
Capítulo 250
Assassino Atemporal
(Planeta Dente Gêmeo – Doca Exterior, 10h15)
O transbordador fez um ruído ao abrir suas portas, revelando a área de pouso de areia fina do terminal de chegada central do Planeta Dente Gêmeo.
*Passo*
Leo saiu sem dizer uma palavra, ajustando as tiras da mala fina sobre o ombro enquanto observava a paisagem urbana à sua frente.
A cidade foi construída como um templo, com a Sede da Guilda das Serpentes Pretas se ergendo ao centro como a joia principal de uma coroa.
Uma estrutura circular esculpida em pedra vulcânica, com veios de prata e motivos de serpentes gravados ao longo de suas torres externas.
De longe, não parecia apenas mais um prédio comum.
Pelo contrário, parecia um símbolo de poder. Uma prova da grandeza da guilda das Serpentes Pretas.
Envolvendo a sede central, como vassalos leais, estavam os demais edifícios de Twin Fang City: os complexos de hospedagem, tavernas, armarias, salões de meditação, forjas e salas de tática — todos projetados para sustentar a guilda e seu vasto exército.
Os anéis internos eram reservados aos membros da guilda e convidados de alto nível. As zonas exteriores abrigavam profissões auxiliares: ferreiros, alquimistas, cambistas de arenas e cafés comandados por civis que vendiam macarrão caro para jovens guerreiros impressionáveis.
Leo caminhava com tranquilidade, seu olhar percorrendo tudo, mas sem se deter em nenhum lugar.
Ele não estava ali para explorar.
Estava ali para infiltrar.
Seu destino era um edifício menor, que ficava modestamente de lado na fortaleza principal: uma torre de cinco andares feita de metal polido e vidro, com uma fila longa de aspirantes se estendendo ao redor de sua base.
O Escritório de Novos Recrutas.
Um lugar onde guerreiros de todo o universo ficavam na fila, com sonhos nos olhos e desespero no sangue.
Claro, quase todos seriam rejeitados.
9.999 de cada 10.000. Essa era a estatística.
As Serpentes não aceitavam apenas os fortes, mas os elite e úteis.
E essa definição raramente incluía meros aspirantes.
Leo entrou na fila silenciosamente, ficando atrás de um alienígena enorme, parecido com um urso, ajustando as tiras de sua armadura. Sua presença chamou alguns olhares; alguns reconhecendo-o, se aproximando animados para pedir autógrafo. Contudo, Leo os afastou com um olhar frio, até mesmo colocando a mão na cara de alguns que ousaram se aproximar demais.
Exatamente às 10h45, um painel pequeno no topo piscou de azul.
"Leo Skyshard — favor proceder para a Sala 2B." Disse uma voz feminina ao mesmo tempo em que ele entrava.
O entrevistador levantou os olhos dos seus arquivos holográficos e paralisou.
Seus olhos se arregalaram. Sua boca se abriu levemente. Ele piscou — uma, duas vezes — antes de soltar:
"Você? Você? É o Leo Skyshard? De Rodova?! O guerreiro mais promissor da jovem geração?! O que está fazendo aqui?"
Leo ofereceu um sorriso discreto, não por cortesia, mas por cálculo.
"Estou aqui para servir", disse calmamente, colocando seu diploma provisório e portfólio de combate na mesa.
"A guilda está numa encruzilhada. Sei da situação da guilda e de como todos estão desesperados para encontrar o filho do mestre da guilda, Darnell Nuna, e quero fazer parte desses esforços.
Estive lá quando Darnell foi sequestrado e é só por causa dele que estou vivo hoje.
Tenho uma dívida de honra com ele, e é por essa razão — e somente por ela — que decidi encurtar meus estudos e entrar na Serpentes, para contribuir para que essa guilda volte a ser grande."
O entrevistador o encarou, quase tremendo.
"Isso… isso é muito nobre da sua parte. Inacreditável, até. Um astro em ascensão vindo da Academia Rodova querendo ostentar nosso símbolo?" Ele deu uma risada nervosa. "Eu — hum — nem preciso fazer perguntas. Isso já é um sim. Com certeza. Aprovado."
Ele carimbou uma etiqueta vermelha com a palavra 'APROVADO' na ficha de Leo com entusiasmo excessivo.
"Normalmente," continuou, mexendo nos papéis de maneira desajeitada, "um candidato precisa passar por avaliações psicológicas e exames físicos antes da aprovação final. Mas no seu caso... duvido que precise. Ainda assim, meus superiores tomarão a decisão final. Espere do lado de fora — se necessário, eles chamam para testes adicionais."
Leo acenou com a cabeça e saiu da sala com a mesma expressão neutra que entrou, permanecendo calmo, preparado e sem esconder emoções.
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(Cidade Dente Gêmeo – Soco de Recrutamento, 11h15)
Ele esperou.
Cinco minutos.
Dez.
Quinze.
Sem alarme.
Sem desafio.
Sem chamada.
Às 11h32, um funcionário da guilda se aproximou com um pacote lacrado.
"Leo Skyshard?"
Ele assentiu silenciosamente.
"Parabéns. Aqui estão suas roupas de guilda, crachá de identidade, comprovante de hospedagem e cronograma de orientação."
Ela entregou o pacote e sorriu, talvez o primeiro sorriso genuíno que ele recebeu desde sua chegada.
"Seu superior imediato é o Sr. Raiden. Ele pediu para te encontrar para o almoço hoje às 14h. Vai te orientar sobre suas funções, políticas da guilda e expectativas. Até lá, você está livre para explorar Twin Fang City."
Leo pegou o pacote e deu um leve aceno de cabeça.
A roupa de assassino, padrão da guilda, era mais pesada do que parecia.
Embora o crachá parecesse feito de platina não reativa — mantendo seu brilho e lustro mesmo após anos de uso.
Internamente, Leo ficou feliz por não ter sido convocado para avaliações psicológicas ou testes físicos; embora não tivesse medo de qualquer exame físico, era bom saber que sua reputação o antecedia e que não precisaria realizar ações comuns aos civis.
'Bom... Parece que a fama realmente tem suas vantagens,' pensou Leo, enquanto retornava para a cidade.
Assim como sua reunião com o Sr. Raiden, marcada para as 14h, ele tinha apenas tempo nas próximas duas horas, sem nada importante para fazer.
'Vou entrar em contato com a Faye assim que terminar com o Raiden.'
Agora que era oficialmente membro da Guilda das Serpentes Pretas, ela deveria devolver suas memórias desaparecidas para ele — pensou Leo, dando uma risada ao imaginar o quanto Faye foi extrema ao tentar protegê-lo de uma avaliação psicológica. No fim, ele percebeu que nunca precisou de tal ajuda, afinal.