
Capítulo 217
Assassino Atemporal
(M POV de Muiyan Faye)
Faye observou Leo conquistar as Circuitos das arquibancadas superiores da academia, de um ponto de vista que oferecia não apenas uma visão perfeita do campo de batalha, mas também o colocava a uma distância imediata de Leo caso algo desse errado.
De onde ela estava, ainda conseguia ver a poeira formando-se a partir do último passo dele, a tensão em sua postura e o leve tremor nos dedos do árbitro ao alcançar o braço de Leo, enquanto ela sorria de orelha a orelha assistindo à sua vitória.
"Não posso acreditar que você realmente conseguiu..." pensou, com os braços cruzados firmemente contra o peito, tentando conter a tempestade de emoções que surgia dentro dela.
Sentiu um orgulho — enorme, imensurável — pelo que Leo tinha acabado de realizar.
Ele havia desafiado a lógica, destruído expectativas e calado todos os céticos com sua performance hoje.
Em apenas um dia, derrotara quatro Grandes Mestres consecutivamente e marcara seu nome na história da Arena do Deus do Céu.
Mas mesmo quando seu peito se enchia de admiração, um sentimento mais pesado pressionava suas costelas.
No fundo, ela sabia que algo não estava certo.
Uma coloração cerrada no estômago. Uma pontada na nuca. Um medo instintivo que se recusava a ser racionalizado.
Ela já sabia há semanas que o Culto planejava algo nas Circuitos — algo catastrófico. Ela tinha sido alertada pelo Ancião, confiando na sua proteção no momento em que as coisas saíssem do controle.
E ainda assim, quando a explosão finalmente aconteceu — quando o piso da arena se abriu e engoliu Leo completamente numa cova de fogo e destruição — ela ainda estava um passo atrasada.
"LEO—!" ela gritou, o nome escapando de sua garganta enquanto se atirava à frente sem pensar duas vezes, o coração disparado e o pânico inundando seu sistema como veneno.
Porém, ela foi tarde demais.
Até o momento em que seus saltos tocaram o chão perto da borda do crater, uma barreira dourada desconhecida já selara a área abaixo — separando-a do garoto que ela foi encarregada de proteger.
*BOOM*
Ela colidiu com a barreira no meio do movimento, com as mãos achatadas contra a parede cintilante de mana que pulsava com encantamentos de alto nível, impossíveis de ela romper na sua potência atual.
"NÃO—" ela sussurrou, os olhos arregalados, o coração batendo forte, enquanto ativava instantaneamente sua mana e puxava sua lâmina, riscando a barreira com um golpe preciso — apenas para assistir a barreira absorver a energia sem sequer uma faísca.
Porém, ela atacou novamente.
E de novo.
E mais uma vez.
Cada golpe mais desesperado que o anterior, enquanto a ansiedade aumentava em seu peito.
"Preciso chegar até ele... Preciso protegê-lo..." pensou, ao encostar o rosto na seal luminosa — desesperada para espiar através das camadas de poeira e luz que a separavam do poço abaixo, e o que ela viu fez seu estômago revirar, enquanto a impotência preenchia seu corpo.
"Tem três... posso perceber três assinaturas desconhecidas lá embaixo com ele," ela percebeu, suas percepções estendendo-se além do véu como dedos trêmulos numa tempestade.
Operativos do Culto.
Ela nem precisava de confirmação.
Pois podia sentir a intenção assassina direcionada às três vítimas indefesas espalhadas no chão da cratera abaixo.
"Pelo Soron, eles vão matar ele..."
"Não… pior… eles vão assassiná-lo ao vivo—" pensou Faye, com o coração disparado, ao ver um operador do Culto pegar uma câmera amassada, destinada a transmitir as partidas das Circuitos ao vivo.
E por um momento terrível — ela prendeu a respiração — porque um pensamento muito mais negro do que o pânico rastejou por sua espinha:
"Será que o próximo Dragão será devorado pelo próprio Culto?"
Ela olhou para a esquerda e Major Hen pousou ao seu lado, furiosamente concentrando golpes na mesma barreira.
Dois professores de Genebra se juntaram segundos depois, seguidos por uma dúzia de outros combatentes que se dirigiram à barreira agora, porém, apesar do esforço combinado, nada parecia funcionar.
A barreira era forte demais, feita de encantamentos antigos que conferiam um poder semelhante a um feitiço de Nível Demi-Deus, e nenhum deles tinha força suficiente para quebrá-la.
"Vamos lá — VAMOS LÁ—" rosnou Faye, batendo a testa contra a barreira, sangue na linha do cabelo por causa do esforço, enquanto sua voz se quebrava sob o peso da impotência.
"Eu deveria protegê-lo..." pensou, enquanto assistia cada cena se desenrolar lá embaixo, cada vez mais impotente.
*Splash—*
O árbitro pobre foi o primeiro a ser assassinado ao vivo, decapitado impiedosamente, sem chance sequer de lutar ou dizer algumas últimas palavras.
"Não— cuidado com ele! Ficou longe do nosso dragão!" pensou Faye, ao ver um deles virar-se para Leo em seguida, apenas por Darnell se levantar e atacá-los naquele momento, distraindo-os de Leo por um breve instante.
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Ao contrário de Leo, Darnell não estava tão ferido ou cansado das Circuitos, e assim, assim que recuperou o fôlego, avançou sem hesitar — sua mana crescendo enquanto corria direto contra o operante do Culto mais próximo, com raiva ardendo nos olhos.
"SAIAM DE PERTO DELE—!" gritou, jogando-se na luta com uma coragem imprudente, seu corpo ainda tremendo pelo combate anterior, mas sua determinação intacta.
Porém, seu adversário nem sequer se Moveu.
O homem contra quem avançava — um guerreiro mascarado vestindo preto — não era um Mestre Grandioso como os que Darnell treinava para lutar durante toda a vida, mas sim um guerreiro em nível Transcendente, que estava em uma liga totalmente diferente.
E, infelizmente, Darnell percebeu isso no instante em que seus corpos colidiram, pois—
*Estalo!*
O cultista pegou seu soco no ar e torceu seu braço com uma precisão absoluta, que fez seu braço direito quebrou-se no cotovelo como se fosse de papel.
"AAAAAH—"
Darnell gritou, os joelhos fraquejaram— mas ele não caiu.
Em vez disso, rangeu os dentes e avançou com a esquerda, mana jorrando através do único membro funcional que ainda tinha—
Somente para o mesmo resultado ser repetido.
*Estalo—!*
Seu braço esquerdo seguiu o mesmo destino do direito, sendo limado de maneira limpa, mas na direção oposta, enquanto ele ofegava de dor, mas desta vez sem um grito.
"Ai…"
Apenas um som tênue escapou dos seus lábios, enquanto o cotovelo do cultista ia direto às suas costelas com uma pancada surda que enviou ondas de choque pela sua coluna.
E foi só isso.
Seu corpo desabou, seus membros balançando inutilmente, enquanto o cultista o jogava casualmente sobre o ombro como se fosse um fantoche quebrado.
Então—
*Explosão—!*
A barreira dourada tremeu repentinamente sob o peso de um golpe colossal.
Era a chegada de Dupravel Nuna.
Seu corpo aterrissou como um meteoro sobre a barreira dourada, a força do impacto destruindo as plataformas ao redor.
No momento em que os pés tocaram o chão, ele ergueu ambos os braços e disparou um golpe de domínio estrondoso, sua voz tremendo de rage.
"SALEM O MEU FILHO, SEUS FILHOS DA P....—!"
E imediatamente o céu se rompeu e a barreira cedeu.
A cúpula dourada estremeceu sob seu poder, brilhando com linhas de mana que se abriram como vidro quebrado — mas, infelizmente para ele, a barreira não quebrou.
"Ele está atravessando—!"
"Não temos tempo—vá, agora—!"
Gritaram os Cultistas, com vozes cortantes de urgência enquanto o poder de Dupravel se abatia do alto como trovão divino.
Sem hesitar, um deles abriu um portal de teleportação no ar, o espaço ao redor distorcendo-se violentamente — antes de atravessar com Darnell lançado às costas.
"O Culto nunca esquecerá seu sacrifício, irmão Jishan," disse um dos operativos com seriedade, fazendo um breve aceno para o cameraman antes de entrar no portal.
E então— só restava um.
O homem que chamavam de Jishan.
O cameraman.
Ele deixou o portal se fechar com um movimento de pulso, selando sua fuga, enquanto o silêncio retornava à cratera.
Por um momento, ele ficou ali — imóvel, sereno — antes de lentamente se virar em direção a Leo, com a câmera ainda firme numa mão enquanto na outra segurava a bainha da adaga na cintura.
Seus passos eram lentos, quase casuais, mas havia uma finalização na forma como se movia — como um homem caminhando no fim de uma música, ou no fim de uma vida — sua presença sem ostentação, mas pesada o suficiente para fazer o ar parecer mais denso.
E quando seus olhos finalmente encontraram os de Leo — escondidos atrás daquela máscara negra vazia — Leo sentiu a intenção de matar surgir como uma onda devastadora.
Fria.
Intencional.
Absoluta.
O homem não estava ali para fazer hora.
Ele veio para concluir o que os outros não puderam.
E escolheu Leo como sua última oferta.