Fang – Bistrô Venom Lily, 13h57)
Leo chegou ao ponto de encontro com alguns minutos de antecedência.
O restaurante tinha um visual sutil, porém elegante, iluminado por cristais azuis que cintilavam, protegido por paredes equipsadas para isolamento acústico.
A mesa 22, onde deveria encontrar-se com o senhor Raiden, ficava próxima ao canto traseiro, longe da entrada principal, formando um local ideal para uma conversa que não poderia ser ouvida de fora.
E, para sua surpresa, o próprio Sr. Raiden já parecia estar lá, aguardando por ele.
Raiden era um homem calvo, com linhas de expressão profundas causadas por risadas e um sorriso cálido, que disfarçava sua postura amigável.
Seu manto escuro e folgado criava a impressão de um comerciante ou escriba, mas Leo podia sentir a reserva em seu jeito— algo moldado por décadas de silêncio perigoso.
"Você deve ser o Leo," disse Raiden, levantando-se suavemente e estendendo a mão. "Seja bem-vindo aos Serpentes Negras."
Leo respondeu com um aceno de cabeça ao apertar de mãos, sem dizer uma palavra.
"Vi você nas finais do Circuito Interestelar," continuou Raiden, sinalizando para Leo se sentar. "E eu e todos na guilda estávamos torcendo pelo jovem mestre Darnell vencer você, hahaha, mas não podemos negar seu talento! Você lutou muito—" disse Raiden, enquanto Leo apenas oferecia um sorriso discreto e se acomodava na cadeira.
Raiden em seguida encheu dois copos com água antes de focar na conversa.
"A Serpentes é uma guilda livre," começou. "Não amarramos nossos membros. Em qualquer ano civil, você só precisa completar duas missões de sua escolha para manter sua vaga ativa. E não há missões obrigatórias de implantação ou ordens de suicídio que deva seguir."
Leo levantou uma sobrancelha, demonstrando interesse moderado.
"Há um quadro público de missões atualizado diariamente," continuou Raiden, "com cada tarefa claramente marcada quanto ao risco e à recompensa.
Nossa maioria—95% do que fazemos aqui—é assassinato—do tipo limpo, sem rastros e discreto.
Recuperação de objetos e sequestros são raros, mas representam os remaining 5%.
E quanto a escoltas e trabalhos em masmorras? Não mexemos com esse tipo de coisa aqui."
Leo assim absorvia cada palavra.
"A guilda oferece alguns benefícios aos seus membros, como descontos em armas, venenos, materiais de mercado negro. E, mais importante, um quadro de missões que nunca se esgota. Você nunca vai ficar sem trabalho aqui."
Raiden recostou-se na cadeira.
"A maior parte de nós trabalha sozinho. Essa é a norma. Mas, se a guilda estiver ameaçada? Você verá milagres, pois os solitários se unem e se tornam legiões em questão de horas.
Quando Darnell Nuna foi sequestrado, centenas de milhares se ofereceram para ajudar. Essa é a nossa conexão. Não obediência, mas lealdade."
Ele deu uma golejada no copo.
"E nossa reputação no universo é sólida como rocha.
O motivo de ninguém nas galáxias externas ousar tocar uma Serpente Negra é porque a consequência nunca é só uma lâmina. Se um de nós morre em uma missão—outros três são enviados, como mensagem clara: sucesso é inevitável, e o preço por matar uma serpente será devolvido na mesma moeda."
A expressão de Leo permaneceu impassível, mas uma centelha de aprovação passou por seus olhos.
Raiden sorriu.
"Por ora, você é livre para fazer o que quiser. Sem pressões. Mas, se precisar de alguma coisa—qualquer coisa mesmo—procure-me. Sou seu ponto de contato durante o seu primeiro ano na guilda."
Ele fez uma pausa e acrescentou: "E se estiver com vontade de algo perigoso… vou liderar uma expedição em sete dias. Grandes riscos. Recompensas maiores. Você tem seis dias para decidir se entra."
Leo olhou nos olhos dele e fez uma reverência respeitosa.
"Vou pensar com calma."
"É isso. Sinta-se à vontade para visitar a sede e o refeitório da guilda, onde a maioria dos veteranos tem uma mesa fixa, onde costumam ficar.
Ah, e não esqueça de passar na sala de missões… Veja se há algo do seu interesse lá.
Você só precisa completar duas missões ao longo do ano, podendo ser de qualquer dificuldade, a escolha é sua.
Geralmente, não expulsamos membros por missões fracassadas, mas o ideal é manter uma taxa de sucesso de 75% ou mais, pois isso influencia sua avaliação na temporada de bônus.
Sinceramente, espero que aproveite seu tempo aqui!" disse Raiden ao se levantar para sair, com Leo fazendo o mesmo.
Os dois apertaram as mãos, e Raiden deixou um punhado de dinheiro na mesa, embora ambos só tivessem pedido água, antes de sair rapidamente, sem ficar para mais conversas.
'Pessoal, essa é a minha vibe—' Leo pensou após Raiden partir, pois, ao contrário do refeitório Rodova, o ambiente dentro do Bistrô Venom Lily era completamente diferente.
Além da música instrumental muito suave ao fundo, evitando a privação sensorial, não havia nenhum som na sua vizinhança, pois todos os convidados pareciam estar jantando em silêncio absoluto, sem bisbilhotar o prato do vizinho.
Até Raiden, que falava com amabilidade, parecia interessado em evitar conversa fiada; após dizer o que precisava, saiu sem cerimônia, mostrando como os pessoas por aqui eram pragmáticas.
Como esse era exatamente o tipo de público que Leo aprova, ele não conseguiu conter um sorriso suave ao sair do restaurante, pois, embora sua entrada na Guilda das Serpentes Negras fosse puramente para recuperar suas memórias, ele começava a imaginar que poderia ficar ali por um tempo, se não tivesse nada urgente na agenda.
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Após terminar sua reunião com Raiden, Leo começou a procurar seus alojamentos na ringue externo, onde lhe foi designada uma residência como a de todos os novos recrutas.
Seu alojamento ficava no quinto andar de um prédio de tijolos modesto, entre um comerciante de armas e um dojo de meditação silenciosa.
Os corredores eram limpos, porém simples, e seu quarto, Unidade 5C, era igualmente discreto, contendo apenas uma cama, uma mesa reforçada à prova de mana, um manequim de combate na parede e um armário com duas roupas de banho da guilda reserva.
Depois de colocar sua mala no chão e trancar a porta de entrada, primeira coisa que Leo fez foi vasculhar o apartamento em busca de cristais de vigilância ou sensores de transmissão de voz; no entanto, nada do tipo foi encontrado.
As Serpentes Negras pareciam não monitorar seus membros, fazendo de seu apartamento um ambiente seguro para chamar Muiyan Faye de casa.
'Espero que ela telefone…' pensou Leo, enquanto recuperava o cristal de comunicação que Faye lhe dera antes de partir de Rodova e suavemente injetava seu mana nele, até que a esfera de cristal começasse a brilhar em azul.