Assassino Atemporal

Capítulo 219

Assassino Atemporal

A respiração de Leo hesitava ao entrar e sair, o sangue acumulando-se pesadamente atrás dos dentes, enquanto o mundo parecia ficar borrado nas bordas — oscilando entre o foco e o desfoque, como uma câmera tentando manter a imagem nítida.

Seus joelhos cavavam na terra. Seu corpo tremia sob seu próprio peso. Seus dedos agarravam a barra do manto do inimigo — não como um guerreiro se preparando para o próximo ataque, mas como uma coisa machucada, destruída, que mal se agarra à consciência.

Ou pelo menos, era assim que parecia.

E isso, pensou Leo, era exatamente o objetivo.

Porque, embora seu corpo estivesse de fato destruído, e seus pulmões gritassem por ar a cada respiração, sua mente — sua arma mais perigosa — nunca estivera mais afiada.

[Indiferença do Monarca] atenuava a dor e desacelerava seu pânico, permitindo que pensasse com a mesma maldade calma e calculada que acabara de usar para vencer no Circuito.

E agora, com uma lâmina pressionada na nuca e o universo pronto para lamentar sua perda… ele calculava que a única saída dessa confusão era usar a técnica proibida que prometera nunca empregar em público.

'Não sei se vai dar certo ou não.

Não faço ideia de quão doloroso vai ser —

Nem sei se vai fazer um guerreiro transcendente recuar, ou se só vou parecer idiota por tentar… Mas é minha única saída —' pensou Leo, sua visão se estreitando enquanto ajustava discretamente o ângulo dos dedos.

A manobra que planejava usar era uma que aprendera meses atrás, enquanto recebia uma injeção de despertar genético.

Era um movimento perverso, não criado para matar ou mutilar, mas para cometer atrocidades indescritíveis contra homens e mulheres.

Porém, embora fosse eficaz contra ambos os sexos, especialmente contra homens — tinha como objetivo humilhar. Incapacitar. Destruir a vontade de lutar de um homem num único instante.

Uma habilidade proibida, segundo os mais rígidos códigos marciais, chamada — 'Quebra-Testículos'.

O próprio nome do movimento já era motivo suficiente para zombarias, caso fosse pronunciado em voz alta, tanto que nunca o utilizara em público.

Mas agora… aquela vergonha? Aquele constrangimento?

Não importava.

Porque, ficar com vergonha ainda era melhor do que estar morto.


*Deslocamento —*

Leo moveu a pegada no inimigo, agora com os braços segurando o manto perto da coxa interna, enquanto olhava para cima, tentando parecer uma figura patética e indefesa.

"Você sabe o que machuca mais um homem do que ser morto?" perguntou nesse momento, o sangue espirrando de sua boca enquanto falava, e Jishan sorriu de forma maldosa diante das palavras.

"O quê?" ele perguntou, fazendo uma última provocação antes de acabar com Leo, enquanto Leo fechava os olhos e sorria… até reabri-los, olhando para a câmera, e dizendo:

"Vou te mostrar o que—"

Antes de ativar a técnica [Quebra-Testículos].


—-------------

Os braços de Leo se moveram com o pouco de velocidade que ainda tinham, felizmente, ele estava próximo demais do adversário para que o reagisse a tempo com alguma defesa.

Seus dedos, que antes tremiam na roupa de Jishan, de repente ficaram firmes e afiados ao escorregarem pelo dobrado interno do manto do guerreiro, com o polegar abrindo o tecido o suficiente para que a mão direita se infiltrasse como uma víbora.

O contato foi imediato.

A palma da sua mão se achatou na região genital do inimigo — centrada perfeitamente sobre os testículos — através da fina camada de roupa, e por um momento, tudo desacelerou.

Tempo. Respiração. Movimento.

E então — a mana de Leo se intensificou.

Não como uma lâmina. Não como uma explosão. Mas como um fluxo invasivo e concentrado — canalizado diretamente pelo centro da palma como uma onda penetrante, enquanto bombeava mana volátil para os aglomerados nervosos densamente compactados dos testículos de Jishan, penetrando mais fundo do que qualquer golpe físico poderia alcançar.

A sensação foi nojenta.

Até mesmo para Leo, que não se sentia afetado por sangue ou cérebros espalhados, aquilo ainda parecia repulsivo.

A mana parecia errada em suas veias — como empurrar corrente bruta em algo sagrado.

Ele podia sentir o tecido delicado pulsando debaixo da palma, os capilares vibrando como insetos apavorados enquanto resistiam à energia invasiva.

Porém, eles eram impotentes contra ele, pois, antes mesmo de Jishan perceber que algo estava errado, Leo fechou os dedos em um punho, como—

*Explosão —*

Não foi ouvido nenhum som no ar, mas houve uma reação que Jishan certamente sentiu na alma.

Pois, por dentro, a mana de Leo cresceu como um balão que se inflava — e explodiu tudo que era mais precioso a um homem.

Capilares romperam em dezenas. Veias se quebraram. Tecido implodiu sob a pressão, enquanto a mana de Leo se dispersava como shrapnel através de uma das áreas mais sensíveis das terminações nervosas masculinas.

E o resultado foi instantâneo!

Jishan não gritou, não. Pelo contrário, seu corpo entrou em convulsão.

Costas arqueadas. Olhos arregalados. Um suspiro asfixiante escapou de sua boca enquanto suas pernas se dobravam, seu corpo todo espasmando violentamente, como se fosse eletrocutado.

Seus joelhos cederam antes mesmo de ele conseguir entender o que tinha acontecido, e—

*"Guh—GAAAAAAAAH—AAAHHHHH—!!!"*

Ele berrou de forma violenta, algo que Leo nunca tinha ouvido de um homem adulto antes.

Não havia dor na voz dele, apenas destruição pura.

"AIIIIIIOOOOOOOOOO"

Um grito angustiado escapou da garganta de Jishan, rouco e rasgado, enquanto ele rolava para trás, caindo de lado e segurando seu genital completamente destruído com ambas as mãos — sua adaga caiu sem força, como uma consequência inevitável.

" QUE FATUUUUUDA—!?!"

Sua voz falhou no meio da frase. As pernas se mexeram desesperadamente, deixando sulcos na terra, enquanto se contorcia como um homem sendo arrancado por dentro.

A máscara ainda cobria o rosto. Mas Leo não precisava ver a face dele para saber que estava retorcida de dor — porque nenhum controle facial poderia esconder uma trauma daquele tipo.

Era além de tortura.

Era uma emasculação em carne e osso.

Um golpe não no corpo, mas na alma.

E por um breve instante— Leo apenas olhou fixamente, ainda de joelhos, respirando pesadamente, sangue escorrendo pelo queixo, enquanto observava um guerreiro de nível transcendente perder toda e qualquer noção de orgulho.

Funcionou!

De alguma forma, pegar um guerreiro transcendente pelos testículos tinha dado certo, e embora tudo tivesse acontecido rápido demais para Leo sentir com precisão, ao abrir e fechar suas mãos, até seu próprio corpo tremeu involuntariamente com o efeito do que fizera.

'Acho que atomizei os testículos dele até desaparecerem… Se alguém empurrar aquela pele frágil de volta para dentro do corpo dele… eu— acho que acabei de criar um buraco novo—' percebeu Leo, enquanto sentia calafrios correrem pela coluna.

Era um destino que ele nem desejaria ao pior inimigo.

Mas, ainda assim, foi necessário para que sobrevivesse.

'Sobrevivi por enquanto, mas ele não vai ficar caído para sempre—' pensou Leo agora, enquanto seu olhar se fixava na adaga, que Jishan acabara de abandonar a poucos passos de distância, inútil em meio à poeira.

Seus olhos se fixaram nela como um homem à beira da morte avistando água no meio do deserto, enquanto, com os membros ainda tremendo e o equilíbrio instável, arrastava-se até ela com toda a força que lhe sobrava.

Cada movimento parecia puxar um cadáver. Mas ele avançava, um pequeno passo de dor de cada vez.

Porque ele sabia.

Jishan não ficaria caído para sempre.

E na próxima vez que se levantasse… não haveria segunda chance, nem conversa fiada.

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