
Capítulo 208
Assassino Atemporal
Damien sabia que a situação em que se encontrava naquele momento estava bem longe do ideal. Cada segundo que passava só reforçava a dura realidade de que não tinha controle sobre o ritmo da batalha nem um caminho claro para a vitória.
Por natureza e treinamento, ele era um combatente extremamente defensivo—feito como uma parede e armado com um estilo que dependia de suportar punições até que surgisse o momento perfeito para contra-atacar.
No entanto, Leo lutava de uma maneira que desmontava completamente os alicerces desse estilo, movendo-se com velocidade implacável, precisão cirúrgica e um timing impossível de decifrar, de modo que simplesmente não havia oportunidade de contra-atacar sequer uma única investida.
Damien sabia que não precisava de muito—apenas de um golpe limpo, um único golpe para mudar o ritmo da luta a seu favor, já que sua classe era feita para aquele momento crucial de impacto.
Porém, Leo não lhe dava nada.
De forma frustrante, toda vez que ele jogava o escudo no chão ou girava para uma resposta ampla, encontrava apenas espaço vazio à sua frente, enquanto Leo já dançava cinco passos para longe—composto, indecifrável e completamente no controle.
E após trinta minutos desse dança sem esperança, a paciência de Damien começava a chegar ao limite.
Ele tentava manter a postura ereta e respirar calmamente, mas as pernas começavam a doer por se manterem firmes por tanto tempo, enquanto o suor escorrendo pelas têmporas molhava o interior da gola, fazendo o metal parecer mais pesado que o normal.
Seus olhos piscavam de nervoso, buscando um padrão—qualquer coisa que pudesse romper esse ritmo—mas só encontrava a silhueta de Leo circulando como um espectro que se recusava a enfrentá-lo de frente.
E para Damien, isso era o pior de tudo.
Ele não estava apenas perdendo a luta—ele tinha o combate negado completamente.
"Só preciso de um golpe," ele sussurrou baixinho, não para Leo, mas para si mesmo, como se dizer isso em voz alta pudesse de alguma forma criar a abertura que ele tanto buscava.
Porém, cinco minutos a mais se passaram e a abertura nunca apareceu.
E, assim, encurralado pela frustração, pelo cansaço e por uma crescente sensação de humilhação, Damien tomou uma decisão contra tudo o que seu treinamento dizia.
"Xingar tudo!" ele gritou, entrando em colapso total enquanto avançava—não com uma investida controlada ou uma formação planejada, mas com força bruta e instinto cego—jogando todo o peso do seu corpo protegido de escudo em direção a Leo numa investida selvagem, descompensada, fora de controle.
O público prendeu a respiração junto, enquanto a voz de Derek explodia em choque: "Ele vai fazer! Uma carga de escudo de corpo inteiro—mas isso não é [Avanço do Escudo], está completamente desestruturado!"
Lee inclinou-se para frente, com expressão tensa. "É desespero, Derek. Ele abandonou a técnica totalmente. Aquele escudo não está atacando—está batendo de qualquer jeito."
E Leo, observando do limite do impulso de Damien, percebeu exatamente o que era aquela confusão.
Ele desistira da paciência... e com isso, da sua única vantagem.
Pela primeira vez na luta, Leo não recuou para evitar o golpe.
Ao contrário, ele avançou, com o olhar fixo, corpo imóvel, enquanto ativava [Véu Celestial]—permitindo que a investida brutal de Damien ricocheteasse nele, interrompendo seu impulso imediatamente.
E naquele único segundo, toda a luta desmoronou.
Assim que Damien parou, Leo reapareceu por detrás dele, baixo e encolhido—culminando uma abordagem que cortou horizontalmente a parte de trás dos joelhos, perfurando limpidamente o músculo e fazendo com que a enorme estrutura de Damien se arrancasse para a frente, de forma descontrolada.
Antes que a resistência do tanque pudesse se estabilizar completamente, Leo girou rapidamente e deu uma sequência implacável—não uma ferida letal, mas uma golpe seco na base do pescoço com o retrojorno do punhal, que fez Damien cair de rosto no chão, com um som surdo de armadura amortecida.
O silêncio caiu instantaneamente—antes de se romper em um rugido.
"Vencedor: Leo Skyshard de Rodova!" anunciou o árbitro, erguendo a mão enquanto o setor de Rodova explodia de surpresa e alegria.
"Ele fez de novo!" exclamou Derek, quase sem conseguir conter a emoção na voz. "Leo Skyshard acabou de desmontar um dos tanks mais poderosos do torneio sem levar um golpe limpo!"
"E não foi com força," acrescentou Lee, balançando a cabeça. "Foi com inteligência. Com paciência. Com controle total. Ele deixou Damien sangrar com mil cortes e se deixou colapsar na própria frustração... antes de aplicar a resposta perfeita."
Leo não disse nada, voltou calmamente para o seu lado do campo, com postura controlada, expressão indecifrável e as adagas ainda na mão—apenas por precaução.
E quando a câmera cortou para a arquibancada de Geneva, vislumbrou-se o Capitão Ramos—com as mãos cruzadas, os olhos semicerrados—não surpreso, mas divertido, como se o resultado daquela luta não lhe desagradasse nada.
"O garoto tenta parecer durão, ativa todo o esforço para não mostrar que está respirando forte, tentando esconder a fraqueza, mas posso ver o padrão de respiração errático."
Depois de alguns momentos entre uma respiração rápida e uma longa, ele saiu do banco e se alongou levemente.
"Será que o Capitão Ramos mesmo vai entrar agora?" ponderou Derek, enquanto Ramos se dirigia pelo túnel, sob o tumulto dos apoiadores de Geneva.
"Meu Deus! É isso mesmo! O Capitão Ramos vai participar... Ainda não enviaram o Darnell—" comentou Lee, impressionado, enquanto a câmera mostrava Darnell sentado no banco, com seu sorriso inocente habitual.
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*ROAR—*
Quando Ramos avançou para o local de início, os torcedores de Geneva explodiram de energia, vibrando alto o suficiente para fazer as arquibancadas tremerem, como se a presença de seu capitão tivesse reacendido toda a paixão.
Ramos, mesmo visivelmente ferido e ainda sangrando de seu confronto com Yu Shen, caminhava com seu estilo provocador—sorriso largo, confiança intacta, como se nada do dano importasse.
"Você lutou bem até aqui... Skyshard," falou casualmente, limpando uma mancha de sangue no rosto. "Reconheço você como um guerreiro brilhante."
Ele fez uma pausa, só o tempo de garantir que as câmeras captassem o sorriso no rosto dele antes de seguir.
"É uma pena ter optado por uma academia de segunda categoria como a Rodova ao invés de Geneva. Um talento como o seu—e olha que nem preciso citar Yu Shen e Su Yang—eles sempre seriam bem-vindos em Geneva."
Leo estreitou os olhos.
'Que fala mais clichê,' pensou com um desprezo relutante, levantando a mão sem hesitar e fazendo um gesto simples em direção ao árbitro.
"Substituição."
O público ficou momentaneamente confuso, até que o árbitro virou para confirmar e acenou com a cabeça.
"A Rodova solicita uma substituição. Leo Skyshard sai e Enzo, de Rodova, entra no lugar."
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Enquanto o público murmurava e os comentaristas se apressavam para explicar o momento da troca, Leo lentamente se virou e começou a sair do chão da arena.
Cada passo parecia mais pesado que o anterior, embora ele mantivesse seu ritmo firme e controlado.
'Não posso deixar que eles percebam. Nem o Ramos. Nem o público. Nem minha própria sombra—' pensou Leo, enquanto fingia estar forte e sem ferimentos, mas por dentro—
Estava exausto.
Dois combates seguidos, com fadiga acumulada e sem descanso, deixaram-no cansado de verdade.
Caminhava em seu ritmo máximo, não apenas se movimentando em círculos, mas realizando movimentos complexos: interrompendo sua velocidade, mudando de direção, rolando, pulando e executando uma dezena de ações ao mesmo tempo, por minutos seguidos.
E, como consequência, após as duas batalhas, sentia dores em músculos que raramente incomodavam—as articulações dos joelhos pareciam desgastadas, como se o vento de areia tivesse lentamente raspado tudo.
E, embora sua expressão permanecesse indiferente e seus passos fossem firmes, por dentro ele sabia exatamente o quanto tinha de energia restante.
'Droga... preciso de um descanso—' pensou Leo, ciente de que precisava de alguns minutos, mesmo que fosse só para recuperar o fôlego, deixando a fadiga aguda diminuir antes de voltar ao combate.
Sabia que Ramos não estaria brincando.
O homem parecia à beira de um colapso—mas Leo conseguia perceber. Ainda havia força ali, suficiente para ser uma ameaça séria.
Então, ao se sentar no banco, com os olhos em Enzo se preparando para uma luta rápida, Leo deixou seus dedos relaxarem, seus ombros relaxarem um pouco—focando totalmente na respiração e na recuperação.
"Cinco minutos, Enzo... Só cinco. Me dá cinco e eu mando o Ramos embora... Prometo isso—" disse Leo, enquanto Enzo lhe dava um aceno hesitante, antes de seguir pelo túnel.