Assassino Atemporal

Capítulo 210

Assassino Atemporal

(Arena do Deus do Céu – Final, Partida 6, Ramos contra Enzo)

Eventualmente, Enzo precisou retornar ao seu posto inicial, e o árbitro—após um último olhar de frustração—levantou a mão e chamou o início da luta, enquanto Ramos não perdia tempo e avançava com toda a autoridade de um Grande Mestre que não tinha a menor intenção de prolongar a batalha.

Ele veio em baixa, rápido e preciso—com lâminas empunhadas em pegada invertida, passos suaves apesar das feridas anteriores—fechando a distância como uma pantera que caça uma corça mancando.

Mas antes que Ramos pudesse sequer balançar a arma—

Enzo virou-se.

E saiu em disparada.

Não com algum movimento enganoso. Não com uma finta. Não com nenhum tipo de movimento dramático.

Apenas uma fuga bruta e sem vergonha.

Correu lateralmente a toda velocidade, levantando nuvens de areia atrás de si, em um zig-zag desajeitado que tornava quase impossível prever seu trajeto, como se até mesmo Enzo não estivesse totalmente comprometido com o destino da corrida.

"Que diabos—" murmurou Ramos, parando o primeiro golpe enquanto se virava para seguir o adversário.

"Ele realmente está fugindo?" perguntou Derek, pasmo, enquanto a multidão explodia em risadas.

"Nem tenta envolver-se," respondeu Lee, com tom entre diversão e pena. "Isso não é estratégia, Derek—isso é fuga. Fuga pura."

Mas Enzo não tinha mais vergonha a perder.

Já havia passado desse ponto.

Porque sabia qual era seu papel.

Ele não veio aqui para lutar. Não veio aqui para vencer. Veio para atrasar Ramos pelo maior tempo possível.

E se isso significava parecer uma galinha sem cabeça correndo em círculos ao redor da arena, que assim fosse.

Cada segundo que permanecia vivo era um segundo a mais para Leo respirar. Mais um para recuperação. Mais um passo mais perto da vitória.

'Não seja ganancioso,' dizia a si mesmo, desviando mais uma vez do limite da arena enquanto Ramos se aproximava e tentava um golpe horizontal, um que Enzo esquivou com uma cambalhota desajeitada, antes de se levantar novamente, sem finesse alguma.

'Não tente acertar. Não tente contra-atacar. Apenas sobreviva.'

E, de alguma forma—ele continuava fazendo exatamente isso.

Ramos, mesmo com toda sua velocidade e técnica, ainda era um Grande Mestre equipado com armas e recursos, carregando um peso menor que o retardasse um pouco.

E Enzo, por mais que não tivesse força, era um Mestre sem patrocinadores e sem armadura, leve apenas pelo cansaço crescente nos pulmões e o pulsar do coração acelerado.

"Você está brincando—" murmurou Ramos, tentando encurralá-lo na borda da arena, ao alcance mais uma vez.

Até que Enzo virou de repente e jogou uma mão cheia de areia em seus olhos, algo que ele jamais poderia prever.

"Que porra?" resmungou Ramos, reagindo reflexivamente.

Embora seu raciocínio soubesse que um punhado de areia não faria nada nele, evitar aquilo era um instinto de infância, e no calor da batalha ele se estremeceu automaticamente, permitindo que Enzo mergulhasse e fugisse novamente, ganhando mais alguns segundos de silêncio.

"Quer desperdiçar meu tempo?" chamou Ramos, irritado, sua voz elevando-se. "Acha que eu não vou te pegar?"

Mas Enzo não respondeu.

Ele não podia.

Porque se abrisse a boca agora, provavelmente vomitaria de exaustão.

E mesmo assim—ele continuava correndo.

Por um minuto—

Depois dois.

No marco de dois minutos e meio, Ramos o tocou com uma lâmina quase de raspão na ombra, fazendo Enzo cair de lado no chão, espraçado de braços e vestes.

Mas antes que Ramos pudesse finalizar, Enzo se levantou com toda a força de vontade que tinha—tombando agora, mas ainda em movimento.

Ainda ganhando tempo.

"Ele está louco," sussurrou Lee. "Ele realmente está conseguindo. Já passou de dois minutos e meio nessa luta e ainda não sacou a espada uma única vez."

"Isso aqui não é uma luta," murmurou Derek, quase reverente. "É um sacrifício."

Nessa hora, até a multidão silenciou.

Zombaram dele. Buchearam. Riram dele.

Mas agora—

Estavam observando.

Porque o que viam já não tinha graça.

Era coragem.

Era loucura.

E, de alguma forma—estava dando certo.

Porém, Ramos já tinha tido o bastante.

"Tudo bem," bufou. "Quer correr? Corra para o inferno—" ativando a [Lâmina da Lua Crescente] e lançando uma rajada de energia cortante carregada com mana na direção de Enzo.

E desta vez, a luta terminou de forma limpa.

*Grito—!*

Enzo não conseguiu escapar do ataque e ficou gravemente ferido, gritando e cambaleando até o chão, sua vida pendurada por um fio delicado.

"FIM DA PARTIDA... VENCEDOR, GU RAMOS, DE GENEVA—" anunciou o árbitro naquele momento, ordenando que os médicos entrassem correndo.

Ramos parecia até irritado demais, mesmo na vitória.

No fim, teve que usar uma técnica baseada em mana para derrotar um lutador de nível mestre, e isso só depois de quase três minutos de luta.

Não foi uma atuação ideal, mesmo que ele não tenha tido dificuldades na luta, e, embora tenha vencido, o gosto foi amargo por ter gastado tempo demais perseguindo um Mestre na areia por três minutos inteiros.

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No banco, Leo se levantou com expressão vazia, a toalha escorregando de seus ombros enquanto girava o pescoço e estalava os dedos, antes de seguir em direção ao túnel novamente.

"Obrigado," murmurou baixinho, olhando para o relógio.

'5 minutos e 2 segundos…' viu Leo, enquanto um grande sorriso se abria em seu rosto.

De alguma forma, no final, Enzo conseguiu ganhar tempo suficiente e mais alguns segundos como bônus.

'Certo... Como você manteve sua promessa, agora eu vou cumprir a minha—' pensou Leo, saindo para a arena. Depois de descansar alguns minutos, ele já não se sentia tão cansado quanto antes e estava preparado para enfrentar Gu Ramos com um novo fôlego.

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