Assassino Atemporal

Capítulo 204

Assassino Atemporal

Sangue jorrava da ferida no abdômen de Su Yang, quente e implacável, enquanto tinha seu chão de arena tingido de vermelho — mas Su Yang não olhava para baixo.

Ele não podia permitir-se isso.

Não enquanto Su Ran ainda respirava; fazer aquilo enquanto seu irmão inútil permanecia vivo, lhe daria um momento de satisfação extrema.

*Tremor*

A espada dele trepidava na mão, não por medo ou hesitação, mas pelo esforço extremo de forçar seu corpo destruído a continuar em movimento.

Seus respirações eram ofegantes e superficiais, cada inspiração raspando através de dentes cerrados, mas seus olhos — ainda estavam afiados. Ainda fixos no irmão com uma fúria que parecia capaz de consumir aço.

O ferimento de lança tinha aberto um buraco direto pelo seu abdômen, mas Su Yang permanecia ereto, com os pés firmes no chão e a espada levantada, sem sinais de desaceleração.

Ele se recusava a cambalear.

Ele se recusava a ajoelhar-se.

E isso também, pura e simplesmente, por orgulho — nada mais.

Porque ele sabia que, se vacilasse aqui — Su Ran venceria.

E isso… era algo que ele nunca permitiria.

*Onda de energia*

A mana de Su Yang aumentou de forma descontrolada, não mais fluindo suavemente, mas explodindo em rajadas violentas, como faíscas de uma fogueira que se apaga.

Ele sentia o corpo se desintegrando por dentro, fibras musculares rasgando-se, nervos gritando — mas nada disso importava.

Pelo menos, não mais, quando ódio era seu remédio e adrenalina, seu escudo.

"Achou que isso ia me acabar?" ele asfixou, sangue escorrendo pelo lado enquanto dava um passo à frente. "Infelizmente, você está enganado, sangue lixo... Essa é a diferença entre o verdadeiro herdeiro e um lixo como você."

A multidão permaneceu em silêncio, assombrada enquanto via Su Yang seguir lutando, mesmo sangrando copiosamente, enquanto Su Ran parecia pálido, como se tivesse visto um fantasma.

"-Como é que você ainda está de pé?" perguntou em choque, já que, por lógica, Su Yang deveria ter desmaiado há muito tempo, mas ainda não caiu.

"Eu ainda estou de pé porque essa luta não acabou, sua vadia—" disse Su Yang, com os olhos quase malucos, parecendo alguém que não estava mais nem ferido nem com medo da morte.

Na verdade, parecia alguém que planejava queimar o universo ao redor, apenas caso caísse.

"Você está vendo o que eu vejo, Lee? Tem um buraco no corpo do Su Yang que dá pra enxergar de um lado a outro, mas ele ainda está lutando—" Derek falou neste momento, sua voz carregada de preocupação genuína.

"Na minha carreira como comentarista, nunca vi algo assim, Derek. Os circuitos são o auge do esporte de gladiadores, e frequentemente vemos pessoas com uma força de vontade enorme competindo aqui, mas isso extrapola a força de vontade… isso é loucura… loucura pura e indomada!" acrescentou Lee, segurando os cabelos em descrença.

"Se ele conseguir uma vitória a partir daqui… t- isso… nem dá pra expressar em palavras o quão impressionante seria—" Derek tentou falar, confuso sobre como sentir aquilo, enquanto se corrigia no meio da frase.

"Não! Não! Não!" Su Ran de repente gritou do centro da arena, com a voz aguda e trêmula. "Você está à beira de morrer! Só mais um empurrão e você cai!"

Ele mancou em direção a Su Yang, arrastando a perna machucada enquanto se aproximava, olhos arregalados de descrença e pânico. Sua lança acertou golpes rápidos e precisos — um após o outro — como um homem possuído, cada ataque não tinha como objetivo matar, mas empurrar, fazer Su Yang cambalear e acabar com essa noite de pesadelo.

Mas Su Yang…

Ele não bloqueava.

Ele não parava.

Ele se movia.

Como fumaça.

Como um fantasma.

Cada golpe escapava por pouco. Um passou raspando pela bochecha, outro quase bagunçou seu cabelo, mas Su Yang se deslizava ao redor deles — sem esforço, quase como se seu corpo tivesse transcendindo dor e fadiga.

Seus olhos nunca piscavam. Sua lâmina nunca baixava. Ele simplesmente avançava, esquivando-se de cada ataque como se já soubesse exatamente onde eles iam cair antes mesmo de serem lançados.

Quanto mais se movimentava… mais a confiança de Su Ran começava a desmoronar.

Porque Su Yang não estava desacelerando.

Ele se aproximava, num movimento quase impossível para alguém com uma ferida tão grave.


(Enquanto isso, o Patriarca da Família Su)

Enquanto a maior parte da audiência na arena não conseguia entender como Su Yang se movia tão bem mesmo com uma ferida tão grave, o Patriarca sabia exatamente por quê.

Seu olhar se estreitou levemente, os lábios formando a menor sombra de sorriso, enquanto assentia em reconhecimento—

'Então… finalmente despertou.'

Para ele, era uma grande alegria — não porque seu filho estivesse sobrevivendo, mas porque era a primeira vez que via essa habilidade se manifestar naturalmente em um de seus descendentes.

Não havia dúvida: Su Yang havia despertado a mais prestigiada técnica do sangue do Clã Su — [Inquebrável].

Uma habilidade que só se revelava quando a morte estava próximo… e a rebeldia era mais profunda que a medula.

Dois minutos. Era o tempo máximo dessa técnica.

Uma janela de quase invencibilidade em estado de quase morte, permitindo ao corpo lutar sem se importar com dor, ferimentos ou cansaço.

Mas para o Patriarca, o que impressionava não era isso.

O mais impressionante… era que Su Yang a tinha desbloqueado por si só.

Ele não ativou a habilidade por meio do pergaminho divino do clã, ou estimulando à força uma porção do seu potencial genético, mas sim por puro instinto.

'Muito bem', pensou o velho, embora não tivesse comemorado em voz alta. No fundo, uma satisfação se enroscava em seu peito como uma cobra solta ao sol.

Isso — exatamente isso era o que Su Ran tinha sido criado para ser.

Embora ele tenha permitido por muito tempo a ilusão de que ambos os filhos eram candidatos ao cargo de Patriarca, a verdade era muito mais calculada.

Su Yang sempre foi a única escolha. O verdadeiro herdeiro. O portador do sangue.

Su Ran… servia apenas como pedra de amolar.

Um rival necessário.

Um artifício narrativo.

Uma ferramenta.

Desde o seu nascimento, o Patriarca já sabia do papel do garoto. Lhe faltava a pureza do sangue, os instintos naturais. Mas o que ele tinha — era valor.

Ele poderia ficar forte. Forte o suficiente para provocar. Forte o suficiente para desafiar. Forte o suficiente… para empurrar Su Yang além de seus limites.

E hoje, tinha feito exatamente isso.

"Você desempenhou seu papel bem, Su Ran, por isso eu tenho que te parabenizar—" murmurou o velho frio. "Mas é aqui que sua relevância termina—"

Soltou lentamente o ar pelo nariz, o olhar fixo no avanço implacável de Su Yang, já sabendo qual seria o desfecho dessa batalha daqui em diante.

O triunfo de Su Yang era inevitável; no entanto, não viria sem preço.

Ativar [Inquebrável] tinha um custo.

Quando aqueles dois minutos de invencibilidade passassem, assumindo que o usuário sobrevivesse, seu corpo ficaria capenga por seis meses inteiros — força, velocidade e sensibilidade à mana seriam reduzidas em 20%.

Um preço pesado por sobreviver ao que deveria ser fatal.

Mas para o Patriarca, isso não importava — ele sabia que Su Yang não precisaria de toda sua força nos próximos seis meses, após o fim dos circuitos.

E que ativar essa habilidade por conta própria já era prova suficiente de seu sangue puro e força de vontade.

Su Yang já caminhava pelo caminho de um governante. Um homem disposto a morrer apenas para não perder.

E isso… era o único homem adequado para herdar o Império Su.

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