
Capítulo 205
Assassino Atemporal
À medida que Su Yang continuava a esquivar e se desviar sob a pressão crescente, a preocupação de Su Ran aumentava — o oponente dele se movia com tanta compostura e precisão, que parecia que a ferida aberta em seu abdômen nem existia.
— Que tipo de monstro você é? Como ainda consegue se mexer assim? — perguntou Su Ran, incrédulo, a voz revelando frustração e medo.
No entanto, Su Yang não respondeu.
Seu silêncio falava mais alto do que qualquer palavra — como um monstro que já não precisava de palavras para afirmar sua dominance.
*SHUA–*
Su Ran avançou com um golpe preciso, tentando prender Su Yang no lugar, mas Su Yang se inclinou o suficiente para que o ataque passasse de raspão pelo seu ombro.
*SHUA—*
Su Ran continuou com outro golpe na direção do pescoço dele, porém, Su Yang rolou por baixo, esquivando-se de um corte amplo.
— Fica parado, droga! — reclamou Su Ran em pânico, enquanto os movimentos de Su Yang se tornavam cada vez mais limpos, como se seu corpo tivesse esquecido que estava morrendo.
E foi esse pânico que contaminou sua técnica, ao lançar [Brotação do Veneno], uma sequência rápida de seis golpes infundidos com energia de lança, onde cada ataque era mais rápido que o anterior.
*Shua—*
....
....
....
*Shua—*
Os golpes eram cegantes em velocidade, mas, apesar de seus esforços, Su Yang conseguiu se esquivar de todos, agachando-se rapidamente e contra-atacando com [Passo Piscante] — desaparecendo por um instante e reaparecendo bem na frente de Su Ran, com a lâmina já em movimento.
*CLANG!*
Seus armas se chocaram.
Porém, apenas Su Yang avançou, disparando [Corte Fantasma], fingindo um movimento à esquerda, e então girando em um [Tiro de Montanha], devastador, alimentado apenas por ritmo e fúria.
*CRACK!*
A defesa de Su Ran foi destruída neste momento, e sua lança saiu de suas mãos.
E, no mesmo movimento, Su Yang empurrou o ombro à frente, atingindo seu irmão e derrubando-o de costas no chão.
Su Ran ofegou, com o ar arrancado dos pulmões. Seus membros agitaram-se enquanto tentava rolar para longe, mas já era tarde demais.
Su Yang ergueu a espada.
E a desceu — parando a apenas um centímetro da garganta de Su Ran.
— Renda-se — rosnou Su Yang, com voz baixa e definitiva, enquanto os olhos de Su Ran se arregalavam, a face revelando uma mistura de emoções: choque, alívio, humilhação, raiva, resignação e aceitação, tudo em um piscar de olhos.
A boca se abriu, mas nenhuma palavra saiu; ele apenas assentiu — duas vezes, rapidamente.
— Vencedor, Su Yang de Rodova! — declarou o árbitro neste momento, afastando Su Yang de Su Ran, enquanto os apoiadores de Rodova explodiam de entusiasmo.
*Aplausos*
Os aplausos ensurdecedores cobriram toda a arena, e até mesmo os apoiadores de Genebra não puderam deixar de bater palmas pelo desempenho impressionante de Su Yang, pois, mesmo que não fossem seus fãs, não podiam deixar de respeitá-lo após aquela luta.
— Era o que eu pensava… Sou melhor que você, serviçal — — começou Su Yang, em uma confusão de pensamentos, tentando se levantar e erguer o punho em comemoração. Antes que pudesse, simplesmente desabou de bruços no chão.
*THUD*
O sangue espalhou-se sob ele, como uma mancha de tinta nas tábuas pálidas, e a multidão respirou fundo, chocada.
O árbitro piscou, virou-se para o banco de Rodova buscar orientação, pois, embora Su Yang precisasse desesperadamente de atendimento, de acordo com as regras do torneio, só poderia recebê-lo após ser derrotado ou seu time desistir de sua vaga.
E, com Yu Shen e Minerva fora de combate, todos os olhos se voltaram para Leo, que estava sentado no banco de Rodova, de braços cruzados e expressão carregada de fisionomia fechada.
— Ele está fora do torneio —
— Ele não volta mais. Leve-o para cuidados — — disse Leo, de forma seca, aceitando a vaga de Su Yang, sabendo que atrasar o atendimento ao seu companheiro seria inútil.
Era absolutamente impossível Su Yang se recuperar de uma ferida dessas sozinho, sem ajuda externa; e, como ele não poderia conseguir ajuda ali na arquibancada, ter um corpo morto por perto não fazia sentido para Rodova.
— O lutador Su Yang de Rodova foi declarado inapto para continuar pela sua equipe e não participará mais do torneio —
— Equipe médica, por favor, o levem — — anunciou o árbitro, enquanto a tela do telão mudava de pontuação 2–1 para 3–1, e os curandeiros corriam para auxiliá-lo.
Su Yang estava bem ferido e precisava de uma cirurgia intensa para salvar a vida, mas, graças à competência dos médicos presentes, seu estado não era de risco de morte imediato.
Porém, o que realmente doía era saber que ele havia sido abatido após uma única luta, o que deixava Leo na posição de tentar segurar a Rodova de um déficit de 3–1, sendo o seu último grande mestre no time.
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— Que esforço valente de Su Yang para marcar um ponto para a Rodova — disse Derek, com voz de admiração e preocupação. — Mas, infelizmente, esse ponto vale só como empate: porque Su Yang saiu oficialmente do torneio.
— Que luta, hein — concordou Lee. — O moleque lutou como se estivesse possuído. Mas, com sua saída, agora o peso de toda a equipe cai sobre um só homem — Leo Skyshard.
— Para ser justo, Leo já fez milagres antes — acrescentou Derek. — Uma vez virou um placar de 4–0 para 5–4 contra a Academia Button. O cara nasceu para momentos decisivos —
— É, mas não é a Button Academy — interrompeu Lee, de forma mais afiada desta vez. — Aqui é Genebra. A academia número um. Aqui não é luta contra qualquer um — são os melhores lutadores do torneio.
Pisar em uma desvantagem de 3–1 contra eles? Isso beira o impossível.
— Ainda mais — continuou, — quando seu único parceiro restante ainda está no nível Mestre, porque isso significa que Leo vai ter que lutar contra a Geneva sozinho daqui em diante.
Derek respirou fundo, sentindo o peso da situação.
— Bem… o que tiver que ser, será. Agora, a questão é: o que ele pode fazer a respeito? —
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Após a derrota de Su Yang, foi Leo quem saiu em direção à Arena Sky-God — entre um leve incentivo dos apoiadores de Rodova.
Os aplausos já não eram tão fortes nem tão vibrantes como antes, ao contrário do apoio estrondoso que Yu Shen recebera ao entrar em campo, pois agora eram o som de uma multidão que já tinha enterrado sua esperança.
Eles aplaudiram Leo porque sentiram que deveriam.
Não porque acreditavam.
O telão ainda marcava 3–1; e todo mundo na arena sabia exatamente o que aquilo significava.
O banco de Rodova estava esvaziado, suas estrelas desaparecidas, e as chances de vencer tudo eram quase nulas.
Mas —
Leo entrou como se nada disso importasse.
Ele não se preocupava com coisas fora de seu alcance.
Coisas como — será que ele realmente conseguiria vencer quatro lutas seguidas contra alguns dos melhores lutadores do universo?
Conseguiria realmente levar um time machucado ao título?
Ou quem seria seu próximo adversário?
Sabia que esses pensamentos eram apenas ruído na sua cabeça.
Deixou as dúvidas se dissiparem como névoa escorrendo de uma lâmina, e focou na única coisa que o mantinha de pé: o frio aço das adagas em suas mãos, tão familiar.
'Uma de cada vez….'
'Vamos fazer tudo passo a passo —'