Assassino Atemporal

Capítulo 188

Assassino Atemporal

Alguns minutos depois, Muiyan Faye voltou sozinha ao corredor, sem Chaosbringer à vista.

Seu semblante era indecifrável, embora o leve movimento de seus lábios para baixo e a sobrancelha franzida um pouco acima dela deixassem claro — o que quer que tivesse acontecido lá fora não tinha sido fácil.

Ela ajustou o punho da manga como se estivesse convidando o incômodo a se dissolver, sem chamar atenção, enquanto se infiltrava novamente no fluxo de convidados e conversas ao redor.

Leo, no entanto, havia observado a porta de saída como uma águia. Assim que a viu, agiu.

"Quem é aquele cara?" perguntou direto, bloqueando o caminho dela com um tom calmo, porém firme. "O que ele queria? Eu tô para saber quem é, não é?"

Apesar da enxurrada de perguntas e do tom exigente, Faye não se mexeu nem um pouco.

Ela simplesmente expirou pelo nariz e lançou um olhar familiar — aquele que Leo já reconhecia como uma mistura de meias-verdades e informações ocultas.

"Agora não é a hora de você saber quem ele é," ela respondeu suavemente, mas com peso na voz. "Eu cuidei dele. E acho que... quando você estiver pronto, você vai encontrá-lo de novo."

Os olhos de Leo se estreitaram, a frustração quietly fervilhando sob sua expressão neutra.

Leo não disse mais nada e virou-se na direção da porta de saída por onde Faye acabara de retornar, indo atrás de Chaosbringer — até ser detido pelo braço de Faye.

"A equipe vai para o lounge privado deles," ela falou, agora com uma voz mais seca e autoritária. "E você tem que estar lá também. Os fãs pagaram uma fortuna por aquela interação exclusiva."

"Eu não tô nem aí pra isso."

"Seu contrato que se importa."

Disse Faye com autoridade, sem esperar resposta, agarrando firme seu braço e guiando-o de volta pelo corredor, onde o restante da equipe Rodova já se encaminhava para a sala de encontros exclusivos.

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Dentro do lounge privativo, a atmosfera era diferente. Mais íntima. Mais ensaiada.

Su Yang já encantava um grupo de fãs no centro, seu sorriso fácil, a voz animada, enquanto Minerva estava sentada em um sofá de veludo, com dois jovens nobres pendurados em cada palavra dela.

Yu Shen se posicionava no canto, envolvido numa conversa que parecia sincera com a filha de um dignitário.

E Leo?

Leo estava quieto, sentado perto da parede de trás, com uma perna cruzada sobre a outra, bebendo de um copo que não tocava desde que entrou.

Seus olhos estavam distantes, os pensamentos voando longe — presos entre ecos do passado e a lembrança de um homem ajoelhado diante dele, chamando-o de "Senhor".

Enquanto Serina observava dolorosamente de alguns metros de distância.

Ela tentou se inserir na órbita dele com a mesma suavidade de sempre, exibindo sorrisos educados para os demais convidados, trocando algumas piadas leves com os fãs próximos.

Porém, eventualmente, ao se aproximar de Leo e se abaixar com uma expressão brincalhona, ela perguntou:

"Será que eu conseguiria sua assinatura, Sr. Skyshard?"

Leo levantou o olhar, encontrou seus olhos por um instante, e virou o rosto — sem interesse.

"Claro, me traz um papel e uma caneta," disse seco, como quem não estava nem aí.

Não foi cruel.

Mas foi distante.

E Serina sabia o que aquela distância significava.

Ela sorriu suavemente — mais para esconder sua autoestima machucada do que por outra coisa — e se despediu, voltando para o meio da multidão com um sorriso sereno no rosto, sem mais se incomodar com ele durante o dia.

'Ele não está de humor. Insistir agora não vai adiantar...' pensou, mudando sua estratégia mentalmente.

Ela teria que ser mais inteligente. Mais tática.

Leo não era um homem que se conquistasse com bajulação ou sedução — pelo menos, não naquela noite.

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Mais tarde, naquela noite, dentro da suíte privada da Alcazar, o sorriso pacífico que Serina usara o dia todo desapareceu completamente.

"Como assim você não tem o número de telefone celular dele?" seu pai rugiu, batendo a mão na mesa de mármore, com o som ecoando como uma detonação.

*THAM*

Serina assustou-se instintivamente, prendendo a respiração enquanto a fúria do pai aumentava.

"O que você conseguiu com essa reunião, então?! Investi uma fortuna pra colocar você naquela sala privativa e agora vem me dizer que não conseguiu nada de importante?!" ele berrou, com a voz cortante.

Serina permaneceu rígida, com as mãos cruzadas atrás das costas, com a cabeça baixa em sinal de submissão, a garganta apertada de lágrimas não derramadas.

"Pai, por favor, entenda. Leo Skyshard… Ele não é igual aos outros homens que você conhece.

Chegar perto dele exige paciência e sutileza.

Ele é frio, distante. Se eu insistir demais, ele vai me fechar completamente," ela implorou, desesperada, enquanto o velho bufava de descrença.

Damien começou a andar de um lado a outro da sala, tentando se acalmar, mas parecia que não adiantava. Mesmo após alguns minutos, sua respiração furiosa não diminuía.

"Useless," ele cuspiu, virando abruptamente. "Você tinha uma única missão. Só uma. E falhou."

Ele acusou Serina de ser inútil e, nesse momento, lágrimas começaram a escorrer pelos olhos dela.

"Como você vai consertar isso, Serina? Você tem algum plano? Ou nem isso você conseguiu?" Damien gritava, embora, surpreendentemente, ela tivesse algum plano.

"Eu posso consertar… Confie em mim, pai, eu consigo," ela disse, com a voz trêmula, forçando-se a olhar nos olhos dele.

"Havia um homem… alguém que se aproximou de Leo e o chamou de 'Senhor'. Alguém do passado dele. No instante em que apareceu, toda a postura de Leo mudou."

Ela narrava, enquanto Damien Alcazar parava de andar, escutando com atenção.

A raiva em seus olhos enfraquecia um pouco, enquanto considerava o que ela dizia.

"Acho que," ela continuou, "se conseguirmos identificar esse homem e descobrir quem ele realmente é, podemos finalmente entender quem é o verdadeiro Leo. Seu passado. Seus valores. O que ele mais protege. Isso pode nos abrir uma brecha para entender sua verdadeira natureza e como chegar ao coração dele—"

Serina proposa, prendendo a respiração enquanto observava nervosa seu pai, que cuidadosamente se acomodou na poltrona, entrelaçando os dedos em sinal de reflexão.

"Então, você aposta tudo… nesse homem misterioso?" ele perguntou, a raiva agora como uma lâmina envolta em gelo.

Ela assentiu uma vez, com a expressão firme, apesar do peso naquelas palavras.

Ela acreditava nesse indício.

Porque naquela breve troca, ela vira algo raro — uma abertura. Uma rachadura na parede impenetrável de Leo.

"Se esse homem participou do evento," murmurou Damien, "então ele estará nos registros. Deixe comigo. Eu puxarei os fios certos."

Aquietou-se por um instante.

Depois, sua voz virou um aviso — suave, mas cortante como uma adaga.

"Muito bem. Fazemos do seu jeito. Mas torça para estar certa, minha filha… Porque, se não estiver, não será apenas sua posição na família que vai desmoronar — será o seu futuro."

Serina abaixou a cabeça profundamente, a sensação de frio daquela frase grudando como geada na espinha.

"Entendo," respondeu calmamente.

Porque, se ela falhasse… o preço não seria apenas seu orgulho.

Seria sua liberdade.

Pois, se ela errar, seu destino estaria selado — não com correntes, mas com uma aliança de casamento com um nobre vulgar duas vezes mais velho, onde os sonhos de passar a vida com um cavalheiro como Leo Skyshard se murchariam em silêncio.

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