
Capítulo 218
Assassino Atemporal
(Arena do Deus do Céu, ponto de vista de Leo)
No instante em que o portal se fechou com um brilho ofuscante, selando a última fuga dos cultistas, Leo sentiu o peso do silêncio se estabelecer na cratera como um véu.
Não era o tipo de silêncio que traz alívio ou tranquilidade, mas aquele que anuncia a chegada de algo inevitável, como uma guilhotina finalmente caindo após uma eternidade de espera.
E enquanto ele permanecia ali, quase sem forças, a queima nas costelas parecia um grito constante que se recusava a se apagar, seu ombro esquerdo travado a cada respiração, enquanto sangue escorria pela lateral do braço e pingava silenciosamente na poeira abaixo.
Porém, apesar de tudo, além do estado destruído de seu corpo, sua mente permanecia surpreendentemente clara, como se estivesse completamente alheia à dor.
[Indiferença do Monarca] começara a fazer horas extras para estabilizar suas emoções.
E com ela veio não paz, mas agudeza—cada pensamento, cada cálculo, cada possibilidade de sobrevivência agora se revelava na sua frente com brutal honestidade, enquanto a verdade se gravava em sua cabeça como uma escritura.
'Não tenho muita mana sobrando, minhas costelas estão quebradas, meu ombro está deslocado, não há nenhuma arma ao alcance, nem rota de fuga, nem reforços—apenas eu, um feixe de carne e osso destruído, encarando um assassino de nível transcendente cujo único propósito neste momento é acabar com minha vida enquanto o universo assiste.'
E mesmo ciente de tudo isso—ele não entrou em pânico.
Porque o pânico era um luxo que ele não podia mais se dar ao luxo de ter.
O que precisava agora era tempo, pois sua única chance de sobreviver dependia de uma intervenção externa, e a única coisa que tinha para oferecer em troca era sua respiração e sua língua.
'A única chance que tenho de sobreviver é atrasar. E a única ferramenta que tenho para isso… é minha voz.' Leo calculou, começando a pensar nas melhores palavras para desencadear seu oponente e provocar uma resposta.
'Devo implorar para que ele me poupe? Devo zombar dele por atacar uma criança?' Leo refletiu, engolindo o gosto de cobre do sangue na boca, enquanto mantinha os olhos fixos na figura encapuzada à sua frente—que se aproximava calmamente com uma câmera pendurada de forma frouxa numa mão, e uma adaga na outra.
Porém, enquanto pensava em várias frases de abertura, acabou por escolher a mais clichê, perguntando.
"Por que você está fazendo isso…?"
Leo perguntou não como um pedido, não como uma súplica ingênua por misericórdia. Mas como uma questão que precisava que o homem respondesse, mesmo que fosse apenas para educar os bilhões que assistiam ao vivo.
"Não sou de uma clã poderosa… Não tenho patrimônio que possa ameaçar você… Sou um ninguém, nascido e criado na obscuridade… Então, por que eu? Por que me matar?"
Depois—diversão.
Uma risada seca escapou dos lábios do homem mascarado, enquanto ele inclinava a cabeça ligeiramente para cima, em direção à barreira cintilante, onde Dupravel Nuna e outros líderes continuavam a atacar sem sucesso.
E então, lentamente—ele olhou de volta para Leo.
"Sabe," disse, sua voz carregada de sarcasmo, misturada com algo mais sombrio que uma simples piada.
"Como o universo nos pinta— o chamado Culto da Ascensão— somos sempre rotulados como os vilões, não é? Os loucos de capuz. Os devotos sem causa. Açougueiros. Maníacos."
Ele deu um passo à frente, não rápido, nem repentino, mas comedido, deliberado, enquanto aumentava o tom da voz.
"Mas não somos isso," continuou, enquanto a luz vermelha da câmera piscava, ainda gravando, capturando cada segundo para que o universo assistisse.
"Não tenho prazer em matar um mero Grande-Mestre. Ainda mais um que já está à beira de desmaiar. Ainda mais um que, na verdade, conquistou meu respeito com sua luta hoje."
Outro passo.
"Mas preciso te matar, porque fazê-lo significa algo."
Mais um passo—agora mais perto.
"Injusto, não é?" perguntou, com o tom se tornando sério, quase reflexivo. "Você, que não fez nada contra nós. Você, que nunca levantou sua lâmina contra nossa causa. Você, que talvez nem tenha cruzado com a gente..."
Ele parou então—com os olhos fixos em Leo, a voz caindo como uma lâmina.
"Mas, de qualquer forma— Noah Stormwind nunca machucou a aliança justa também."
O nome atingiu mais forte do que qualquer arma poderia.
"Nosso Dragão. Nosso futuro. Nossa esperança."
Disse com reverência, com a dor enterrada sob aço, e naquele momento, Leo viu—a raiva bruta no homem que não precisava de fingimento.
"Noah foi a pessoa mais gentil que já conheci. Ele não se importava com poder, não buscava conquista—apenas por guiar nosso povo, por proteger quem não tinha voz. E por isso, foi caçado… traído… assassinado."
O olhar do homem voltou a subir, em direção ao homem que ainda golpeava inutilmente contra a barreira—Dupravel Nuna.
"Aquela cobra lá em cima lhe cortou a garganta. Não porque Noah fosse mau. Não porque fosse uma ameaça. Mas porque Noah era amado."
"E agora… você," disse Jishan, voltando-se, seu tom se tornando firme, a amargura explodindo como uma maré.
"Você, que conquistou toda a galáxia hoje. Você, que reuniu os desesperançosos e arrastou sua equipe das profundezas da derrota. Você, que agora carrega o mesmo peso de admiração que Noah um dia teve." Ele se aproximou, chegando a um braço de distância.
"Preciso te matar hoje para passar a mesma dor que sentimos para aqueles que assistem à aliança justa, para que não ousem pensar em nos perseguir no futuro—"
Os olhos de Leo se arregalaram de pânico ao ouvir essas palavras, enquanto tentava ajustar sua postura e equilibrar seu peso, preparando uma posição de luta improvisada. Contudo, tudo era inútil.
Com seu ombro esquerdo inutilizado, ele não conseguia nem mesmo montar uma guarda adequada, enquanto sua cintura machucada e a coluna danificada dificultavam agachar-se.
Para piorar, ele moveu-se de forma tão desajeitada que não conseguiu estabelecer uma verdadeira distância quando recuava, nem tinha forças para desviar ou driblar quando Jishan enviou um soco em sua direção—e assim,
*BAM*
"Kugh—"
Com um soco brutal no estômago, Jishan expulsou o ar de seus pulmões numa explosão de dor tão violenta que quebrou o pouco de equilíbrio que lhe restava.
*THUD—*
Ele cambaleou.
Seus joelhos cederam enquanto ele caía, os dedos instintivamente agarrando as roupas pretas à sua frente, os nós inclusive pálidos contra o tecido, enquanto sua cabeça escorregava impotente contra a coxa de Jishan.
O universo assistia: o mesmo guerreiro que ajudou Rodova a virar uma virada de 3-1 para 5-4 agora pendia, indefeso, contra as roupas de um terrorista, esperando o julgamento, enquanto Jishan apontava sua arma com uma mão firme e lenta.
"Então, diga adeus ao universo, Leo Skyshard, pois estou prestes a te eternizar para sempre—" disse Jishan suavemente, quase com ternura, enquanto o cenário congelava no lugar.
Com sangue nos lábios e a derrota marcada na coluna, Leo Skyshard se ajoelhou sob o olhar frio da câmera—não como um guerreiro em batalha, mas como um sacrifício destinado a ecoar pelos anais da história.