Assassino Atemporal

Capítulo 180

Assassino Atemporal

O comandante Jackson não era o único cavando no passado de Leo.

Após sua performance impecável contra a Academia Button, muitos outros também passaram a investigar seu histórico.

O primeiro problema com o codinome de Leo residia no sobrenome: 'Skyshard', e no fato de que ele não era chamado de Su, Mu, Gu, Lu, Du ou Yu — ou seja, não estava oficialmente ligado a nenhuma das seis grandes famílias.

E enquanto alguns especulavam que poderia ser um descendente do Clã Mu, jogado pelo universo sem o nome de família, como muitos jovens frequentemente eram, outros estavam ansiosos para apostar na hipótese de que ele não tinha qualquer ligação com o Clã Mu.

Principalmente porque nem todos sabiam sobre sua perda de memória ou as circunstâncias que o levaram a ingressar na Rodova.

Como aqueles que o descobriram recentemente pelos Circuitos não tinham ideia de que ele ainda estava juntando as peças de seu passado — então, acreditavam que ele era uma estrela em ascensão de uma linhagem obscura e esquecida.

Mas o segundo ponto, mais preocupante, era seu talento monstruoso.

Um Mestre de primeiro ano, com velocidade espantosa e eficiência implacável — as capacidades de Leo já superavam a maioria dos jovens gênios, até mesmo de clãs de elite.

E para alguém tão excepcional aparecer sem uma linhagem dominante?

Isso fazia muitos lobos salivarem.

Linhas de sangue a nível de monarca eram raríssimas. Fora dos seis grandes clãs, as chances de surgimento de um potencial assim vindo de sangue comum eram de uma em um trilhão — ou pior.

Por isso, por toda a galáxia, patriarcas de clãs de porte médio passaram a observar com mais atenção.

Eles viam em Leo um mistério que valia a pena desvendar — e, talvez, um tesouro a ser conquistado.

Desesperados para elevar a linhagem de sua família, muitos começaram a enviar discretamente agentes para investigar suas origens, na esperança de descobrir qualquer coisa — qualquer detalhe — que justificasse uma aproximação.

Porque até mesmo o mais tênue fio de ligação seria suficiente.

Pois, em seu universo, a linha entre o anonimato e a legado poderia ser traçada com um contrato de casamento… e uma apresentação bem no momento certo.


Arena do Deus do Céu – Câmara Privada de Visitação, Suíte Aluguel do Clã Alcazar

O clã Alcazar era um daqueles de nível médio, que tinha alguns guerreiros de transcendência dentro de seus quadros e algum sucesso no setor econômico; no entanto, eles não conseguiam avançar para o patamar de uma potência.

Controlavam algumas cidades em um planeta e eram bem famosos onde viviam, porém, num escala universal, sua influência era insignificante.

No entanto, hoje, o patriarca do clã viu em Leo uma oportunidade de elevar o clã da mediocridade e elaborou um plano para agir imediatamente.

De pé dentro de uma luxuosa box privativa, com vista para o campo de batalha central, com as mãos cruzadas atrás das costas, Senhor Alcazar olhou para sua filha mais nova e mais bonita, que até ontem era o centro das atenções.

"Ele é perfeito," murmurou Damien Alcazar.

"Velocidade, presença, linhagem—talvez até uma linhagem com talento de monarca… porque, se ele não for pelo menos isso, nunca entraria na equipe Rodova como um Mestre de primeiro ano," aprofundou, enquanto atrás dele, Serina Alcazar permanecia tesa, vestida com um vestido de seda lilás, com os lábios tremendo um pouco.

"Depois que a fase de 16 avos terminar amanhã. Depois de amanhã é dia de descanso para todos os lutadores.

Neste dia, eles devem participar de entrevistas obrigatórias e encontros, e essa é nossa chance de causar uma boa impressão—" começou Damien, virando-se e encarando diretamente os olhos da filha preferida.

"100.000 MP. Foi isso que paguei por esse passe de acesso, que garante entrada particular no evento VIP de encontro e saudação com Rodova." disse, exibindo o documento na mão, enquanto Serina olhava para ele com um aperto no peito.

"Hoje à noite, marquei sua prova de vestido. Já contatei uma estilista genovesa para vir amanhã de manhã. E já paguei o que for preciso para que o vestido fique pronto em poucas horas."

"Pai, eu…" Serina tentou intervir, lutando para encontrar a voz enquanto sussurrava. "Não tenho certeza se consigo fazer isso—"

"Você sim," rebateu Damien, segurando seus ombros com força, enquanto seu olhar ficava cada vez mais maníaco.

"Isso não é sobre você. É pelo clã."

Ele gesticulou em direção à tela na box VIP, onde os destaques de Leo passavam do começo do dia.

"Se ele for de uma das grandes famílias? Maravilha. Nos ligamos a eles pelo casamento. Elevamos nosso status e influência."

Ele se inclinou, com olhos estreitos.

"E se não for? Melhor ainda. Então, manipulamos ele. Usamos. Criamos uma geração de Skyshards talentosos sob nossa bandeira e enriquecemos nossa linhagem para sempre."

Serina ficou sem ar.

"Sei que você é virgem. Sei que isso é… desagradável. Mas essa é a responsabilidade daqueles que nascem com sangue nobre. Você não escolhe quem ama, Serina. Você só serve ao legado."

Os olhos de Serina se encheram de lágrimas ao ouvi-lo, mas ela não deixou cair. Não podia.

Por um momento, o tom de Damien suavizou—mas só um pouco.

"Use algo ousado. Justo na cintura. Mostre um pouco do ombro. Inocência com um toque de tentação. Homens assim—guerreiros—querem doçura até provar sangue."

Serina fechou os olhos.

"Você pode chorar agora," ele disse suavemente, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha dela. "Mas não na frente dele. Quando ver Leo Skyshard… sorria. Brilhe. Dê a ele um motivo para se lembrar de você."

Ela concordou, chorando, sem protestar ou resistir.

Pois fracassar não era uma opção.

Nem na casa dos Alcazar. Nem neste universo cruel.

Ela tinha sido querida por todo o clã até então, e agora era sua vez de retribuir.


Arena do Deus do Céu – Camarotes superiores, Clã Cola

"Não! Não! Não! Você não entende, Papai!" gritou Layna Cola, batendo o pé e ficando vermelha na face. "Você tem que comprar esse ingresso pra mim!"

Do outro lado, Senhor Cola—um homem corpulento, com as costeletas grisalhas e o emblema do Clã Cola bordado na túnica—segurava uma mão tremendo ao peito, como se tivesse levado um tiro.

"100.000 MP?! Por um único ingresso de encontro e saudação?" engasgou. "Quer que eu financie meu rim esquerdo por um aperto de mãos de cinco minutos?"

"Não é só um aperto de mãos!" gritava Layna, lançando uma almofada de pelúcia pelo cômodo. "É Leo Skyshard! Você tem alguma ideia do que esse homem faz comigo?"

"Layna, você tem dezenove—"

"E eu sei o que quero! Aquele homem é incrível, misterioso, velocidade insana, e salvou Rodova sozinha! Eu o amo, papai!"

"Oh céus," murmurou Senhor Cola, esfregando as têmporas enquanto a filha começava a andar de um lado para o outro furiosamente.

"Eu nunca te perdoarei se estragar minha única chance de conhecê-lo. Vou fugir. Entrar pro Clã Pepsi. Mudar meu sobrenome pra Pimenta!"

"Não ouse tirar esse lindo sobrenome Cola do seu cadastro—!"

Layna desabou dramaticamente no sofá, enterrando o rosto em uma almofada cheia de lantejoulas. "Só me deixa encontrar ele. Não me importo se choro, desmaio ou esqueço como respirar—só me deixa tentar."

Senhor Cola olhou para ela por um longo momento, seus soluços dramáticos ecoando mais alto que a multidão na arena lá fora.

Finalmente, com um suspiro de derrota, puxou o datapad do cinto e clicou furiosamente.

"Vai ser difícil quando a sua mãe descobrir… mas tudo bem," disse, balançando a cabeça. "Você consegue seu ingresso. Só não conte pra ela quanto eu paguei."

Layna se ergueu rapidamente, olhos marejados de surpresa. "Sério?!"

"Que os astros me ajudem, sim," suspirou ele.

"AAAAAAHHH!" gritou Layna de alegria, lançando-se nos braços do pai com força suficiente para quase derrubá-lo. "Você é o melhor papai do mundo!"

Senhor Cola a ajeitou meio sem jeito nas costas, gemendo sob o peso. "Só não desmaie na frente do menino. Ou proponha. Ou fale de casamento. Ou de filhos. Ou—"

"Já foi tarde!" ela cantou, girando no ar enquanto dançava pela sala. "Vou me casar com Leo Skyshard e chamar nosso primeiro filho de Cola Skyshard!"

"Ai, meus deuses," murmurou Senhor Cola, pegando seu cantil. "O que foi que eu fiz…"

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