
Capítulo 203
Assassino Atemporal
"A segunda derrota consecutiva para a Rodova, isso torna as coisas muito difíceis—"
"Agora quem sobe ao combate é Su Yang pela Rodova. Ele consegue virar o jogo?" disse Derek, enquanto Su Yang entrava na arena sob os aplausos abafados dos torcedores da Rodova, cujo sonho de conquistar o campeonato após 22 anos agora pendia por um fio, desmoronando a cada respiração.
Ele caminhava com uma confiança tranquila, como alguém que dominava sua técnica, sem parecer preocupado com quem iria enfrentar, confiante de que podia derrotar qualquer um que ousasse desafiar.
E, embora estivesse preparado para enfrentar qualquer adversário, se havia um homem que desejava mais do que qualquer outro, esse era Su Ran—e para sua alegria, como se fosse convocado pelo destino, foi justamente Su Ran quem apareceu pela portaloposta.
Um leve sorriso surgiu nos lábios de Su Ran enquanto levantava sua lança de prata e fazia uma leve reverência. "Boa sorte na luta, irmão—que vença o melhor entre nós," ele falou suavemente, com a voz baixa, calma e cordial.
Só de ouvir aquela voz repulsiva, o sangue de Su Yang ferveu de raiva.
Se qualquer outro lutador dissesse aquelas palavras e oferecesse aquele sorriso inocente, Su Yang devolveria um sorriso ou desejaria boa sorte—mas nunca para Su Ran.
Porque ele conhecia muito bem aquele sorriso.
Sabia daquele tom de voz.
Conhecia aquela reverência.
E sabia exatamente o quão falso tudo aquilo era—
Tudo em Su Ran era mentira.
Aquela exibição de nobreza e graça—feita exclusivamente para o Patriarca que observava de cima—era uma encenação para agradar e nada mais.
Mais um teatro na peça de toda uma vida de Su Ran, tentando parecer digno e respeitável, como uma serpente vestida de seda.
Na verdade, ele não passava de um filho bastardo tentando atuar como príncipe. Um mestiço que precisava fingir humildade a cada passo de sua criação porque, no fundo, sabia exatamente quem era.
E sua falsidade despertava em Su Yang uma repulsa maior do que qualquer outra coisa.
"Sua raça imunda, vá para o inferno—" disparou Su Yang, apontando sua espada para o peito de Su Ran enquanto sua mana se intensificava, brilhando com uma intenção cortante como navalhas.
A câmera virou para a caixa de observação privada, onde o Patriarca do Clã Su permanecia imóvel, com uma expressão indecifrável enquanto assistia a um filho legítimo e a um erro se prepararem para se degladiar.
"Comecem—" anunciou o árbitro neste momento, e a arena explodiu.
Su Yang ciscou para a frente sem hesitar, desaparecendo e reaparecendo ao lado de Su Ran num piscar de energia branca, sua espada já em movimento em um arco ascendente brutal.
Porém, Su Ran não hesitou—sua lança girou em `[Enrolar da Serpente]`, envolvendo a lâmina de Su Yang no meio do ataque, forçando o confronto a permanecer empacado, pois nenhum podia empurrar o outro para trás.
Seus olhos se encontraram por uma fração de segundo—ambos vazios, ambos furiosos.
Depois, Su Ran torceu sua lança e avançou com o movimento `[Espiral Flutuante]`, empurrando Su Yang para trás com uma onda de choque de ar comprimido que rachou o chão sob seus pés.
Apesar de suportar o golpe de cabeça, Su Yang aterrissou de calcanhar, quase escorregando antes de lançar-se novamente com `[Dente Cruzado]`, uma combinação de dois cortes com a intenção de partir Su Ran ao meio.
Su Ran foi rápido, respondendo com a técnica `[Floração das Sete Pétalas]`, desviando do primeiro golpe e absorvendo o segundo com o eixo flexível da lança, defendendo-o perfeitamente—como alguém que estudou cada movimento de Su Yang desde a infância.
"Sempre as mesmas jogadas, irmão? Você não aprendeu nada de novo na Rodova?" questionou Su Ran neste momento, zombando de Su Yang enquanto tentava parecer descolado para a câmera e para o pai. Contudo, esse foi o seu grande erro, pois Su Yang não respondeu com palavras, mas com ação.
Ele ativou o movimento `[Passo Relampejante]`, que nunca tinha mostrado antes nos circuitos, e enquanto o acionava, Su Ran ficou completamente perdido, sem saber onde realmente estava. Nesse instante, Su Yang reapareceu por trás dele e cortou baixo, atingindo de uma só vez ambos os tendões de Aquiles.
*CORTA*
O impacto fez contato.
E uma chuva de sangue jorrou do calcanhar de Su Ran enquanto ele gritava alto, a voz emperrada pela dor.
"Aaaaghhh—!"
Mas ele não caiu.
Nem tropeçou.
Ele cambaleou—recuperando o equilíbrio com passos trêmulos, seus músculos feridos arrastando-se pelo chão da arena, enquanto sua lança vinha erguida em uma guarda instável.
Ele rangeu os dentes e suportou os golpes seguintes de Su Yang, parando de relutância uma investida venenosa de `[Ataque Aéreo]` e interceptando uma finta de `[Passo Relampejante]`, quase arrancando seu braço.
Nesse momento, cada bloqueio parecia ser o seu último.
Sua mobilidade quase se esgotou, sua postura de luta habitual foi desfeita, e suas perspectivas gerais pareciam bem ruins.
Porém, seus olhos—estavam arregalados, alertas, esperando—pois, apesar da desvantagem, era claro que ainda não tinha desistido.
Continuou provocando Su Yang, mantendo a defesa e nada mais. Após alguns segundos, Su Yang quebrou sua disciplina e partiu para o ataque—
[Corte Divisório do Monte]
Ele tentou acabar com a luta imediatamente.
Porém, esse foi justamente o momento que Su Ran vinha esperando. Ele inclinou sua lança na direção certa, desviando a lâmina de Su Yang com `[Desviar]`, e rapidamente rodou os quadris com força suficiente para furar o corpo do oponente com um `[Estocada Perfurante]` no coração.
*PLOU!
A lança atravessou o corpo de Su Yang, que assobiou e cuspiu sangue, com os olhos arregalados enquanto a respiração lhe escapava dos pulmões.
*GOTÁ*
Sangue jorrou pelo chão à sua frente, e seu braço com a espada tremeu, começando a cair.
Mas ele não soltou.
Ainda não.
Assim como Su Ran tinha feito antes, ele também intensificou o olhar e forçou seu corpo a se mover ao se desprender da lança, reculando de modo consciente. Apesar do buraco gigante em seu corpo, parecia decidido a continuar a luta.
*...*
O silêncio dominou o estádio.
Ninguém na plateia conseguia entender como Suz Yang ainda permanecia de pé… especialmente o árbitro. E, no entanto, com Su Yang ainda de pé—espada ereta, olhos fixos—o árbitro não teve escolha senão deixar a luta continuar por enquanto.