Assassino Atemporal

Capítulo 187

Assassino Atemporal

(Dentro do Lounge VIP de Encontro e Aperto de Mão)

Meia hora depois, a confusão finalmente começava a se acalmar no lounge VIP de encontro e aperto de mão.

Os fãs mais exaltados já tinham conseguido seus autógrafos, tirado fotos e saído indisturbados, enquanto os convidados mais discretos e reservados agora tinham a chance de se aproximar de seus lutadores favoritos sem serem engolidos pelo caos.

O tumulto do tapete vermelho já tinha acabado, e o ambiente dentro do salão, antes frenético, tinha se transformado em música suave, conversas ao longe e o tilintar de taças polidas.

Patrocinadores, nobres e convidados VIP circulavam pelos corredores decorados, convivendo com os lutadores e trocando palavras com elegância habituada.

Porém, no meio daquela calmaria, uma figura atravessou com urgência a entrada dos fãs, a cada passo demonstrando uma determinação desesperada.

Ele se movia como um homem cuja alma havia sido incendiada, os olhos varrendo cada centímetro do espaço elegante com uma expressão de tremor e agonia.

Estava atrasado—muito atrasado—andava com uma sensação de que cada segundo de atraso pesava como uma eternidade.

A segurança não o impediu, não porque não o tivessem percebido, mas porque a credencial VIP presa ao seu peito reluzia com uma legitimidade inconfundível.

Quando passou pelo último ponto de controle e entrou na área principal do lounge dos fãs, sua respiração ficou presa na garganta.

Porque ali, em um canto afastado, de taça na mão, trajando um terno preto elegante, ausente e indiferente à multidão—

Estava seu mestre.

Seu deus.

Sua razão de viver.

'O Chefe'. Leo Skyshard.

Uma onda de lágrimas invadiu seus olhos antes mesmo de ele entender o que via, suas pernas fraquejaram e seu corpo tremeu, mas seus passos teimaram em não parar.

Seu coração disparava. Sua visão embaçava. Mas aquela aura familiar—calma, distante, intocável—o atraía como um imã.

"Mestre… aquele é meu mestre…"

As palavras escaparam de seus lábios como uma oração, frágeis e partidas, enquanto ele agarrava a credencial no peito, quase sem perceber.

Todo seu ser gritou de alegria, de incredulidade e de um desejo desesperado que há muito tinha sido enterrado.

E, ao dar um passo à frente, seus pensamentos se perderam na memória—lembrando do dia em que seu mundo acabou.

O dia em que 'O Chefe' desapareceu.

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Há pouco mais de um ano, todos os habitantes da Terra chegaram ao Planeta Terra Nova a bordo de uma gigante Nave-Arco, e ao aterrissar, as autoridades locais começaram a caçar seu mestre, 'O Chefe'—como se fosse um criminoso qualquer.

Naquele dia, de alguma forma, seu mestre conseguiu escapar da captura e fugir do planeta amaldiçoado com a ajuda de uma mulher misteriosa, mas desde então, Chaosbringer não soube de nada.

Ele sempre fora o braço-direito de 'O Chefe'.

O único fora da família que chegou a ver seu rosto ou conhecer seu nome verdadeiro.

Porque Leo confiava o suficiente nele para revelar essa informação.

Leo sabia que Chaosbringer o venerava como um Deus e que morreria antes de traí-lo, e por isso ele era o único fora de sua família com o privilégio de conhecer seu verdadeiro nome e rosto.

Para Chaosbringer, Leo era o homem a quem tinha jurado servir com a vida.

E mesmo que os demais habitantes da Terra só o conhecessem como o assassino mascarado 'O Chefe', sem jamais descobrir sua verdadeira identidade—

Chaosbringer sempre soube.

Mas então, a máscara desapareceu.

As missões cessaram.

As linhas telefônicas ficaram murchas.

E de repente, Chaosbringer ficou perdido.

Eleesperou. Durante dias. Semanas. Meses. Sentado sozinho nas sombras de um submundo decadente, rezando para que seu mestre retornasse.

Porém, Leo nunca voltou.

E Chaosbringer perdeu tudo.

Ele afundou-se na dor, chorou, quebrou.

Até que, um dia, com os olhos vermelhos e o espírito quase acabado, viu um rosto na televisão galáctica—

Frio. Inacessível. Terrivelmente poderoso.

Leo.

Desmascarado e exposto.

Mas com a mesma aura impiedosa que uma vez dominou o submundo da Terra.

E naquele instante, a alma de Chaosbringer reacendeu.

Ele não pensou. Não hesitou.

Vendeu tudo.

Fez empréstimos com os piores do universo.

Pediu ayuda, subornou, sangrou sua jornada até conseguir uma coisa: um único passe de acesso VIP para o circuitos interestelares.

E agora, ali estava ele.

Sem dinheiro, exausto, chorando convulsamente.

Mas vivo.

Porque seu mestre estava vivo.

E nada mais importava.

—----------

Ele se moveu pelo lounge, alheio aos olhares que sua figura trêmula começava a atrair, ou às manchas de maquiagem escorrendo no rosto, até finalmente alcançar o homem que, um dia, comandara um império nas sombras.

"Estou aqui, mestre… estou feliz por ver você?"—ele pensou, ao olhar para o rosto de Leo, sua visão turva pelos lágrimas, ao cair de joelhos e se prostrar.

"Encontrei você, enfim… meu Senhor."

"Seu humilde servo está ao seu dispor mais uma vez."—ele disse, encostando a testa no chão, com a voz tremendo de sinceridade.

As palavras surpreenderam Leo, que não esperava que alguém do seu passado se aproximasse assim, enquanto uma tênue dúvida cruzava sua expressão vazia.

Algo na postura daquele homem, na reverência na voz e na dor nos olhos—despertou uma lembrança fragmentada em sua memória, fazendo seu estômago revirar.

Ele não conseguia recordar claramente.

Mas seu instinto dizia que conhecia aquele homem.

Ou, melhor dizendo, já tinha conhecido, um dia.

E, ao dar um passo à frente, pronto para questioná-lo—

Outra presença interveio.

De repente, Muiyan Faye apareceu, colocando-se entre eles, com a mão firme no ombro de Chaosbringer, puxando-o para longe.

"Não me toque, sua mulher nojenta—!"—Chaosbringer protestou, aumentando a voz de angústia.

"Senhor, Senhor, ela está me agredindo—!"—ele reclamou com Leo, esperando que ele o salvasse, mas o olhar frio de Muiyan Faye cortou Leo de imediato, que permaneceu imóvel, confuso.

"Não, seu louco psicopata,"—Faye falou alto, para que todos à volta ouvissem.

"Não vou permitir que você assedie um dos meus alunos."—ela disse, fingindo que Chaosbringer era apenas um fã louco, para que a multidão risse e seguisse em frente.

Embora essa não fosse a verdade real.

Depois, ao puxá-lo para longe dos olhares da multidão, ela se inclinou perto, em um sussurro só para Chaosbringer ouvir—

"Cala a boca e finja que está comigo. Ou vai estragar tudo."

E, com essas palavras, Chaosbringer congelou.

Depois lentamente, relutante, assentiu, enquanto Leo observava de longe, com as sobrancelhas franzidas, tentando entender o que tinha acabado de presenciar.

Ele não compreendia tudo.

Nem de forma completa.

Mas uma coisa Leo tinha certeza: ele e aquele homem uma vez tiveram uma ligação—

Uma ligação tão profunda que, quem quer que fosse, provavelmente significava mais para Leo do que qualquer outra pessoa naquela sala.

E, embora Faye tivesse levado-o embora por ora, Leo decidiu, em silêncio, encontrá-lo mais tarde, em particular.

"Está bem? É algum fã louco que você tenta evitar a todo custo?"—perguntou Serina calmamente, puxando Leo de seu devaneio, ao ver que ele concordava com a cabeça.

"Sim, é um desses fãs que acha que sou o seu mestre… é estranho, mas o que dá pra fazer, né?"—respondeu Leo, jogando-se na pose casual habitual, dando de ombros.

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