Assassino Atemporal

Capítulo 186

Assassino Atemporal

(Dentro da Sala VIP de Encontro e Boas-Vindas – Momentos Depois)

Serina inalou lentamente, tentando acalmar os nervos.

'É só subir até ele. Sorrir. Se apresentar. Você já praticou isso.' Ela pensou consigo mesma, mas antes que pudesse dar um passo, uma voz alta e aguda quebrou o clima.

"NOSSA, É O SIR LEOOO—!"

Cabeças se viraram. As conversas pausaram. Até os garçons pararam no meio do serviço.

À medida que avançava pela multidão como um meteoro de caos, uma garota vestida com um conjunto vermelho cintilante, com glitter grudado em cada movimento, despontava na cena.

Era a infame Layna Cola—atrevida, animada e impossível de passar despercebida.

Ao olhar para ela correndo na direção de Leo, Serina estreitou os olhos instantaneamente.

'Ó céus, não ela—'

Layna praticamente pulou na frente de Leo, com os olhos arregalados e brilhando. "Senhor Leo, sou sua FÃ MAIS INCRÍVEL! Pode, por favor, assinar meu autograph?!'

Ela entregou a ele uma caneta, com um brilho nos olhos que gritava 'confusão', e sem hesitar, puxou levemente a parte de cima do vestido, empurrando o busto para frente.

"Aqui mesmo, sobre meu coração," ela acrescentou docemente. "Faça algo especial~"

Um silêncio escandaloso caiu na área ao redor.

Enquanto assistia à cena, Serina cerrava a mandíbula.

'Sem-vergonha. Completamente sem-vergonha.' Ela pensou, mas antes que sua frustração transbordasse, a resposta de Leo a surpreendeu.

Ele nem piscou.

Ao invés disso, calmamente, entrou na gaveta do paletó, puxou um lenço de bolso, amassando levemente sua aparência impecável, e assinou com traços limpos e fluidos.

"Você é jovem demais, garoto,"

"Não deixe estranhos assinarem seu peito ou nunca vai encontrar um bom marido." Leo disse de forma seca, entregando o lenço de bolso com suavidade.

Layna ficou parada por um momento, atônita, com o lenço tremendo nas mãos.

Mas, ao invés de recuar envergonhada, ela se aproximou mais, a voz baixando para um sussurro rouco.

"Se eu não encontrar mais ninguém, você topa casar comigo, Senhor Leo? Prometo que serei uma boa garota… farei tudo que pedir, satisfarei você de todas as formas que puder imaginar."

A sobrancelha de Leo levantou-se — mas só um pouco.

"Não. Prefiro ficar solteiro do que casar com você." Ele respondeu antes de passar por ela, afastando-se dessa conversa constrangedora.

Layna, com o coração disparado e cambaleando, apoiou-se no balcão mais próximo, suspirando sonhadora, apesar do rebaixamento.

"Tão bonito… tão frio… hihihi…"

Enquanto Serina, que observava a poucos passos de distância, sentiu seu pulso acelerar.

Seu punho fechado ao lado do corpo, enquanto as palavras 'vadia', 'bruxa sem-vergonha' e 'entulho de peito empinado' passavam por sua cabeça rapidamente.

Porém, ao voltar o olhar para Leo, sua fúria suavizou-se em algo diferente.

Admiração.

Ele poderia ter jogado junto. A maioria dos guerreiros ali hoje teria feito isso. Mas ele nem pestanejou.

Havia algo na maneira como lidou com o momento — calmo, indiferente, completamente no controle — que fez seu coração acelerar por motivos que ela ainda não tinha coragem de admitir.

'Talvez… só talvez, ele não seja um homem tão ruim para casar. Talvez dividir a vida com ele não seja insuportável…' Ela pensou, mesmo assustando-se com essa ideia, ela de alguma forma não achou isso perturbador o suficiente para expulsá-la da cabeça.

'Vamos lá, você consegue—'

Disse a si mesma, reunindo novamente a coragem. Serina ajustou o vestido, levantou o queixo e começou a caminhar na direção de Leo.

Até que parou, congelada no meio do passo, hesitando enquanto a dúvida surgia.

'E se ele me rejeitar do mesmo jeito?'

'E se ele achar que sou só mais uma garota jogando nas mãos dele?'

A respiração ficou presa na garganta.

E, num instante, sua coragem vacilou.

A natureza fria de Leo, embora uma qualidade admirável em um marido, era uma dificuldade como pretendente, tornando a situação dela complicada.

Ela precisou criar um plano totalmente novo para se aproximar —

Um plano que não a fizesse parecer mais desesperada que as outras garotas.

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Após a primeira abordagem constrangedora de Layna, Leo rapidamente encontrou um canto tranquilo para se esconder — longe das câmeras, das conversas fiadas e das ondas de admiradores excessivamente entusiasmados.

Ele ficou lá sozinho, parcialmente à sombra de uma coluna decorativa, segurando uma vasilha de poção de refresco na mão, enquanto seus olhos percorriam o ambiente com desinteresse.

Ele não estava exatamente bebendo a poção, mais usando-a como desculpa para evitar conversa.

E foi nesse momento que Serina se aproximou dele.

Não de forma barulhenta. Nem ousada. Apenas… dissimulada.

Ela se aproximou ao lado dele, sem alarde, mantendo uma distância suficiente para não parecer intrusiva. Ficou de frente, sem olhar diretamente para ele, em silêncio.

Depois, ela também pegou uma vasilha de poção de refresco, e por um instante, os dois ficaram ali, em silêncio — bebendo suas poções silenciosamente sob o brilho suave do lustre.

Então ela finalmente falou, com um tom casual e gentil.

"Eventos sociais também não são sua praia, né?"

Ao que Leo respondeu com um simples "Não".

Sem sequer olhar para ela.

"Nem a minha," ela disse, dando uma pequena mordida na bebida.

"Já fui convidada por dez guerreiros diferentes aqui dentro."

Mas, sinceramente… ela virou o rosto de lado, por um momento. "...prefiro me matar do que sair com algum deles."

Leo soltou um suspiro leve — não exatamente uma risada, mas a sombra de uma — enquanto seus lábios formaram um sorriso irônico quase imperceptível.

Serina se virou mais totalmente para ele desta vez, estendendo a mão com elegância treinada.

"Sou Serina, aliás."

Leo olhou para a mão dela por um segundo, quase debatendo se era uma armadilha — mas então, a apertou.

"Leo."

"Ah, eu já sei quem você é," ela respondeu, lançando um sorriso maroto enquanto pegava um cartão de acesso elegante do clutch e o mostrava discretamente.

O crachá de Mega Fã da Equipe Rodova brilhava em sua mão enquanto ela se inclinava um pouco e sussurrava —

"Sou uma super fã."

Leo levantou uma sobrancelha ao ouvir a revelação repentina, parecendo surpreso. No entanto, ele não recuou nem se afastou da conversa, como faria se ela tivesse chegado até ele diretamente.

Porque, pela primeira vez, alguém conseguiu se aproximar sem fazê-lo se sentir desconfortável.

E ele não odiou isso.

De lado, Leo olhou a mulher ao seu lado e viu que ela era de verdade linda.

A pele dela era delicada e clara, as pernas graciosas sob o vestido azul-marinho com fenda. O colo — cheio e perfeitamente delineado — atraía olhares, mesmo que ela não quisesse. E o rosto… queixo delicado, olhos em amêndoa, lábios com o tom exato de vermelho — era exatamente o tipo de beleza que Leo admiraria em outra vida.

Se ele fosse do tipo de quem namora, esse seria exatamente o tipo de mulher que chamaria atenção.

Elegante. Composta. Deslumbrante.

Mas namoro não fazia parte da sua vida. Nem agora.

Não enquanto cada respiração dele fosse dedicada a afiçar a lâmina, fortalecer o corpo e perseguir uma versão dele que ainda estaria fora de alcance.

Então, embora a mulher ao lado dele fosse indubitavelmente linda — talvez até perfeita — ele não sentiu uma faísca de desejo.

Nem um movimento de tentação.

Apenas o silêncio frio e constante de um homem que escolheu propósito ao invés de prazer.

E ainda assim… ele não se afastou.

O que, para Leo, já dizia tudo.

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